Sábado, 31 de Março de 2007

Metallica: Some Kind of Monster (2004), de Joe Berlinger e Bruce Sinofsky



Metallica. Mais de noventa milhões de álbuns vendidos em todo o mundo desde 1981, o que os transforma numa das bandas mais influenciais e comercialmente bem sucedidas dos últimos 25 anos. Uma legião de fãs imensa e incansável que os acompanha para onde quer que vão. Um vocalista que tem tanto de carismático como de problemático. Quer se goste, quer não, a maior banda de heavy metal do Planeta.


Perante um historial destes e quase três décadas de sucesso, teria sido fácil tornar o documentário sobre a banda de James Hetfield numa crónica sobre a sua carreira, desde os tempos conturbados de Kill’em All e da morte do baixista Cliff Burton até ao lançamento de St. Anger, passando pela batalha contra o Napster e por todos os problemas e controvérsias que sempre foram cartão-de-visita da banda. Seria fácil escolher a via da idolatria (o nome do documentário sugere isso mesmo…), demonstrando todos os passos que tornaram os Metallica numa das maiores bandas do género, juntamente com nomes como Megadeth, Slayer e Anthrax .


Mas Metallica: Some Kind of Monster é, paradoxalmente, algo muito diferente. O que Joe Berlinger e Bruce Sinofsky fizeram não é um elogio de duas horas e meia, mas sim uma viagem inesperada ao lado negro dos Metallica. E é precisamente isso que o torna tão interessante – não é todos os dias que se tem a oportunidade de presenciar o semi-descalabro de uma banda de tão grande dimensão, e é mais raro ainda poder acompanhar todos os passos dessa mesma queda como se estivéssemos lá.


Some Kind of Monster segue os membros da banda entre 2001 e 2003, o período que antecedeu o lançamento de St. Anger e um dos mais conturbados da sua história. Somos convidados a acompanhar todos os momentos após a saída do então baixista Jason Newsted (para se dedicar ao seu projecto Echobrain), incluindo a gravação do álbum e o longo período de inércia criativa que correspondeu aos vários meses em que Hetfield esteve em reabilitação devido a alcoolismo e outros vícios. Durante este período, o terapeuta Phil Towle é chamado para tentar restabelecer a ordem perdida.


O grande ponto de interesse consiste em observar as disputas de poder constantes entre os egos maiores que a vida de James Hetfield e Lars Ulrich. É curioso constatar que, apesar de serem, na teoria, três os membros que constituem a base dos Metallica, a banda pertence quase na totalidade aos dois fundadores, já que o guitarrista Kirk Hammet se mantém quase sempre à parte das discussões entre o vocalista e o baterista. Estas quezílias constantes têm o condão de humanizar Hetfield e Ulrich, e essa humanização é precisamente dos aspectos mais recompensadores de todo filme. É nesta transformação de dois homens tantas vezes endeusados pelos fãs em seres humanos com falhas à semelhança de todos os outros que Some Kind o Monster acaba por triunfar.


O ponto alto do filme, no entanto, acaba por ser protagonizado pela pessoa mais improvável: Dave Mustaine. O malogrado guitarrista (que foi o primeiro guitarrista a tempo inteiro da banda, tendo posteriormente sido expulso e formado os eternos rivais Megadeth) aparece numa cena na qual, frente a frente com Lars Ulrich, confessa o quão difícil tem sido ficar sempre em segundo na corrida com os Metallica e como se arrepende de ter deixado a banda. Pelo carácter revelador da cena, Mustaine não ficou feliz por vê-la incluída no corte final do documentário, originando ainda mais controvérsia.


Os dois realizadores filmaram mais de 1200 horas de vídeo que posteriormente editaram para apenas duas horas e meia. A vida de Hetfield, Hammet e Ulrich deve-se ter assemelhado, durante este período, à vigilância constante de um reality show, e isso nota-se. Não são poucas as vezes em que os diálogos parecem pouco naturais, como se estivessem a ser interpretados. Algumas discussões, recheadas de pausas contemplativas, reforçam esse efeito, que se torna no calcanhar de Aquiles do documentário.


No fim, como seria de esperar, tudo termina bem por terras do monstro Metallica. Com a contratação de Robert Trujillo para ocupar o lugar deixado vago por Cliff Burton (o produtor Bob Rock foi o baixista substituto durante a criação de St. Anger) todos os problemas são esquecidos e a banda parte em tournée novamente. Não deixa de ser algo irónico, apesar de tudo, que um dos álbuns mais suados da história dos Metallica tenha acabado por se tornar num dos menos bem recebidos pela crítica e pelos fãs.


Confesso que nunca fui o maior admirador dos Metallica. Talvez porque o thrash metal nunca suscitou em mim grande interesse. Talvez também porque nunca me interessei particularmente em explorar a fundo os maiores clássicos do quarteto. Mas o carisma dos seus principais membros é inegável, e Some Kind of Monster recria-o na perfeição. Além de ter conseguido o pequeno grande feito de me aguçar a curiosidade e a vontade de ver James Hetfield e companhia, dia 28 de Junho, no Parque Tejo.


