Pitchfork: You were on "Jenny Jones"?
CF: Yeah! For a little bit, she had bands. The topic of the show we were on was Good Strippers vs. Bad Strippers. Good strippers stay true to the craft, while bad strippers might give you a little extra. Jessica Hopper was in the audience. It was pretty amazing. There's a lot of stuff from the Lifter Puller days that blows my mind.
Pitchfork: Were the strippers dancing while you were playing?
CF: No, they were watching. It kind of goes back to something that Tad and I always said: The Hold Steady is a great band, but Lifter Puller would probably be a better movie. It was just crazier. Steve Barone from Lifter Puller is kind of the X-factor. He's a unique person. I think people behave differently around him than they behaved normally. I don't know how else to explain it.
Mais aqui.

Isabelle Adjani está recauchutadíssima e tem uma saia acima do joelho mas La Journée de la Jupe só convence quando são os alunos insubordinados - todos pretos ou mouros, como se não existissem franceses de gema mal comportados - a pegar na arma. Até lá, todo um relambório de trivialidades e umas lições de moral de plástico (Isabelle, já foste mais credível). Mas no fim fica um incomodo sim, pesado, e nisso o filme de Jean-Paul Lilienfeld é bem eficaz. Ao menos isso.
Já agora, o Mário Nogueira é que havia de ver isto. Uma professora destas nas manifs e metade dos problemas da classe estavam resolvidos.

O comentador moderno é um animal estranho que não consegue estar calado mais de 5 segundos seguidos nem ser coerente mais de 10. O comentador moderno acha que certos temas não têm interesse para quem o escuta, mas fala deles na mesma. O comentador moderno adora fazer discursos semi-filosóficos sobre o “futebol moderno”, debruçando-se com gusto sobre temas como a importância da polivalência dos jogadores, a altura dos centrais ou a diagonalidade da movimentação do árbitro. O comentador moderno habita um mundo à parte, onde a gramática ainda não foi inventada e a concordância não passa de uma miragem. O comentador moderno é uma criatura de vícios e fixações: se o irritam uma vez, irritam-no sempre. O comentador moderno é míope mas recusa-se a usar óculos ou sequer a consultar o oftalmologista. O comentador moderno elogia a “virtualidade” dos jogadores e a “arquitectação” das jogadas. O comentador moderno regozija-se por ser secundado por comentadores que combinem uma visão analítica e descomprometida do futebol com o dom da palavra, como o Toni. O comentador moderno acha o vocábulo “Ronaldo” indissociável da expressão “melhor jogador do Mundo”. O comentador moderno é também publicitário, enumerando frequentemente os tópicos quentes do telejornal ou alertando para a “excelente novela” que se segue à partida e que o espectador “não vai querer perder”. O comentador moderno faz-nos querer fazer como o outro: desligar o som da televisão e pôr música clássica a tocar. Mas enfim. Pelo menos nem todo o comentador moderno é o Nuno Luz.
Burned by the spotlight, Stevens retreated after Illinois. As anxious fans searched for clues pointing to New York, Washington or New Jersey, expecting another masterful concept album right around the corner, he dabbled in a few side projects but showed no signs of picking up where he left off with Project U.S.A. “The whole premise was such a joke,” he says now, “and I think maybe I took it too seriously. I started to feel like I was becoming a cliché of myself.” Whether or not Stevens ever intended to make a record for every state, he ended up completely derailed by a new project—one people thought was just another whim.
Aqui, o resto.

