Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Vemo-nos em 2008

tags:

Fábio Jesus às 17:11
link | comentar | favoritos
Sábado, 29 de Dezembro de 2007

2007 em... álbuns (2)


1. The National - Boxer

2. Radiohead - In Rainbows

3. Animal Collective - Strawberry Jam

4. Blonde Redhead - 23

5. Arcade Fire - Neon Bible

6. Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala

7. Electrelane - No Shouts, No Louds

8. Wilco - Sky Blue Sky

9. Andrew Bird - Armchair Apocrypha

10. Feist - The Reminder

11. The Sea and Cake - Everybody

12. Sunset Rubdown - Random Spirit Lover

13. Bodies of Water - Ears Will Pop & Eyes Will Blink

14. Spoon - Ga Ga Ga Ga Ga

15. The Fiery Furnaces - Widow City


Consenso d’Os Novos Pornógrafos na escolha de Boxer como o álbum do ano. A coesão, o negrume e um punhado de canções maiores fazem do quarto registo de originais dos The National o acontecimento discográfico de 2007; In Rainbows dos Radiohead mostrou-se muito mais do que um ataque à indústria, firmando-se como o melhor álbum do colectivo liderado por Thom Yorke desde Kid A e o doce de morango dos Animal Collective foi o melhor exemplo de como experimentalismo e grandes melodias podem perfeitamente coexistir.

 

Contudo, comparando com a produção sublime de 2006, o ano discográfico de 2007 fecha-se com um certo travo a decepção. As desilusões ou os álbuns menos conseguidos ultrapassaram, infelizmente, em muito as confirmações (com Bloc Party, Bright Eyes, Interpol, Shout Out Louds e, de certa maneira, The New Pornographers, à cabeça), o que não invalida que este ano nos tenha brindado com uma boa meia dúzia de grandes trabalhos. Para a revelação do ano, entrego o galardão aos Bodies of Water e ao belissímo Ears Will Pop & Eyes Will Blink. 

tags: ,

Lídia Gomes às 19:03
link | comentar | comentários (3) | favoritos
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007

2007 em... álbuns (1)



1. The National - Boxer

2. Okkervil River - The Stage Names

3. Sunset Rubdown - Random Spirit Lover

4. Arcade Fire - Neon Bible

5. Les Savy Fav - Let's Stay Friends

6. Dropkick Murphys - The Meanest of Times

7. LCD Soundsystem - Sound of Silver

8. Jens Lekman - Night Falls Over Kortelada

9. Miranda Lambert - Crazy Ex-Girlfriend

10. Andrew Bird - Armchair Apocrypha

11. Animal Collective - Strawberry Jam

12. Beirut - The Flying Club Cup

13. Richard Thompson - Sweet Warrior

14. The White Stripes - Icky Thump

15. Stars of the Lid - And their Refinement of the Decline


Sobre os três primeiros, pouco a acrescentar. Boxer foi o único álbum que me arrebatou por completo em 2007, foi muito provavelmente o que mais rodagem teve por estes lados e marcou finalmente a consagração dos The National como uma das melhores bandas da actualidade; The Stage Names é, a meu ver, o disco menos forte entre os últimos três da banda de Will Sheff, mas apenas porque considero tanto Black Sheep Boy como Down the River of Golden Dreams álbuns extraordinários; sou um enorme fã dos devaneios de Spencer Krug e camaradas nos seus múltiplos projectos e Random Spirit Lover, não sendo perfeito, representa mais um passo em frente e é o acompanhamento perfeito tanto para Shut Up I Am Dreaming como para Apologies to the Queen Mary.

 

De resto, entre confirmações (Arcade Fire, LCD Soundsystem, Jens Lekman, Beirut), surpresas (Dropkick Murphys, Miranda Lambert) e descobertas (Les Savy Fav, Richard Thompson, Stars of the Lid), olho para 2007 como um sólido ainda que longe de espectacular ano discográfico. E só tenho pena de não ter gostado mais de The World Has Made Me the Man of My Dreams, para poder mencionar aqui o nome da sua intérprete, Me'Shell Ndegéocello. Ora bolas.

tags: ,

Fábio Jesus às 19:16
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007

Médico bom, médico mau



Se há coisa que me ficou ao finalmente ver o excelente e assustador Moartea Domnului Lazarescu, de Cristi Puiu, é que nunca quero ter necessidade de cuidados médicos na Roménia. Ironia das ironias (ou talvez não…) é o facto de Ion Fiscuteanu, o actor que interpreta notavelmente o muito azarado Sr. Lazarescu, ter falecido no início deste mês, justamente de cancro no cólon. Ainda bem que, na realidade, todos os médicos são tão simpáticos e preocupados com o bem estar dos pacientes como os de Grey’s Anatomy...