8/10


Fábio Jesus às 01:28
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Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Mais uns quantos concertos...Arctic Monkeys e Placebo

Os "piquenos" Arctic Monkeys voltam a Lisboa para um concerto no Coliseu, dia 16 de Julho. A banda de Sheffield vem ao nosso país apresentar o segundo registo de originais Favourite Worst Nightmare que tem edição prevista para dia 23 de Abril.

 

Já os Placebo são a mais recente confirmação para o Creamsfield Lisboa que se realiza dia 19 de Maio no Parque da Bela Vista, também em Lisboa. Portugal vai ter a honra de receber o primeiro concerto da digressão europeia da banda de glam-rock.

 

O primeiro single do novo álbum dos Arctic MonkeysBrianstorm, já circula no inevitável tubo!

Dar a respectiva olhadela abaixo....

 

 

 


Lídia Gomes às 18:17
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Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Curtas

Notes on a Scandal (2006), de Richard Eyre




Ancorado em duas soberbas composições por parte de duas das melhores actrizes da actualidade, Notes on a Scandal acaba, infelizmente, por ser apenas a sombra do excelente filme que podia ter sido. Eyre explora várias problemáticas, mas nunca as consegue balancear convenientemente – a solidão e o sempre presente medo da morte solitária, o desejo de fugir à rotina quase enclausurante da vida de casado e a inesgotável libido adolescente convergem de uma maneira nem sempre satisfatória. Talvez porque a maior parte do orçamento tenha ido parar aos bolsos de Dench e Blanchett, é quase impossível abanar a sensação de que estamos a assistir a um telefilme feito à pressa. Com um argumento mais polido e uma realização menos oscilante podíamos ter aqui um dos melhores de 2006, mas nem tudo está perdido: um filme com Bill Nighy é sempre melhor do que o mesmo seria sem Bill Nighy .

 
5/10

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Zwartboek (2006), de Paul Verhoeven




Seria legítimo pensar que o regresso de Paul Verhoeven às origem, após anos em Hollywood a criar alguns dos seus maiores e mais rentáveis blockbusters, resultaria num retorno por parte do realizador à realização de obras mais modestas e, enfim, menos artificiais. Mas Zwartboek é, neste capítulo, uma espécie de armadilha. Se no início chegamos a acreditar que estamos perante um filme sóbrio, que pertence muito mais ao argumento e aos actores do que aos aos artifícios técnicos, pelo fim desenganamo-nos ao sermos invadidos por uma catadupa de trejeitos hollywoodescos que quase arruínam a tão sólida primeira metade. Embora longo, Zwartboek nunca entedia e é sempre excelente entretenimento, embora não passe daí. Se quisermos, é muito mais um Flags of our Fathers do que um Letters from Iwo Jima, na medida em que sacrifica a contenção dramática em prol do maior entretenimento, e aí acerta em todas as notas certas.

 

7/10


Fábio Jesus às 16:55
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Terça-feira, 27 de Março de 2007

Muitas e boas notícias...

Os últimos dias têm-se revelado bastante prolixos no que diz respeito áquelas notícias que gosto de apelidar de "pra cima de muito interessantes"...

Senão vejamos...

 

 

Os Happy Mondays vão regressar 15 anos do seu último álbum de originais Yes, Please. O vocalista Shaun Ryder ainda não adiantou uma data para a edição mas revelou que a sonoridade da banda está mais "fresca". Desde que continuem a fazer temas como Step On ou 24 Hour Party People os Novos Pornógrafos já ficam felizes...

 


 

Segundo o Planeta Pop, os Human League estreiam-se em Portugal no dia 16 de Junho. Ainda sem confirmação oficial, pensa-se que a banda de Sheffield tocará na cidade do Porto.

 


 

Mais nomes confirmados para o Super Bock Super Rock. Os The Rapture e os Jesus & Mary  Chain (que não são a banda do co-colaborador deste blog...) sobem ao palco do Parque Tejo dia 4 de Julho, acompanhando bandas como Lcd Soundsystem ou os Clap Your Hands Say Yeah. A banda de NY apresenta o seu álbum de 2006 Pieces of the People We Love. Já os rapazes de Glasgow reunem-se depois de vários anos de separação.

 


 

Também uma produção da Musica no Coração, o Delta Tejo é uma nova proposta para o circuito dos festivais de Verão. O evento vai decorrer entre 20 e 22 de Julho. Ainda não há nomes na calha para este Delta Tejo mas as datas coincidem com as do Festival de Benicassím, logo alguns nomes do festival espanhol podem "passar a fronteira" e actuar no nosso país.