Drag Me To Hell tem sido vendido como um certo regresso às origens por parte de Sam Raimi, um realizador de 50 anos que volta a fazer um filme de terror de baixo orçamento depois de três filmes de milhões que renderam milhões sobre um certo super-herói aracnídeo e quase três décadas após o primeiro Evil Dead, o filme que o “fez” enquanto realizador e que tornou Bruce Campbell – agora entretido com projectos masturbatórios de gosto duvidoso – num sério fenómeno de culto. Mas de back to basics Drag Me To Hell tem pouco. Evil Dead (e as sequelas, mais tarde) era um filme brutalmente inventivo que pulsava cinema por todo o lado – ou não fosse feito por um jovem realizador em início de carreira – e no qual era notória a paixão de Raimi pelo métier. Já Drag Me to Hell é um filme sem fôlego, um recauchutar de ideias gastas sem nada de novo para dizer; no fundo, um golpe de marketing. É, acima de tudo, e à semelhança do último Indiana Jones, um filme demasiado produzido, como se com Spider-Man e respectivas sequelas Raimi tivesse atingido o ponto de não retorno e esquecido o que a sujidade e a (deliberada) falta de polimento fizeram pelos seus filmes dos anos 80. Uma desilusão, portanto.
Alison Lohman, a donzela em perigo, não ajuda. Não é Bruce Campbell quem quer.
Em 2009 tento lembrar-me há quanto tempo não ligo o rádio para ouvir música. Só pela música. Não me lembro. Não morar em Lisboa ou no Porto não deixa. Houve tempos em que não tinha internet, canais de música. Não foi assim há tanto, uma década, menos talvez. Aí sim, a rádio era como pão para a boca. Por isso ver o António Sérgio partir, numa idade tão puta, é quase como ver partir um daqueles amigos a quem não se liga peva há anos. Mas recordar aquelas noites, naquela idade em que ainda só apalpava as coisas e em que ligava o rádio e tentava imaginar que homem tinha aquela voz, isso, é um privilégio. Desculpa António. Porra.
Confesso: também não sou o maior fã do ponto de exclamação. É uma figurazinha irritante e fortemente nociva quando mal utilizada ou utilizada em excesso e remete-nos para um estado de espírito que contrasta com a ideia de tranquilidade e concentração que se tem de quem escreve e, particularmente, de quem escreve bem. Excluí automaticamente das minhas opções de voto a candidata do partido socialista à câmara municipal da minha terra porque a senhora aparenta ter tomado como missão de vida destruir aos poucos, semana após semana, a língua portuguesa no espaço que lhe concedem no jornal local. Nos seus textos, claro está, a cada dez palavras tropeça-se num desses sinais de pontuação. Mas o ponto de exclamação não deve ser ostracizado. O ponto de exclamação é útil. Com o ponto de exclamação é mais fácil pecar por excesso do que por defeito, e é por isso que a conspiração contra ele ganhou pernas. Mas leia-se O Crime do Padre Amaro. Nele, toda a gente admira-se e toda a gente exclama. Há pontos de exclamação em todas as páginas – talvez não em todas, mas não me abandonem – e todas as páginas são magníficas. Se o ponto de exclamação era bom para o português mais inteligente dos últimos 200 anos, também o deve ser para nós. Não insultemos o Eça!
Que o Celebrity Survey não morreu com o Tonight Show with Conan O'Brien. Kirstie Alley, continuas grande. Em todos os sentidos.

E a respectiva aula de história.
One of contemporary cinema’s most daring and uncompromising artists, Pedro Costa is being honored with a complete retrospective at the Tate Modern in London, a rare distinction for a filmmaker still in his prime. The series, which starts today and runs through October 4, includes not only all of the fifty-year-old Portuguese director’s work—nine films in total, from 1989’s O sangue to his current Ne change rien—but also programs of movies that have inspired him: by Godard, Eustache, Warhol, and Straub and Huillet. Costa has been getting a lot of other attention recently too. One Hundred Thousand Cigarettes: The Films of Pedro Costa, a book of writings on his work, was just published in Portugal. And the Cinémathèque française is busy preparing its own retrospective, slated for January. In honor of the Tate show, Sight & Sound has run an interview with Costa by Kieron Corless and an in-depth career analysis by Quintín in its October issue, and in the Guardian, Peter Bradshaw touts Costa as the “Samuel Beckett of world cinema.” This week also sees the release of O sangue on DVD in the UK from Second Run. Criterion will release a box set of Costa’s Fontainhas Trilogy—Ossos, In Vanda’s Room, and Colossal Youth—also including the shorts Tarrafal and The Rabbit Hunters, in early 2010.

Já tinha uma certa pena por não ir ver o John Vanderslice ao Alquimista. Agora tenho muito mais.

Só posso crer que os Sunset Rubdown gostam bem de nós. Primeiro dedicam-nos uma linha naquela dezena de minutos que dura o épico de camadas que é Dragon Lair, tema que fecha - porque é realmente música para terminar um álbum - o novo Dragonslayer. E depois não é que Black Swan tem um início quase decalcado dos primeiros segundos d'A Rapariga da Caixa dos nossos Os Quais? Sério, quando virem o Spencer Krug por aí avisem-me, sim?

Não sei de onde vem toda a agitação em volta de District 9. Não há por lá nada que não seja reciclado e até a abordagem estilo falso documentário, que redunda num imenso vazio quando não suportada por uma mínima noção de dramaturgia, de tempo, quando não é colocada por cima de uma qualquer ideia, já foi feita e refeita de formas mais eficientes (Blair Witch, Blair Witch). Como está, a coisa vai seguindo em direcção a nada e culmina num terceiro acto em que Neil Blomkamp, como se possuído por Roland Emmerich ou Michael Bay, deita por terra de vez a concepção primária de filmar corpos, vísceras, sangue e suor, e limita-se a filmar zeros e uns. Então e o cinema?
Horchata, a bebida, aquela branco-pálido nascida para os lados de Valência com sabor a basicamente nada, é provavelmente das coisas mais odiosas que já me passaram pelo palato. A Horchata dos Vampire Weekend, essa, é bem melhor. Provem.

