Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

A música é a mãe de todos os vícios #2

Os The Vicious 5 são dos novos fenómenos do rock português nu e cru, que captaram a atenção de muita boa gente. Possivelmente pelo seu som agressivo q.b., estejam direccionados para um público mais jovem e a própria banda sabe-o disso. O vocalista “Quim” demonstra uma certa obsessão pelos “putos”, dedicando-lhe sempre mensagens de incentivo nos concertos.

 

Tive oportunidade de os ver ao vivo e conhecê-lo nesta Queima das Fitas de Coimbra e posso dizer que a sua postura em palco se conjuga perfeitamente com a sua forma de ser e de ver o mundo. Os The Vicious 5 transpiram rock e toda a sua música é reflexo da sua experiência de vida.

 

A banda possui uma sonoridade áspera, onde a voz gritada, e ao mesmo tempo melodiosa, de Quim desperta de imediato todas as atenções. Sempre provocatória, demandam o regresso do apogeu mais básico da música: sexo, drogas e rock’n’roll!

 

Tal como os Linda Martini, as raízes dos The Vicious 5 surgem do movimento do Hardcore português, de bandas extintas como Renewal, X-Acto, Croustibat ou As Good As Dead. Além de algumas reminiscências da sua ética DIY (Do It Yourself), existe ainda na sua música um elo de ligação musical ao Punk e Hardcore, pois algumas das músicas iniciais dos The Vicious 5 surgiram dos temas de finais de Renewal.

 

Ao interpretarmos as suas letras, e quando os vemos ao vivo, contemplamos o desprezo que possuem pela educação socialmente aceite pois reconhecem a escola da vida como sendo mais importante que a vida da escola. Recomenda-se a audição o seu disco “Up on the Walls”.

 

                                             

 

Cliquem para o myspace dos The Vicious 5 e vejam aqui o videoclip  “Bad Mirror”.

 

     

 

 

Paulo Lemos

                                      


Lídia Gomes às 23:27
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007

Daqui a uma semana

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Lídia Gomes às 21:22
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Livrai-nos do Mal



Em 1976, na pequena localidade de Lodi, na Califórnia, o padre Oliver O’Grady dava início a uma senda de abusos sexuais de menores que duraria cerca de duas décadas e acabaria por se tornar num imenso escândalo de pedofilia que abanou as já periclitantes fundações da Igreja Católica. Trinta anos mais tarde, a estreante Amy Berg usa este mesmo escândalo como base para um documentário, o assustadoramente real Deliver Us From Evil. Para este efeito, entrevistou o próprio O’Grady e intercalou momentos da entrevista com partes do seu depoimento oficial, assim como declarações de vítimas e especialistas em teologia e neste caso em particular. O resultado é de difícil digestão: um tenebroso ensaio sobre as motivações humanas, a dor e as maquinações do poder. Com uma segurança e coragem notáveis, Berg atira farpas à Igreja Católica e ao actual Papa, acusando-os de uma inércia consciente que vai contra tudo que eles afirmam advogar e vai manchando uma imagem em permanente descredibilização. Ao mesmo tempo, imerge-nos na dualidade criminoso/vítima, confrontando-nos por um lado com o testemunho impressionantemente sereno do padre O’Grady e por outro com o tormento daqueles que sofreram com os seus actos e nunca os poderão esquecer. No meio de tudo isto, o mais apavorante acaba por ser o facto do próprio pedófilo – que molestou cerca de 25 crianças – nos surgir como uma figura muito mais agradável do que os membros da Igreja que sempre tentaram encobrir as suas acções. Deliver us From Evil é cinema pedagógico, alarmante, e acima de tudo, importante. Poderosíssimo.

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Fábio Jesus às 03:06
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Domingo, 24 de Junho de 2007

Bexar Bexar + Azevedo Silva no Salão Brasil

 

É já amanha que o projecto de indielectrónica Bexar Bexar se apresenta no Salão Brasil em Coimbra, num concerto inserido na Tour Europeia de apresentação de Tropism, o mais recente trabalho da banda texana. A primeira parte estará a cargo do cantautor português Azevedo Silva, que no seu primeiro e surpreendente longa duração Tartaruga mostra porque é considerado uma das revelações deste ano da música nacional.