Lídia Gomes às 19:01
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Segunda-feira, 26 de Março de 2007

História Trágica com Final Feliz




As histórias que gosto contar são sempre simples, acerca de pessoas que conheci. Umas ainda vivem, outras já morreram. Tiveram vidas anónimas ou ignoradas, passaram despercebidas por este mundo e rapidamente foram esquecidas. Interessam-me os mistérios, os pequenos dramas e a poesia que se escondem nas suas vidas aparentemente banais. São elas os meus heróis e as minhas referências.

Regina Pessoa representa um caso à parte no panorama do cinema português. Após algumas colaborações com Abi Feijó, aventurou-se na realização a solo, e em 1999 brindou-nos com A Noite, a sua primeira curta-metragem de animação, filmada em gravura sobre placas de gesso. Com História Trágica com Final Feliz, o seu segundo projecto, conseguiu a proeza de tornar uma curta de animação de menos de 7 minutos no filme português mais premiado de sempre. A ausência de diálogos e o aspecto estilizado (ainda que aqui completamente a preto e branco) lembraram-me imediatamente o excelente Les Triplettes de Belleville, de Sylvain Chomet, que em 2004 foi nomeado para o Oscar de Melhor Filme de Animação. 

História Trágica com Final Feliz está actualmente a ser distribuído juntamente com Il Caimano, de Nanni Moretti. Uma vez que este estreou apenas em quatro salas a nível nacional, três das quais em Lisboa e a outra no Porto, e toda a gente devia poder desfrutar do trabalho da realizadora portuguesa, deliciem-se com a bela da curta, cortesia do youtube.



 

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Fábio Jesus às 01:52
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Sábado, 24 de Março de 2007

Quem escreve assim não é gago #2

Rows and flows of angel hair
And ice cream castles in the air
And feather canyons everywhere
I've looked at clouds that way

But now they only block the sun
They rain and snow on everyone
So many things I would have done
But clouds got in my way


I've looked at clouds from both sides now
From up and down, and still somehow
It's cloud illusions I recall
I really don't know clouds at all

Moons and Junes and Ferris wheels
The dizzy dancing way you feel
As ev'ry fairy tale comes real
I've looked at love that way

But now it's just another show
You leave 'em laughing when you go
And if you care, don't let them know
Don't give yourself away

I've looked at love from both sides now
From give and take, and still somehow
It's love's illusions I recall
I really don't know love at all

Tears and fears and feeling proud
To say "I love you" right out loud
Dreams and schemes and circus crowds
I've looked at life that way

But now old friends are acting strange
They shake their heads, they say I've changed
Well something's lost, but something's gained
In living every day

I've looked at life from both sides now
From win and lose and still somehow
It's life's illusions I recall
I really don't know life at all

                                       

                                                              Both Sides Now, Joni Mitchell

 


Lídia Gomes às 16:39
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Quinta-feira, 22 de Março de 2007

El Laberinto del Fauno (2006), de Guillermo del Toro



Se me permitem, começarei esta crítica num registo mais pessoal. Gerei uma enorme expectativa em relação a El Laberinto del Fauno. Talvez porque sou um confesso admirador dos primeiros filmes de del Toro (Hellboy e Blade II são meritórios, sim, mas ainda assim longe do fulgor narrativo do delicioso El Espinazo del Diablo), talvez porque sempre reservei um cantinho especial para o fantástico, género tão maltratado ultimamente, através de obras de qualidade dúbia, caso das adaptações cinematográficas de As Crónicas de Nárnia ou das aventuras de Harry Potter, talvez porque a crítica internacional foi unânime em declará-lo um dos grandes filmes do ano transacto. A verdade é que não aguardava um filme com tal voraz ansiedade desde, coincidentemente, O Regresso do Rei. 

 

Nos momentos que antecederam o início do filme, pensei o quão fácil, dada a tremenda antecipação, seria sair da sala desapontado, com as expectativas goradas. Mas Guillermo del Toro, como Peter Jackson há quase quatro anos atrás, não decepcionou. El Laberinto do Fauno é excepcional. Uma daquelas peças cinematográficas que nos relembram o porquê de irmos ao cinema. Uma fábula intemporal, satisfatória do primeiro ao último minuto. Uma obra-prima.

 

Por esta altura, com a miríade de críticas que invadiram a imprensa e a blogosfera, já toda a gente estará familiarizada com a história de Ofelia, a menina órfã de pai, presa num mundo ao qual não pertence e que recusa integrar. Como em El Espinazo del Diablo, del Toro retrata as crianças como seres vulneráveis e puros, passíveis de serem invadidos por uma multiplicidade de sentimentos contraditórios que não conseguem explicar e que tendem em personificar na forma de seres imaginários com os quais interagem e que lhes possibilitam um refúgio vital e libertador. E o que seria melhor para o realizador transpor a sua própria, efervescente imaginação para a tela?

