Sábado, 20 de Março de 2010

A verdadeira música popular

Sou a mais nova de uma manada de primos e isso nota-se na curiosidade. Nas incontáveis mesas de reuniões familiares há um tema que surge invariavelmente. Alguns dos meus primos mais velhos estiveram nesse Sudoeste de 98, nessa noite que juntou no mesmo palco os Sonic Youth e os Yo La Tengo. Ouvi-los é o mais perto de lá ter estado. O tema continua a surgir porque até hoje não se chegou a um consenso: há quem tenha adorado, há quem achado a noite só mais ou menos (demasiada distorção, dizem eles) e há até quem pelos vistos tenha ido para a tenda mais cedo. É certo que é impossível saber ao certo o que se passou naquela noite. Mas agora, no próximo almoço, já posso dizer Eu já vi os Yo La Tengo. Demasiado tarde, sim. Mas há esperas que valem a pena.


Até porque o concerto da última segunda-feira na Casa da Música foi belíssimo. Não andam por aí muitas bandas que à segunda música já ganharam a noite. Atirar More Stars Than There Are In Heaven, a música-monumento de Popular Songs, assim à descarada, ainda mal o público se acostumava às cadeiras, é muito sacana. Dez minutos onde até a distorção foi melodia e no fim olhos rasos de água e queixo no chão. É possível que tenha sido o momento da noite. Popular Songs foi desfilando durante a noite, grandioso, muito mais magnânimo que em estúdio, faltou apenas um pouco mais de mel aquele dueto garoto que é If It's True, e o resto foi um pot-pourri dos quase 30 anos de carreira destes putos. E quando Ira Kaplan se resolveu a falar já o concerto ia a velocidade cruzeiro mas valeu tão a pena, aquele sagaz thank you for put us in a rock room, really thoughtful of you com um piano de tubos em cima da cabeça, tão certeiro, de quem já anda nisto há muito tempo. Ao nível daquele final de concerto, antes dos dois encores onde houve Sugarcube, um Little Honda rasgado ao meio com uns bons quinze minutos de distorção épica, épica, tão épica, e lá tive de ir buscar o queixo outra vez ao chão, até eu que sou tão mais melodista do que distorcista. Foi tão bom que não devia ter acabado e ao senhor que chegou mesmo mesmo no final da More Stars..., bem, nem sabe o que perdeu amigo.

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Lídia Gomes às 23:16
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