Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

Ainda sobre Bradford Cox

É tudo verdade o que disse em baixo. O ritmo frenou tanto nesta casa que às vezes pergunta-se se vale a pena continuar, ainda que a razão pela qual deixou de haver disponibilidade - que é uma coisa muito diferente de não haver tempo, isso há sempre - seja muito mais precária e temporária do que alguma vez este blogue foi. Mas depois existem personagens como esta que tornam imperativo que este espaço continue aqui, só porque ainda preciso de um sítio para vir dizer, sem amarras, que aqui o Bradford é neste momento o homem mais interessante do mundo. Para já porque o Logos do bom Bradford enquanto Atlas Sound continua a ser o melhor álbum que não é de 2010 que ouvi em 2010 mas dando porrada velha a tudo o resto. E depois porque chega a 2010 e há mais razões para amar este senhor de buraco no peito. Halcyon Digest, dos Deerhunter é a melhor coisinha que os Deerhunter já fizeram. É um percurso interessante este entre Cryptograms, Microcastle e Halcyon Digest (nunca ouvi Turn It Up Faggot, o primeiro da rapaziada). Um percurso que em outras bandas talvez fosse condenável aqui merece todas as palmas. Os Deerhunter estão cada vez mais melódicos, mais clássicos (dentro do possível, vá), mais conscientes do conceito de canção. Tal como o Bradford Cox de Atlas Sound. Para mim Logos, é, mais que tudo, um grande conjunto de canções. Halcyon Digest também é um portentoso conjunto de canções e consigo encontrar alguns paralelismos com o projecto de Cox a solo. Este último é obviamente algo menos concreto, menos cheio. Em Logos quase não se ouve uma guitarra eléctrica. Mas Atlas Sound é coisa de um homem só. Os Deerhunter são uma banda. Halcyon Digest é mais focado (não que o "não foco" de Logos seja mau, bem antes pelo contrário). Começa com Earthquake, a mais etérea das canções que por ali pára e depois temos um conjunto de canções curtas, directas mas não óbvias. O quase embalar de Sailing, a apaixonada e languida de Helicopter (e a novidade de ver uns Deerhunter "queridos"), a clássica Coronado (aquele saxofone é a maior surpresa de sempre depois do clarinete nos The Hold Steady) onde às tantas se ouve laivos do Boss, He Would Have Laughed, música garota ou Memory Boy, canção relâmpago onde, chamem-me louca, consigo descortinar uma vibe beatlesiana. Isto é rock. Ou pop até. Bradford Cox é o maior e enquanto existirem álbuns assim estaremos por cá. Até à próxima.


Lídia Gomes às 11:18
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