 

Ofelia é dona de uma imaginação que faria Tim Burton roer-se de inveja. Na sua mente coabitam faunos, mandrágoras e monstros de olhos nas mãos: criaturas imbuídas de simbolismo – que percorre todo o filme – que tanto conseguem ser assustadoras como enternecedoras, e cuja execução – potenciada pelo brilhante trabalho de fotografia de Guillermo Navarro – resulta invariavelmente num eye candy impressionante. O tal monstro de olhos nas mãos, o aterrorizador Pale Man, está tão bem conseguido que merecia um filme só para si.

 

Guillermo del Toro perpetra uma proeza da qual poucos se podem orgulhar: pega numa premissa base que não é propriamente nova – o antagonismo bem/mal já é representado no celulóide desde os primórdios do cinema e a conclusão adivinha-se à distância – e apropria-se da mesma de tal forma que o resultado final é algo que nos parece ao mesmo tempo familiar e completamente novo e refrescante. O clímax final, detentor de potencial para, se conduzido por um maestro menos competente, se tornar num exercício em puro lamechismo, acaba por se tornar num dos momentos mais bem conseguidos de todo o filme. Tornando Ofelia numa personagem tão vulnerável, detentora de um fio emocional tão fino que parece poder quebrar a qualquer instante, del Toro agarra-nos de semelhante maneira que, pelo final, a história da pequena criança já se encontra tão entranhada em nós que é impossível não ficar emocionado.

 

A analogia com El Espinazo del Diablo funciona na perfeição: ambos apresentam como protagonistas crianças que enfrentam adversidades e que sofrem com a rispidez de uma autoridade mais velha (aqui representada com a austeridade necessária por Sergi López), em ambos a acção decorre durante a Guerra Civil Espanhola (que é nada mais do que o pano de fundo para a verdadeira história – não acredito que Guillermo del Toro tenha tido como intenção fazer uma qualquer afirmação política) e ambos podem ser classificados como fábula infantil para adultos, sendo que El Laberinto del Fauno eleva os patamares de violência dessa obra, tornando-se, em partes, difícil de digerir. Del Toro dirige com a segurança de quem já não é novo no género e sabe exactamente o que pretende fazer e como tem ideia de o conseguir, atingindo um resultado final arrebatador a todos os níveis.

 

À saída da sala, todo o receio inicial se tinha esvaído, dando lugar a uma sensação de satisfação semelhante àquela que invade uma criança quando esta recebe um brinquedo novo. El Laberinto del Fauno é não só o melhor filme de 2006 como também a melhor fantasia desde que Peter Jackson nos brindou com a assombrosa conclusão à Trilogia do Anel e uma hora e cinquenta e dois minutos de puro deleite que ninguém devia perder. É, como dizia Humphrey Bogart no seminal The Maltese Falcon, the stuff that dreams are made of. Porque, afinal de contas, o labirinto existe para todos nós.

 

10/10


Fábio Jesus às 23:49
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Continua a invasão sueca...

Já há muitos e bons anos que a Suécia nos oferece mais do que móveis baratos e carros seguros. Todos os dias de lá surgem hordas e hordas de bela música pop exemplos mais que óbvios dos I'm From Barcelona, Peter Bjorn and John, Shout Out Louds,  El Perro del Mar entre outros...

 

Este Peter von Poehl é o mais recente integrante da invasão sueca com honras de lançamento discográfico em Portugal. Going To Where The Tea Trees Are, álbum de influências pop e folk, saiu para os escaparates esta semana e nele está este rebuçado The Story Of The Impossible.

 

música: 2007, música

Lídia Gomes às 18:40
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Quarta-feira, 21 de Março de 2007

Os putos da Guerra Fria



A NME chamou-lhes "a melhor nova banda na América", e os Novos Pornógrafos concordam que, se não a melhor, os Cold War Kids são uma das melhores e mais refrescantes novas bandas norte-americanas da actualidade. Robbers & Cowards, o álbum de estreia, embora não muito conhecido na Europa, é algo a ter muito em conta por qualquer apreciador de bom indie rock. Os Putos têm potencial para grandes voos, esperemos agora que não desapontem. Deixo-vos com o videoclip de We Used to Vacation, um ponto alto num álbum recheado de pontos altos.


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Fábio Jesus às 23:35
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Terça-feira, 20 de Março de 2007

Clap Your Hands Say Yeah, mais um nome de peso para o SBSR

Os Clap Your Hands Say Yeah são a mais recente confirmação para o Festival Super Bock Super Rock.

Dia 4 de Julho os norte-americanos apresentam no Parque Tejo o segundo e mais recente trabalho, Some Loud Thunder.

Os Novos Pornógrafos ficaram um pouco desiludidos com Some Loud Thunder mas o hype para ver ao vivo a banda de Nova Iorque é, vá, muito!

No mesmo dia tocam os Linda Martini(outra das confirmações de hoje), os Maximo Park e os LCD Soundsystem.


