Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Singularidades

Um certo anacronismo percorre as imagens de Singularidades de uma Rapariga Loura, resultado da transposição, por questões essencialmente financeiras, de um conto do século XIX para a Lisboa da actualidade. Os nomes (o do protagonista, Macário, à cabeça), os diálogos (religiosamente importados do livro, como não poderia deixar de ser), aquela brincadeira do Eça dentro do Eça, tudo parece fora de tempo, como que se toda a acção do filme se passasse numa bolha alheia à realidade e imperturbada por ela. Mais ou menos como cinema de Oliveira. O resto é o saber fazer do costume: aquela câmara teimosamente quieta que tudo faz tremer quando se desloca (e é preciso falar daquele travelling de esguelha entre salas), a beleza geométrica do plano da janela do quarto de Catarina Wallenstein, o arrebatamento que surge, logo na segunda cena, quando vamos vendo o país a passar pela janela do comboio onde falam Leonor Silveira e Ricardo Trêpa, a ilusão de fazer o complicado parecer tão simples. Enfim: he’ll outlive us all. E ainda bem.

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Fábio Jesus às 12:42
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3 comentários:
De Liliana & Ana a 13 de Maio de 2009 às 22:46
Muito bom o teu blog PARABÉNS...

Destake merecido !

Beijinhos e boa sorte com a continuação


De Vergilio Borges a 19 de Maio de 2009 às 22:48
o Ricardo Trêpa continua a dar um novo significado à expressão "mau actor" ?
é que até agora todos os filmes que vi em que ele entrava, e mesmo no teatro, metia dó a falta de talento deste jovem, cuja carreira é feita à base do laço familiar que o une ao mestre Manoel de Oliveira.
numa peça que vi há cerca de 2/3 anos, chamada Morgana, esse jovem contracenava com o Ruy de Carvalho o que foi claramente uma má opção para ele pois se antes já tinha dele a pior das impressões, a partir daí ainda ficou mais vincada a sua incompetência...


De Fábio Jesus a 20 de Maio de 2009 às 16:27
Não é grande actor, mas nem se dá muito mal desta vez, até porque não lhe é pedido muito.
Antes ele que um daqueles furúnculos da interpretação das novelas da TVI.

Abraço


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