 

Os Novos Pornógrafos marcarão a sua presença no Salão Brasil e prometem a devida reportagem nos dias seguintes ao evento.


Lídia Gomes às 01:45
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

O génio louco



Aos 63 anos, Robert Crumb é tido como uma das figuras mais proeminentes do movimento underground comix, e considerado por muitos um dos mais notáveis artistas do século XX. É também uma espécie de génio louco. Não, Crumb não padece de qualquer distúrbio mental – é tão são como qualquer um de nós. Mas a excentricidade e a controvérsia são quase parte integrante da sua obra: a forma caricatural como desenha a mulher e o nu, o arrojo audaz a nível gráfico e sexual e a forte e aguçada crítica racial granjearam-lhe um número impressionante de críticos e um número ainda maior de profundos admiradores. Não se parece importar com uns ou outros – vive no alheamento, no Sul de França, e rejeita a fama e a sobreexposição que esta acarreta. Trabalha pela arte, não pelos créditos, e o seu maior crítico é ele próprio: pediu desculpa por vários elementos mais extremos dos seus trabalhos, chamando-lhes “masturbatórios”. Crumb, documentário homónimo realizado pelo amigo Terry Zwigoff em 1994, figura, incontornável, no panteão da não ficção da década de 90, e oferece-nos uma visão única da vida e família disfuncional de um dos grandes nomes da contracultura do último século.


Um dia, foi-lhe pedido que ilustrasse a capa de um álbum dos Rolling Stones. Recusou, por detestar a música da banda de Mick Jagger. Que mais seria de esperar de um amigo de Harvey Pekar?

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Fábio Jesus às 22:47
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

A música é a mãe de todos os vícios #1

Boa noite.

 

Chamo-me Paulo Lemos e como alguns de vós podem verificar, tenho seguido de perto o trabalho dos nossos amigos Os Novos Pornógrafos, Fábio Jesus e Lídia Gomes.

 

É um projecto deveras interessante em que se juntaram duas pessoas com verdadeira paixão às artes contemporâneas e que dedicam o seu tempo livre a passar a palavra do mais desconhecido aos demais internautas deste ciberespaço.

 

Sendo grande admirador de música portuguesa, foi com grande agrado que recebi um convite d’”Os Novos Pornógrafos” para realizar uma coluna semanal dedicada às novas tendências musicais nacionais. Assim, poderão contar todas as quartas-feiras com a minha presença neste conceituado espaço virtual nesta rubrica intitulada A música é a mãe de todos os vícios.

 

Hoje o espaço será dedicado aos Linda Martini, nova banda de rock progressivo, melancólica até aos mais refundidos espaços da nossa imaginação.

 

Tive oportunidade de assistir a alguns concertos destes músicos e desde cedo me identifiquei com esta banda, especialmente pela sua transparência lírica e pelos seus riffs cacofónicos de uma harmonia transcendental.

 

Filhos do movimento Hardcore português, os Linda Martini formaram-se em 2003 e transportaram desde cedo a sua vivência e forma de estar para um rock catártico, que devido a fenómenos recentes como o myspace fizeram com que a sua demo rapidamente passasse a ser um objecto de culto. Temas como Amor Combate e Lição de Voo nº1 satisfizeram os encantos dos portugueses, ressequidos por uma banda tão passional lírica e musicalmente que já não se via desde os extintos Ornatos Violeta.


Paulo Lemos


Lídia Gomes às 23:12

editado por Fábio Jesus em 22/06/2007 às 21:43
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Corram!



Icky Thump, o mais recente disco de originais dos mais famosos irmãos divorciados do Planeta, está a partir de hoje à venda em toda a Europa. Ao fim de algumas audições, encontro-me em condições de afirmar que, não chegando na totalidade ao pico de qualidade atingido por Elephant (2003), Icky Thump é mais uma óptima adição ao excelso currículo dos White Stripes, e, para já, um dos álbuns do ano. Excêntrico até à exaustão (ouça-se com atenção a quarta faixa, uma cover de Conquest, de Patti Page), bem-humorado (é impossível não sorrir enquanto se escuta a delirante Rag & Bone) e melodicamente rico (com destaque para a diversidade de instrumentos – ouve-se  até uma gaita-de-foles! – e, claro está, para os abusados riffs de Jack White), Icky Thump é audição obrigatória.