Lídia Gomes às 20:14
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O maravilhoso mundo da Midseason



Andy Barker, P.I. é possivelmente a série mais reconhecível de todas as que estrearam nesta midseason, tudo porque foi co-concebida, com Jonathan Groff, pelo nosso bem conhecido Conan O’Brien. A primeira época vai ter apenas 6 episódios (dos quais apenas cinco vão passar na televisão), que para os nossos amigos norte-americanos já estão disponíveis na íntegra para download no site da NBC. A premissa é interessante que baste: Andy Barker (Andy Richter, Andy Richter Controls the Universe) é um contabilista que, após ocupar o escritório de um ex-detective privado, decide também enveredar por essa profissão. A execução, pelo menos no episódio-piloto, não é tão bem sucedida com seria esperado de um bebé do geralmente hilariante Conan O’Brien. As gargalhadas não são muitas, sendo muito mais frequente o fugaz esboço de um sorriso. O maior ponto de interesse reside na presença de Simon (Tony Hale, o brilhante Buster Bluth do igualmente brilhante Arrested Development), o empregado de um clube de vídeo directamente por baixo do escritório de Andy Barker, que proporciona muito daquele humor recheado de referências culturais que tem funcionado tão bem em 30 Rock. Andy Barker, P.I. vai para o ar todas as quintas, na NBC.




Raines, de Graham Yost, segue um (outro) detective, interpretado por Jeff Goldlum que – num conceito nunca antes visto numa série com Jennifer Love Hewitt – consegue falar com as vítimas mortais dos crimes que investiga. Goldblum tem carisma, mas não o suficiente para disfarçar a inocuidade e falta de criatividade que caracteriza o primeiro episódio, que em pouco difere de todas as séries que usam a mesma fórmula de um qualquer C.S.I..  Pior: as vítimas que falam com Raines são-nos vendidas, pelo menos no piloto, como a personificação dos pensamentos do detective, e portanto não fornecem qualquer informação útil sobre o caso, a menos que o mesmo já a tenha equacionado. Qual é o objectivo de poder falar com um morto se ele não tem nada de particularmente relevante para nos dizer? Raines não é nem bom nem terrível, é apenas dolorosamente mediano. No fundo, é um Ghost Whisperer com um protagonista bem mais talentoso mas bem menos atraente. Também na NBC, à quinta.




Finalmente, The Riches, criada por Dmitry Lipkin, é de longe a melhor série do trio. Relata a vida de um casal de ladrões e vigaristas (Eddie Izzard e uma Minnie Driver com um ar de badass fantástico) e dos seus três filhos, que, após serem parcialmente responsáveis por um acidente de carro que vitima um casal de recém-casados, assumem a identidade dos mesmos, enveredando por uma vida de normalidade, bastante diferente daquela à qual estão habituados, numa localidade suburbana no Louisiana. Com uma já notória química entre os protagonistas e diálogos de qualidade superior, The Riches tem o potencial de se tornar numa das melhores séries da actualidade, se não seguir os passos de Desperate Housewives e se tornar muito mais numa novela do que na sátira aguçada e inteligente que os primeiros passos auguravam. A por vezes demasiadamente ténue linha entre a comédia e o drama, que leva a mudanças repentinas que cortam o ritmo da acção pode ser melhorada, mas além disto temos aqui um dos mais sólidos e promissores pilotos da actual época televisiva. A seguir com atenção, à segunda, no canal FX.


Fábio Jesus às 03:49
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O novo projecto de Miyazaki

Hayao Miyazaki, o grande mestre da animação japonesa, responsável, entre outros, por A Viagem de Chihiro e A Princesa Mononoke, anunciou finalmente o seu próximo projecto, sucessor de Hauru no ugoku shiro (O Castelo Andante): chama-se Gake no ue no Ponyo (em inglês, Ponyo On A Cliff) e segue a história de Ponyo, uma Princesa peixinho-dourado que se quer tornar humana e de Sosuke, um menino de 5 anos, cuja personagem foi modelada tendo como base velhas imagens de Goro Miyazaki, filho do realizador. Hayao Miyazaki é um dos grandes artistas da imaginação dos nossos tempos e uma das provas de que a animação tradicional ainda não morreu, pelo que cada filme novo que lança é um grande acontecimento. Gake no ue no Ponyo tem estreia prevista para o Verão de 2008, no Japão.


Fábio Jesus às 03:41
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Domingo, 18 de Março de 2007

Less Than Zero (1985), Bret Easton Ellis

Los Angeles. Época de festas de um qualquer ano da década de 80. Clay regressa a casa por duas semanas depois de um semestre em Camden College, New Hampsire.

Este é o ponto de partida de Less Than Zero, romance de estreia de Bret Easton Ellis (com apenas 20 anos na altura da publicação), um dos autores maiores da chamada Generation X norte-americana. E é exactamente desta geração de jovens nascidos do baby-boom do pós-guerra que Ellis faz um retracto ácido, violento, muito ao estilo "soco no estômago".