Comprei o DVD d’O Sangue com o Público de hoje, resignado com o ridículo de um “regresso às salas” que se traduziu numa única semana de sessões no UCI do El Corte Inglés, em Lisboa. A edição em DVD, “com imagem e som restaurados”, é bem-vinda e é um começo; mas onde estão o Paulo Rocha, o Fonseca e Costa, o Manuel Mozos, o António Campos e o António Reis, o Oliveira que falta, o César Monteiro em edições individuais, Os Mutantes e o resto?

Vou votar no Bloco do Eu Sozinho.

(…) Pero un específico, espléndido detalle ausente coloca Los límites del control directamente en confrantación y por encima de Malditos bastardos. El código de acción violente y de suspense de Tarantino se expresa por sí solo, sobre todo, en su minuciosa obsesión com las entradas y las salidas: como sus asesinos entran y salen del sótano de un bar o de una sala de cine. Pero el solitario samurái de Jarmusch solo necesita mirar com calma a un edificio militar norteamericano de alta seguridad para penetrar instantaneamente en él: como un fantasma, aparece entre sus paredes, y después, de la misma manera, escapa, desaparece, huye. (…)
O Adrian Martin é que a sabe toda: The Limits of Control vale, acima de tudo, por aquela assombrosa elipse que faz a personagem de Isaach de Bankolé, qual super-herói (ou fantasma, mas sempre algo sobrenatural), estar num primeiro plano a observar, ao longe, o tal edifício militar rodeado de militares e dispositivos de segurança e no seguinte aparecer sentado, imaculado e destilando cool, frente a Bill Murray. Lembra Hitchcock; lembra aqueloutra elipse, no início de Vertigo, quando James Stewart sobrevive sabe-se lá como a uma queda potencialmente fatal e o mestre inglês despega definitivamente o filme da realidade e parte para o delírio que se lhe segue. E quase faz esquecer os tiques mais ou menos artísticos a roçar o pedantismo com que Jarmusch havia minado o filme em cenas anteriores.

Asfixia democrática, asfixia democrática, em todo o esplendor contraditório da expressão – não que alguém, salvo salutares excepções, nem mesmo na comunicação social, pareça por estes dias particularmente preocupado com a gramática – é terem feito corresponder o Porto-Sporting com o chamado "dia de reflexão". Como se alguém, perante partida desse calibre, se preocupasse em “reflectir” sobre pormenores de inferior importância como são a política ou o destino do país. Dos males o menor: se Porto ou Sporting jogassem, em vez de entre si, com o Benfica, correríamos o risco de haver, no domingo, seis milhões [sic] de portugueses a votarem num estado de euforia renovada e desejo de continuidade ou, ao invés, de profunda desilusão e apetência pela mudança.
(reparem como a imagem acima se adequa perfeitamente à situação: tanto opressor como oprimido ou, se quisermos, asfixiador e asfixiado, parecem em estado igualmente funesto; e tanto opressor como oprimido, apesar de separados e de se odiarem mutuamente, acabam, ao fim ao cabo, por formar um só corpo.)

Pergunto-me: tem Inglourious Basterds seguido uma montagem mais, digamos-mos, ortodoxa, seria o resultado menos ousado mas mais harmonioso? Talvez. A divisão por capítulos, parece-me, ‘mata’ algumas personagens (o Archie Hicox de Michael Fassbender poderia ter sido tão mais) e os dois mais longos diálogos do filme funcionam de forma bem distinta: a cena inicial, quando Hans Landa visita a pradaria francesa para fazer jus ao seu apodo, é uma autêntica bomba-relógio, chega a ser extenuante para quem espera aquele olhar, aquele movimento que tudo vai despoletar; já o meeting na taverna arrasta-se sem crescendo e o desfecho é quase previsivelmente abrupto. Mas nem todos somos Christoph Waltzs. O que não significa que não tenha gostado de Inglourious Basterds, bem antes pelo contrário. Tarantino é singular e entre acção desbragada, a carambola histórica e pozinhos de humor certeiro lá aparecem imagens de rara sensibilidade. Aquele grande plano em que Shosanna olha pela janela do seu cinema, na noite da vingança, e a sua imagem aparece reflectida outra vez, e depois outra vez e outra vez é das coisas mais bonitas que vi numa sala de cinema em muito, muito tempo. E isso faz qualquer filme.
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