 

 


Fábio Jesus às 19:02
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

Quem escreve assim não é gago #4

What do you want of me

What do you long from me

A slim Pixie, thin and forlorn

A count, white and drawn

What do you make of me

What can you take from me

Pallid landscapes off my frown

Let me rip you up and down

 

For you I came to forsake

Lay wide despise and hate

I sing of you in my lamented songs

For you and your stimulations

Take what you can of me

Rip what you can off me

And this I'll say to you

And hope that it gets through

 

You worthless bitch

You fickle shit

You will spit on me

You will make me spit

And when the Judas howl arise

And like the Jesus Jews you epitomize

I'll still be here as strong as you

And I'll walk away in spite of you

 

And I'll walk away

Away

Walk away



Crowds - Bauhaus


Lídia Gomes às 22:49
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Terça-feira, 12 de Junho de 2007

Hot Fuzz (2007), de Edgar Wright



Inventar um novo género cinematográfico não é tarefa para qualquer um. Em teoria, basta pegar em dois ou três géneros distintos e combiná-los de uma maneira que nunca tenha sido pensada para criar algo completamente novo. Na prática, no entanto, equilibrar convenientemente os vários géneros, cada um com especificidades próprias, e tornar o produto num filme compacto é bastante mais difícil. Foi isto que, em 1992, Peter Jackson conseguiu, quando realizou a primeira (assumida) comédia de zombies, o clássico de culto Braindead. Em 2004, Edgar Wright levaria o conceito mais longe – criou, com Shaun of the Dead, a primeira comédia romântica de zombies ou, como lhe chamou, a primeira zom com rom.


Shaun of the Dead tornou-se imediatamente num dos sleeper-hits de 2004 – a inovação provocante granjeou-lhe sucesso junto da crítica assim como a nível comercial, tendo rendido, até ao momento, cerca de 30 milhões de dólares em todo o Mundo. O próprio pai dos filmes de zombies, George Romero, tornou-se num grande admirador da obra, convidando mesmo Edgar Wright e Simon Pegg para um cameo em Land of the Dead , o quarto filme na saga "Dead”. Três anos depois, a dupla Wright/Pegg está de volta com algo diferente mas ainda assim igualmente delirante: Hot Fuzz, uma comédia de acção com contornos de terror e gore.


Hot Fuzz não é melhor que Shaun of the Dead. É maior (talvez excessivamente) e mais ambicioso, mas não é superior. Ainda assim, consegue ser igualmente bom, o que só por si já é um feito notável, e é o melhor buddy cop movie desde há muito, muito tempo. Os paralelos entre ambos saltam à vista: a dupla Simon Pegg/Nick Frost mantém-se; as referências à cultura pop abundam (se no primeiro se escolhiam vinis para atirar aos zombies mais incautos, neste marca presença uma imensa colecção de dvds); o gore e as cenas altamente gráficas continuam a existir em doses industriais; a abordagem estilo videoclip (com flashforwards e oscilações rápidas entre cenas) em certas partes, como dispositivo de avanço da narrativa também regressa, e funciona – Tony Scott, tira notas.


Se há uma razão que contribui para que Hot Fuzz não ultrapasse, em qualidade, o seu predecessor, é o facto de que este não é tão assumidamente uma comédia como Shaun of the Dead. Embora continue a motivar uma grande dose de gargalhadas sentidas, por vezes a componente cómica é suplantada por uma maior ênfase noutros territórios. A sequência final – uma massiva cena de acção de trinta minutos – é muito mais divertida do que engraçada, parodiando as grandes produções de acção de Hollywood, nomeadamente as de Michael Bay, caso de Bad Boys 2. Point Break, com Keanu Reeves e Patrick Swayze, é outro dos filmes em destaque, tendo até direito a uma homenagem muito especial.


O elenco de Shaun of the Dead é excepcional – composto, essencialmente, por grandes nomes da Britcom – e, nisso, Hot Fuzz não foge à regra. Simon Pegg, aqui num papel mais sério, e Nick Frost são a dupla perfeita, e todo o elenco secundário é genial: do capitão Jim Broadbent à dupla de polícias-com-a-mania composta por Rafe Spall e Paddy Considine, passando por um irresistível Timothy Dalton como vilão de serviço, não se descobre um elo mais fraco, e há ainda tempo para cameos de Steve Coogan, Martin Freeman e do incontornável Bill Nighy.