Clay é, portanto, uma personagem tipo. Rico, jovem, alienado por um mundo perfeito na aparência mas podre no interior. Com a chegada à Los Angeles volta ao circuito das festas "Berverly Hillsianas", onde proliferam os consumo de drogas e os comportamentos sexuais ambíguos e onde convergem outras personagens: Blair, com quem Clay tem um caso mal resolvido; Julien, auto-destrutivo amigo de Clay que se tornou prostituto e toxicodependente e Trent, outro dos amigos de Clay, modelo, fútil, desprovido de qualquer moral.

Less Than Zero vai acompanhando as relações entre as personagens num mundo amoral, onde os valores tradicionais valem tanto como moedas de escudos e onde o escabroso parece normal. Neste sentido alguns momentos são particularmente chocantes como quando Trent mostra aos amigos um video onde com imagens de violações e mutilações e Clay parece o único incomodado com o conteúdo, quando Clay é obrigado a ver Julien prostituir-se e, a gota de água, quando os seus amigos atam uma jovem de 12 anos a uma cama e a violam repetidamente.

Estes comportamentos extremos, violentos e impunes levados a cabo por um grupo de jovens completamente alienados pela cultura niilista que os envolve, levam Clay a repensar a sua atitude enquanto elemento desse mundo. E tentando salvar o que resta de si e não cair definitivamente no vazio, fica no leitor a ideia de que no final das duas semanas de férias, Clay deixa Los Angeles para talvez não voltar.

Duro e incomodo, Less Than Zero é uma primorosa viagem à excessiva década de 80. De estilo simples e fluído, Bret Eston Ellis não tem medo de utilizar uma linguagem e um visualismo brutal. Contudo ficam por desenvolver algumas personagens como Blair ou o psicanalista do protagonista (mesmo assim, donos de alguns dos melhores diálogos da obra). Erros, no entanto, desculpáveis quando falamos de um romance de estreia e de um jovem autor de apenas 20 anos. 

 

9/10


Lídia Gomes às 22:34
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Sábado, 17 de Março de 2007

Nuovo Cinema Paradiso (1989), de Giuseppe Tornatore



Itália do pós-Segunda Guerra. Toto é um órfão de pai,  perdido  a lutar algures na Rússia. O seu único refúgio é o cinema  da pequena localidade onde vive – chamado Cinema Paradiso -, pelo qual nutre uma profunda admiração, e para o qual vai sempre que pode. É também aí que conhece Alfredo, o velho projeccionista, com quem desenvolve uma grande amizade, e que se torna o seu maior confessor e lhe ensina os segredos da projecção cinematográfica. Os anos passam e Toto cresce, apaixona-se e vai para a tropa. Eventualmente decide partir, procurar uma vida nova, e Alfredo fá-lo prometer que não voltará ou dará notícias. Mais de trinta anos depois, a notícia da morte de Alfredo leva-o a quebrar a promessa que havia mantido tão religiosamente, regressando à sua terra natal e reencontrando tudo aquilo que tinha tentado esquecer.


Desenganem-se aqueles que pensam que Nuovo Cinema Paradiso é um filme sobre cinema per se. A 7ª Arte é apenas o pano de fundo para esta fábula sobre amizade, paixão e nostalgia. O que não quer dizer que o cinema exista apenas no título, muito pelo contrário: o cenário do filme por excelência é a tal sala Cinema Paradiso, e as referências abundam: dos italianos Luchino Visconti e Michelangelo Antonioni aos mais geograficamente distantes Charlie Chaplin ou John Wayne , encontra-se um pouco de tudo – a própria sala de projecções contém numa das paredes um poster de Casablanca -, numa clara tentativa de homenagem (que culmina na famosa montagem final…) por parte de Tornatore. Em parte, o filme é uma celebração do cinema enquanto máquina de sonhos capaz de despoletar as mais extraordinárias reacções, enfeitiçando o espectador de uma maneira singular e inimitável. O fascínio inicial de Toto e um pouco de toda a população da pequena localidade em torno das projecções cinematográficas é prova disto mesmo, e aparece como uma espécie de carta de amor do realizador a uma época na qual este efeito não era ainda reduzido e condicionado pelo fenómeno cinema em casa – o seu objectivo, aliás, era mesmo que o filme servisse como uma espécie de obituário às casas de projecção tradicionais e à indústria de cinema em geral.