tags:

Fábio Jesus às 21:34
link | comentar | comentários (6) | favoritos
Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007

Feliz Natal

tags:

Lídia Gomes às 14:12
link | comentar | comentários (5) | favoritos
Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Dylans



Por esta altura, já todos sabem aquilo em que Todd Haynes transformou a sua ideia de fazer um biopic sobre o singular Bob Dylan: uma desconstrução da vida do popular cantor/letrista, dividindo as suas múltiplas personas e criando um filme de retalhos, se assim lhe podemos chamar, que desafia as regras do género sobrelotado e algo amorfo do filme biográfico, reinventando-o. São seis os actores, nos quais se incluem uma mulher e um miúdo afro-americano, usados para interpretar seis fases distintas da vida de Dylan, embora estes encarnem personagens – a estrela em negação para com o passado, o jovem sonhador, o actor em declínio e até o lendário Billy the Kid – que não têm qualquer ligação com a pessoa que representam; o nome Bob Dylan, aliás, não é proferido uma única vez ao longo de toda a película.


O produto final da ideia de Haynes chama-se I’m Not There e é uma obra fascinante, ainda que não completamente bem sucedida. Há momentos em que a ambição do realizador se confunde com pretensiosismo, o ritmo oscila e o filme, pura e simplesmente, não funciona. Há momentos em que nos acostumamos a uma das personagens, simpatizamos com ela e subitamente ela desaparece para dar lugar a outra, à qual temos novamente que nos habituar. O mais frustrante, no entanto, é que o filme não faz, nem dá a sensação de se esforçar para fazer muito sentido. I’m Not There aparenta ter sido feito sob o efeito de alucinogénios, mas na verdade foi meticulosamente planeado e montado com cuidado, resultando numa experiência que, à falta de melhores palavras, pode ser descrita como hipnótica.


I’m Not There beneficiará, não duvido, de múltiplas visualizações: é quase impossível, à primeira, apreender tudo aquilo que o filme tem para oferecer. Fãs inveterados de Dylan decifrarão com mais facilidade o que cada segmento oferece e aquilo que representa; os outros podem simplesmente relaxar e deleitar-se com a excelente música, a elevada qualidade das interpretações (Cate Blanchett, meus senhores, Cate Blanchett!) ou a realização superior, plena de simetrias e tecnicalidades deliciosas. I’m Not There não é nem tenta ser um filme fácil, mas é um que recompensa a audiência mais persistente, e concerteza não deixará ninguém indiferente.

tags: ,

Fábio Jesus às 21:28
link | comentar | comentários (3) | favoritos
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

A Pitchfork diz de sua justiça

Não é que eu seja refém das opiniões das revistas ditas especializadas, mas nesta altura do ano é incontornável dar uma vista de olhos pelo que pensam as publicações do ano discográfico que passou. Nesse campo a Pitchfork é particularmente completa: para além da lista geral dos melhores álbuns do ano, oferece-nos o Top-25 de cada um dos escritores da revista, a lista das melhores músicas do ano, bem como os preferidos de alguns dos honráveis da música da actualidade de onde se distinguem os Deerhunter, Of Montreal, Klaxons, Final Fantasy, Grizzly Bear ou The National.

Quanto às listas em si, as surpresas não são muitas. Folgo ver em lugares de destaque gente como os Radiohead, The National, Blonde Redhead, Animal Collective ou Jens Lekman e continuo a não perceber a obsessão da imprensa pelos Battles. Para ver as listas completas dos senhores do tridente passem por aqui

tags: ,

Lídia Gomes às 19:42
link | comentar | comentários (1) | favoritos
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007

Taschen



Um pequeno aparte para agradecer à Taschen pelos momentos de deleite que a editora alemã tem vindo a oferecer a fãs de arte em geral e, neste caso, cinéfilos em particular, desde a sua fundação em 1980. Adquiri recentemente um exemplar de Film Noir, de Alain Silver e James Ursini, e o padrão de qualidade a que me habituei pela leitura atenta da colecção Movies Of ou pelo desfolhear dos vários 1000 em livrarias está todo lá, intacto e irresistivelmente convidativo.  Seja pela dimensão superior, pela qualidade do papel, pela beleza e delicadeza na escolha das imagens ou, como não podia deixar de ser, pelos textos, recheados de informação preciosa e personalizada, a verdade é que os livros da Taschen são, no seu próprio direito, autênticas obras de arte.