É assim que se vai construindo uma grande carreira: Edgar Wright já conta no seu currículo com obras como Shaun of the Dead ou a série televisiva Spaced, e Hot Fuzz afigura-se como mais uma excelente adição a esta ainda curta mas já impressionante lista. Tal como em Shaun of the Dead, aconselham-se múltiplas visualizações, uma vez que, à primeira, é impossível reter todos os pormenores que Wright e Pegg incluíram no argumento. Não sendo perfeito, Hot Fuzz estilhaça qualquer comédia americana que tenha sido lançada recentemente – embora, num panorama dominado por comédias com a chancela "Movie", não se possa dizer que isso seja um grande louvor. Até parece que todos os Edgar Wrights norte-americanos continuam a trabalhar em televisão.


8/10


Fábio Jesus às 22:53
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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Electrelane em Paredes de Coura

As britânicas Electrelane são a mais recente confirmação para o Heineken Paredes de Coura, partilhando o palco, no dia 15 de Agosto, com os Sunshine Underground, Cansei de Ser Sexy e Sonic Youth.

 

Formadas em 1998, estas meninas, feministas e de ideias políticas bem definidas, trazem na mala o quarto e mais recente longa-duração da banda No Shouts, No Louds, na minha opinião uma das mais interessantes propostas deste ano de 2007. Comparadas frequentemente aos Sonic Youth, na verdade, e isto depois de já terem posto um pé no experimentalismo com Axes (2005), as Electrelane voltam a dar prioridade ao formato canção neste No Shouts, No Louds, o que já haviam postulado em The Power Out (2004). Temas como Cut and Run, o single To The East ou a belíssima The Greater Times (provavelmente o momento mais virtuoso do ensemble britânico) fazem as maravilhas de qualquer melómano mais desprevenido. Contudo, continua a haver espaço para alguma distorção post-rockiana e batidas quase monocórdicas e secas, nomeada e mormente nos improvisos de Five ou The Lighthouse, com os seus curiosos teclados à lá The Doors. Razões mais que suficientes para estar, dia 15 de Agosto, na mítica Praia do Tabuão e descobrir o que valem ao vivo as meninas Electrelane.

 

Em baixo, o primeiro single retirado de No Shouts, No Louds, To The East.

 

 

 

 

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Lídia Gomes às 23:52
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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Momentos "Saduf! Muito Bom!" #4



Em vésperas do regresso a Portugal da rejuvenescida banda de Billy Corgan e companhia, no festival Alive!, nada melhor do que relembrar o genial videoclip de Tonight, Tonight, esse eterno pedaço de cultura pop que é a melhor coisa que Tim Burton nunca realizou. Por detrás das câmaras estiveram, em 1996, Jonathan Dayton e Valerie Faris, duo que ainda o ano passado nos presenteou com a pérola indie que é Little Miss Sunshine. O resultado entrou de imediato para a História. Sim, porque nunca guarda-chuvas que fazem o papel de armas fizeram tanto sentido.


Fábio Jesus às 23:55
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

The National - "Mistaken For Strangers"

O primeiro single para Boxer, dos meninos bonitos aqui da casa, os norte-americanos The National. Grande tema para um dos álbuns do ano.  

 

 

 

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Lídia Gomes às 12:47
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Domingo, 3 de Junho de 2007

A (outra) Season Finale (ou porque é que eu gosto desta besta misantropa)

2004 foi um ano vintage para a produção televisiva norte-americana. Conceitos como o de Lost ou Desperate Housewives marcaram (e marcam), de forma indelével, uma geração de espectadores que já queria mais do que as intermináveis histórias de naves espaciais, as comédias familiares politicamente correctas e as firmas de advogados que ganham todo e qualquer caso que defendam. Os novos heróis estão em ilhas com poderes muito especiais ou moram em vizinhanças que parecem perfeitas mas que não o são.  Acompanhei com curiosidade os primeiros passos das duas séries e, se Desperate Housewives se vem progressivamente afundando na sua narrativa de "faca e alguidar", já Lost sigo religiosamente até porque, apesar das constantes flutuações da 3º Temporada, presenteou-nos com uma extrordinária Season Finale que guardarei na memória como um dos grandes acontecimentos televisivos a que tive o prazer de assistir. Mas neste ano de Europeu em Portugal, a série que mais curiosidade me suscitou não foi Lost ou Desperate Housewives mas sim aquela do médico anti-social, abrasivo, mal arranjado mas que é um génio do diagnóstico.