Mas o verdadeiro triunfo de Nuovo Cinema Paradiso reside na relação improvável entre o miúdo Toto e o projeccionista Alfredo (o recentemente falecido Philippe Noiret, numa interpretação notável). Embora inicialmente relutante, Alfredo acaba por ceder face à insistência e aos encantos do pequeno, ensinando-lhe a sua arte – segundo ele, tudo aquilo que sabe fazer – e tornando-se o seu melhor amigo. Desta amizade resultam algumas das melhores cenas de todo o filme, como aquela em que Toto salva Alfredo de morte certa quando este se confronta com um incêndio que reduz a cinzas a sala de cinema e leva à sua reconstrução e consequente renomeação para Nuovo Cinema Paradiso . Quando Toto se apaixona, é a Alfredo que pede conselhos e é com o velho que confidencia.


Contada em flashbacks, a história mostra-nos três fases da vida de Toto: a primeira, enquanto criança inocente e fascinada com o efeito hipnotizante do cinema; a segunda, na adolescência, que traz o primeiro amor e a responsabilidade de tomar conta do cinematógrafo; finalmente, trinta anos depois da fase anterior, a vida de adulto, que inicia e fecha o filme: Toto é um realizador famoso e respeitado, com uma vida nova que mantém da infância a paixão enorme pelo cinema. Tornatore filma toda esta sequencialização temporal sem uma ponta de pretensiosismo, com uma simplicidade contagiante. Não existem aqui planos complicados nem artifícios técnicos complexos, apenas a segurança de quem sabe que é possível, e quem sabe, mais fácil, fazer bom cinema sem cair no show-off desnecessário.


Visto por uns como clássico intemporal e por outros como uma obra demasiado sentimentalista que usa e abusa do schmaltz, Nuovo Cinema Paradiso é visualização obrigatória, quanto mais não seja pela simplicidade desarmante com que conta uma história que, não sendo original ou inovadora, cumpre na sua totalidade o seu propósito, e não cessa de encantar.


9/10


Fábio Jesus às 18:48
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Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Momentos "Saduf! Muito Bom!"#1

(Garden State, 2004)

 

Porque a vida é um abismo infinito pronto a ser explorado...

E "The Only Living Boy In New York" ao fundo...


Lídia Gomes às 22:32
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Quem escreve assim não é gago #1


 

This is the first day of my life
Swear I was born right in the doorway
I went out in the rain, suddenly everything changed
They're spreading blankets on the beach
Yours is the first face that I saw
I think I was blind before I met you
Now I don't know where I am, don't know where I've been
But I know where I want to go

And so I thought I'd let you know
That these things take forever, I especially am slow
But I realized that I need you
And I wondered if I could come home

Remember the time you drove all night
Just to meet me in the morning
And I thought it was strange, you said everything changed
You felt as if you'd just woke up

And you said, "This is the first day of my life.
I'm glad I didn't die before I met you.
But, now I don't care, I could go anywhere with you
And I'd probably be happy."

So if you wanna be with me
With these things there's no telling
We'll just have to wait and see
But I'd rather be working for a paycheck
Than waiting to win the lottery

Besides, maybe this time it's different
I mean I really think you like me


First Day of My Life, Bright Eyes


Fábio Jesus às 21:48
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007

La Science des Rêves (2006), de Michel Gondry




Há três anos, Michel Gondry, até então conhecido apenas como realizador de alguns brilhantes videoclips e de uma não tão brilhante primeira longa metragem, Human Nature, saltava para as luzes da ribalta com o lançamento de Eternal Sunshine of the Spotless Mind (ESOTSM), que consolidava também o estatuto de Charlie Kaufman como um dos melhores e mais criativos argumentistas da actualidade. Da prodigiosa combinação de Gondry com Kaufman saía, na minha opinião, o melhor filme de 2004, e uma das mais belas e inventivas histórias de amor do nosso tempo.

 

La Science des Rêves marca apenas a quarta incursão de Gondry no campo da realização cinematográfica, após o documentário-concerto Dave Chappelle’s Block Party (2006) e, tal como ESOTSM, o filme é,  no fundo, uma história de amor, apesar de todos os folheados que a rodeiam, que contribuem para o tornar ainda mais ambíguo do que o filme protagonizado por Jim Carrey e Kate Winslet. Neste aspecto, o realizador não se podia afastar mais da tradicional concepção de comédia romântica do século XXI – não há aqui as mesmas personagens padronizados nem a mesma estrutura formulaica às quais somos cada vez mais habituados. Não há sequer o tradicional happy ending – pelo menos não no sentido convencional da sua definição.

 

O que Gondry consegue fazer, como seria de esperar, é confundir o espectador. Usando e abusando, mais uma vez, da dicotomia sonho/realidade, somos presenteados com uma colecção bizarra de acontecimentos que nem sempre têm um sentido evidente mas têm sempre sucesso em deixar uma marca indelével em quem os presencia. Mas não estamos, de maneira nenhuma, perante um OVNI cinematográfico à David Lynch – no fim, tudo é mais ou menos compreensível, especialmente se formos preparados para algo que tanto desfoca a realidade como a extravasa.