Fábio Jesus às 21:37
link | comentar | favoritos
Domingo, 16 de Dezembro de 2007

Everything Ends


Esta semana, depois de alguns meses em modo maratona, vi finalmente o desfecho desse pedaço perfeito de ficção televisiva que é Six Feet Under. E estou em frangalhos. Não porque o final da série me tenha desiludido. Completa antítese. O final de Six Feet Under é só o momento televisivo mais arrebatador que alguma vez vi. É por isso mesmo que me sinto em pedaços. Porque nenhuma obra (nem mesmo cinematográfica) tinha exigido tanto de mim. Ao longo de quatro temporadas, Six Feet Under nunca deixou de ser dura, realista, cruel. O humor, negro, áspero, subtil. Mas a quinta e última temporada da saga da família Fisher ultrapassou todo e qualquer limite da resistência mental humana.

 

O crescendo de depressão não vem deste último capítulo. As inseguranças de David (Michael C. Hall, a meio caminho de se tornar uma lenda do pequeno ecrã), o espírito desassossegado de Nate e Brenda, as crises de identidade de Claire ou as más opções de Ruth têm, no entanto e com o desenlace da série, de matar ou morrer. Nem todos vencem. E as derrotas são-nos descritas de maneira tão arrasadora que nos vemos, de repente, a senti-las como se fossem nossas. Six Feet Under termina com um story-arc de quatro episódios que são autênticos saltos agulha a calcarem-nos o coração, pancada espiritual auto infligida. Nunca o sofrimento, a tentativa de superar o sofrimento e a não superação do sofrimento foi filmado tão natural e cruamente. E os minutos finais, flash-forward aos olhos esperançados daquela de quem muitos nunca tiveram esperança, ofertou-me o maior ataque de choro que alguma vez tive a olhar para uma tela. Tudo é perfeito, minucioso, desde a caracterização à escolha musical. E um turbilhão de emoções invade-nos ao olhar para os que partem. Haverá alguém que se tenha conseguido controlar?

 

E porque é que isto marca tanto? Porque ao contrário do que todos apregoam, os Fisher não são uma família disfuncional. São uma família absolutamente comum que chorou com as perdas, que riu das alegrias, que errou, que teve tanto de rebeldia como de conservadorismo mas que foi sempre um grande porto de abrigo. Vou ter saudades.

 

Six Feet Under deixou a fasquia muito alta, é de longe a melhor série que já vi. Fez-me rir, chorar, ás vezes rir e chorar em simultâneo. Para me confortar, pelo menos True Blood está quase a chegar. Só Alan Ball para me fazer estar em pulguedo por uma série com vampiros.


Lídia Gomes às 23:51
link | comentar | comentários (11) | favoritos
Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007

Leãozinho



Se há coisa que Lions for Lambs faz bem, é lembrar-nos que Meryl Streep continua a ser a Senhora actriz que era há vinte ou trinta anos atrás, tendo conseguido manter com desarmante facilidade ao longo das décadas uma constância que falta aos gigantes De Niro ou Pacino, porque o que resta é mediano no seu melhor, um filme recheado de ideais mas parco em ideias, desperdício dos dotes interpretativos de Streep, Redford ou Cruise. Se precisam mesmo de ver um filme marcadamente Democrático e anti-Bush sem rodeios, mais vale virarem-se para o excelente No End in Sight, que descreve, com detalhe e do ponto de vista dos protagonistas, o falhanço que foi e ainda é a ocupação do Iraque e a forma ineficaz como os Estados Unidos geriram os recursos de que dispunham, acabando em última análise por fazer do país um local pouco mais estável do que o era nos tempos do Regime de Saddam Hussein, e que é, esse sim, um dos filmes mais importantes do ano. 

tags: ,

Fábio Jesus às 22:40
link | comentar | favoritos
Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

The Black Sheep Boy

O Sound + Vision, de Nuno Galopim e João Lopes, iniciou hoje a publicação de uma entrevista com Will Sheff, a alma dos Okkervil River e o melhor letrista vesgo da actualidade. Vale sempre a pena descobrir o que pensa Sheff sobre a música, a arte e, claro, o mais recente dos Okkervil River, The Stage Names. Obrigatória a passagem por esta casa nos próximos dias.

tags: ,

Lídia Gomes às 22:53
link | comentar | comentários (6) | favoritos
Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Juno