 

Muitos já me perguntaram o porque deste meu culto quase irracional à série House. E eu respondo que talvez porque esta produção tinha tudo para falhar e esse "tudo" é, no fundo, o que lhe dá ainda mais piada. Se não vejamos: numa jogada nunca antes feita por um canal aberto, a Fox aposta numa série em que o protagonista é um anti-herói. Mais, ele é mal-educado, goza com os seus pacientes, é capaz de passar por cima de qualquer regra e os seus métodos são tudo menos ortodoxos. Pior, ele é médico, aquela sempre confiável personagem de série, que nos conta palavras bonitas e confortantes quando estamos prestes a "quinar". Depois, para o cenário ficar mesmo negro, a série tem sempre o mesmo formato. O doente tem um qualquer ataque, House recusa-se a tratá-lo, House interessa-se pelo doente porque os exames estão todos normais mas mesmo assim ele está doente, House acha que o pobre tem uma determinada doença e aplica-lhe o respectivo tratamento, o doente piora e fica ás portas da morte e mesmo no final do episódio House tem uma ideia tão disparatada como genial e acertada que salva o enfermo das garras da morte.

 

Apesar de todo o relambório acima, House é, para esta vossa escriba, umas das melhores séries dos últimos anos e, de longe, o melhor drama médico da TV.  Isto porque, apesar de todas as condicionantes, a série do anteriormente discreto David Shore, é, essencialmente, uma produção inacreditávelmente bem escrita, com diálogos excepcionais, momentos de humor inteligente q.b. e uma interpretação a roçar a genialidade de Hugh Laurie, que vai limpando, merecidamente, tudo o que é prémio. E por muito que o formato seja repetitivo, uma série bem escrita é e será sempre a primeira coisa que procuro.

 

Esta 3º temporada, que teve a sua Season Finale nos EUA na última terça-feira,  é a temporada mais inconstante da série. Começa com rol de episódios absurdamente bons atingindo a quase perfeição ao 4º episódio, Lines in Sand. Nunca um episódio de House foi tão completo. Doses de humor, momentos House, de cenas na clínica, tudo em medidas perfeitas. E até uma cena recalcada de Casablanca. Um mimo. Contudo, o aparecimento do Detective Tritter, disposto a atirar House para a cadeia devido à sua adição foi um tiro ao lado dos argumentistas da série. Story arc enfadonho e inconsequente e a prova que a série é bem melhor quando não tenta julgar Gregory House. E a resolução do story arc dá-nos, depois de duas temporadas e meia, o primeiro episódio mau da série. Apartir daí a temporada volta a ganhar algum fôlego com vários episódios marcantes na história da série, nomeadamente One Day, One Room que contraría a lógica de House, num episódio centrado nos doentes da Clínica e Half-Wit, com a participação especial de Dave Matthews.

 

Human Error, a Season Finale, não é um episódio brilhante mas pode marcar a série. O caso clínico é banal mas, mais importante, a relação de House (inundado por um repentino surto de mudança) com os seus subordinados é posta em cheque e o desfecho é imprevisível. Assim a 4º temporada começa com muitas dúvidas e apenas com uma certeza: os produtores e argumentistas querem dar um abanão no formato. Uma táctica que tanto pode funcionar como revelar-se  suicída até porque House é, neste momento, uma das séries mais vistas em terras do Tio Sam (é verdade que muito por culpa do fenómeno American Idol).

 

E como vai o próprio Gregory House lidar com a mudança? Uma pergunta a ser respondida em Setembro.