 

Visualmente o filme é um espanto. A imaginação bizarra de Michel Gondry continua a fazer das suas – de carros e edifícios em papelão às já famosas mãos gigantes, passando pelo arrojo visual da estação televisiva Stéphane TV, fruto da imaginação de Stéphane (Gael García Bernal, em mais uma bela composição), tudo se coaduna para criar uma experiência visual impressionante – muitos frames dariam fantásticos quadros –, ainda que tudo pareça algo inconsequente.

 

ESOTSM triunfou porque contava, para além do espírito inovador de Michel Gondry, com a segurança e o savoir-faire de um homem cuja escrita já fora aclamada tanto por Being John Malkovich como por Adaptation. Sem o apoio de Charlie Kaufman, Gondry vê-se despido do elo que lhe permitia a ligação entre a grande ideia e a grande execução. La Science des Rêves é uma experiência agradável e nunca entediante, sim, com momentos de genialidade criativa únicos, mas acaba por saber a pouco, e a sensação de que, por baixo da maquilhagem, há um grande filme à espera de ser desenterrado é inequívoca.

 

Michel Gondry já tem um novo projecto na manga: chama-se Be Kind Rewind e tem uma premissa ainda mais deliciosamente bizarra do que qualquer coisa que tenha feito até agora. Potencial certamente não lhe falta, assim como não falta ao seu realizador. Até lá, apenas uma certeza: a banda sonora de um filme de alguém que tem como amigos Jack e Meg White nunca desapontará ninguém.


7/10


Fábio Jesus às 04:51
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007

LCD Soundsystem no SBSR

Os LCD Soundsystem actuam dia 4 de Julho no festival Super Bock Super Rock onde apresentarão o seu segundo álbum Sound Of Silver.

A banda de James Murphy vai partilhar o palco do Parque Tejo com os também já confirmados Maximo Park.

Depois do anúncio da vinda de bandas como Arcade Fire, Interpol, The Magic Numbers ou Bloc Party, a produtora Música no Coração de Luís Montez prepara-se para nos oferecer o melhor Super Bock Super Rock dos últimos anos.

Os Novos Pornógrafos agradecem...


Lídia Gomes às 23:38
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Terça-feira, 13 de Março de 2007

Novo single dos Arctic Monkeys na net



Chama-se Brianstorm e é o primeiro single de Favourite Worst Nightmare, o segundo álbum dos macacos mais badalados da actualidade. O sucessor de Whatever People Say I Am, That's What I'm Not promete ser mais ambicioso e pesado do que o seu predecessor, e, à semelhança deste, vai provavelmente gerar toneladas do hype mais febril. Eu por cá acho que o infinitamente dançável primeiro álbum colocou a banda de Alex Turner no pelotão da frente da mais recente e aparentemente infindável onda de revivalismo pós-punk britânica, e portanto aguardo com alguma ansiedade o novo disco.  Favourite Worst Nightmare é lançado no Reino Unido a 23 de Abril.


Fábio Jesus às 01:53
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Domingo, 11 de Março de 2007

Neon Bible (2007), Arcade Fire

Quando uma banda lança um primeiro álbum e esse mesmo álbum roça a perfeição, a chegada de um segundo registo de originais é sempre esperado pelos fãs num misto de impaciência e medo. Num ano que já revelou algumas desilusões em segundos álbuns (caso gritante dos Clap Your Hands Say Yeah) os Arcade Fire provam com este “Neon Bible” não só que o teste do segundo álbum foi ultrapassado com sucesso mas também que são provavelmente a banda mais interessante e original que o mundo viu nascer nesta década.

 

Não acrescentando muito a “Funeral” (o melhor álbum da década…pelo menos para 33,33% dos “contribuidores” do estaminé) “Neon Bible” consegue levar ao extremo o primeiro álbum dos canadianos com canções fortes, emoções á flor da pele e a utilização de instrumentos ainda menos convencionais misturados com as temáticas delicadas da espiritualidade e da religião (Intervention) ou do binómio optimismo/pessimismo (Black Mirror, The Well & The Lighthouse). As orquestrações apoteóticas e sublimes são outro dos atributos do álbum, brilhantes em temas como “Ocean of Noise”, “No Cars Go” ou “Intervention”.

 

Tudo isto faz de “Neon Bible” um álbum coeso, que vai melhorando a cada audição e que atinge o clímax em “No Cars Go”, que surge com uma nova e poderosíssima roupagem e “My Body is a Cage” que Win Butler aponta como “a canção mais bem formada que já escrevemos”, com uma letra realmente muito acima da média.

 

“Neon Bible” é um álbum brilhante mas não perfeito, muito por culpa do tema que dá nome ao álbum, um nível abaixo das composições que os Arcade Fire nos habituaram, mas principalmente porque…sucede a um álbum perfeito!

 

E se existiam dúvidas...os Arcade Fire são mesmo os novos Messias da pop/rock!

 

9/10

 


Lídia Gomes às 19:04
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