Lídia Gomes às 00:30
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

Andrew Bird no TAGV



Conheci a música de Andrew Bird há um bom par de anos, aquando do lançamento de The Mysterious Production of Eggs, o excelente segundo álbum da sua carreira pós-Bowl of Fire, a banda que o acompanhou nos primeiros anos de carreira e com a qual gravou três LPs. The Mysterious Production of Eggs – com a sua inebriante mistura de influências, do jazz ao folk – tornou-se rapidamente num dos meus discos favoritos de 2005 e transformou o intérprete num dos que mais estimo, posição reforçada após audição atenta dos seus trabalhos mais antigos, assim como do recente Armchair Apocrypha. Na altura, estava longe de imaginar que um dia teria a oportunidade de assistir a um concerto de Bird ao vivo, tendo a sua estreia em Portugal, em 2005, em Lisboa e Famalicão, me passado completamente ao lado. Agora, dois anos volvidos, o músico de Illinois regressou para um trio de concertos, e não pude deixar escapar – mais uma vez – a oportunidade de o ver, anteontem, no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), em Coimbra.


Andrew Bird é, antes de mais nada, um músico prodigioso e multifacetado, fazendo por merecer, como poucos outros, o epíteto de ‘one-man show’. No concerto de anteontem, acompanhado por Martin Dosh na bateria e teclado e por Jeremy Ylvisaker, que se encarregou do baixo e dos back vocals, Bird demonstrou todo o seu virtuosismo, cantando enquanto manuseava a guitarra, o violino ou o glockenspiel com inusitada perícia, assobiando melodicamente enquanto samplava vários sons e os reproduzia em loop, para resultados de uma classe desarmante. Num TAGV praticamente esgotado – facto que me surpreendeu pela positiva – Bird e os seus dois convidados actuaram durante muito perto de duas horas, numa performance elegante e segura que, com certeza, não deixou ninguém defraudado.


Esta viagem do músico pela Europa serve, antes de mais nada, para apresentar Armchair Apocrypha, tocado quase na íntegra. Após um mini-espectáculo a solo de Martin Dosh, que abriu o concerto, Bird assumiu o controlo, combinando um solo de violino com a bela Imitosis – que motivou uma surpreendente reacção por parte da audiência, já familiarizada com alguns temas do mais recente trabalho do artista. Após um algo tímido “Boa Noite. My name is Andrew and these are my friends”, o passeio por Armchair Apocrypha continuou com uma versão mais rockeira mas igualmente portentosa de Fiery Crash, à qual se seguiu aquele que foi provavelmente o ponto alto da noite: a primeira incursão em The Mysterious Production of Eggs trouxe-nos Measuring Cups e A Nervous Tic Motion of the Head to the Left, entusiasmando a audiência a um nível que escassas vezes foi reproduzido.


Até ao fim do concerto houve ainda tempo para sermos presenteados com a poética Cataracts e a genial Plasticities, assim como as menos conhecidas Heretics, Simple X e Armchairs e um solo com Why?, a única música de The Swimming Hour (2001) da noite. Pelo meio, Bird – já mais descontraído – tirou um momento para apresentar ao público o seu fantoche pessoal, um macaco adornado com um mini-violino e com um “detalhe fantástico”, segundo o próprio, num momento cómico singular que reforçou a sua cumplicidade com o público. Após Skin is, My, terceiro tema de The Mysterious Production of Eggs, o trio abandonava o palco pela primeira vez. Minutos mais tarde, e motivados por uma ovação de pé, regressaram para um encore que trouxe a muito cantável Scythian Empires e a cómica Dr. Stringz, que Bird criou, em Janeiro, para uma participação especial no programa para crianças Jack's Big Music Show, do canal infantil didáctico por cabo Noggin. The Happy Birthday Song – dedicada a um elemento do público, que celebrava o aniversário – pôs um ponto final em definitivo ao concerto e foi seguida de nova ovação.


Apesar de alguns momentos mais apagados – potenciados, maioritariamente, pelo desconhecimento do público de algumas composições do último álbum – um concerto de Andrew Bird é uma ocasião muito especial, que se cola a nós, tal como a sua música. Fica a pena por não ter podido ouvir ao vivo a minha música de eleição do artista, a genial Masterfade, mas – espero – fica para uma próxima. Com o concerto de hoje, em Braga, Bird encerra a sua paragem em Portugal, deixando, indelével, a sua marca. Se mantivermos a lógica, estará de volta em 2009, talvez com um álbum novo na manga. Já estou ansioso.


Fábio Jesus às 23:47
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