Juno é a segunda longa-metragem de Jason Reitman (Thank You For Smoking) e marca a estreia na escrita para cinema de Diablo Cody, conhecida blogger norte-americana notória pela sua incursão de um ano no mundo do strip em Minneapolis. Aclamado em Telluride e Toronto, o filme conta a história de uma adolescente que é obrigada a lidar com uma gravidez inesperada e tem ganho notoriedade pela escrita honesta e inteligente de Cody, sendo particularmente aguardado por estes lados por voltar a reunir os Bluth Jason Bateman e Michael Cera, aos quais se junta a estrela em ascensão Ellen Page, que surpreendeu em 2005 com a sua interpretação sem rodeios em Hard Candy. Pode estar encontrado o sucessor de Little Miss Sunshine no papel de sleeper-hit do ano.

tags: ,

Fábio Jesus às 19:43
link | comentar | favoritos
Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007

Momentos "Saduf! Muito Bom!" #8

 

Os Yo La Tengo, os mais interessantes avózinhos da cena indie norte-americana, são uns rapazes tímidos. De facto, a banda de Ira Kaplan sempre manteve uma atitude o mais low profile possível, não sendo propriamente adepta das luzes da ribalta e mantendo-se fiel à sua reduzida mas devota base de fãs. Ironia ou talvez não, neste Sugarcube, um dos singles desse álbum quase perfeito que é I Can Hear the Heart Beating as One (1997), os Yo La Tengo são obrigados a frequentar umas aulas particulamente engraçadas (basta referir que um dos "professores" é David Cross, o Tobias Fünke de Arrested Development), na tentativa de vender mais uns discos e dar mais dinheiro a ganhar aos executivos da sua editora. O videoclip mais cómico de sempre? Muito provavelmente.


Lídia Gomes às 23:50
link | comentar | favoritos
Domingo, 9 de Dezembro de 2007

São Paulo



Eles foram responsáveis por um dos melhores e mais consistentes concertos do último Sudoeste, mas isso não foi infelizmente suficiente para lhes aumentar a (escassa) popularidade no nosso país. Isto porque, num Mundo perfeito, Made Up Love Song #43 dominaria as tabelas de singles e certas músicas de certas bandas saídas de certos programas da TVI seriam apenas sombra da popularidade de Trains to Brazil.


Liderados por Fyfe Dangerfield, os Guillemots entraram de rompante no panorama musical britânico no ano passado com Through the Windowpane, um desequilibrado mas fascinante álbum de estreia, pleno de uma harmonia musical e de uma elegância estética que contrastam com grande parte das propostas que irrompem quase diariamente do nicho de revivalismo pós-punk do Reino Unido. São Paulo, a épica faixa que fecha o álbum, é verdadeiramente digna de registo, dona de picos emocionais e oscilações melódicas das quais poucas bandas se podem orgulhar numa carreira, quanto mais num primeiro disco. E só não foi a melhor música de 12 minutos de 2006 porque Joanna Newsom teve a feliz ideia de nos brindar com esse doce de folk hiper-literato que é Emily.   

tags: ,

Fábio Jesus às 02:48
link | comentar | comentários (6) | favoritos
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Será que é desta?

Segundo alguma imprensa norte-americana, a já há muito falada adaptação para o cinema da genial e infamemente cancelada Arrested Development, está finalmente a avançar. Que venha rápido e em força com muitos espectáculos de magia de Gob, chicken dances, declarações duvidosas de Tobias Fünke e ataques de pânico de Buster. Que saudades da família Bluth!


Lídia Gomes às 19:55
link | comentar | comentários (9) | favoritos
Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007

Once



Once, o musical romântico de John Carney sobre um músico de rua irlandês e uma emigrante checa, é, a todos níveis, um triunfo. É também, num sentido, o némesis natural e independente da reimaginação de Hairspray, de Adam Shankmam, sem as cores gritantes e os inevitáveis tiques mainstream deste (e, atenção, eu gostei do filme de Shankman). A música, essa, é excelente. E, a menos que Tim Burton tenha forjado algo de realmente extraordinário em Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street, estamos perante o melhor musical desde há muito, muito tempo. Ou não fossem Glen Hansard e Markéta Irglová o casal cinematográfico mais cativante desde Ethan Hawke e Julie Delpy.   

tags: ,

Fábio Jesus às 23:30
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Os filhotes de Van Occupanther

Apesar de já ter visto a luz do dia em Setembro, só agora deitei as mãos a Oak and Julian, EP em formato digital dos texanos Midlake. Dos quatro temas deste diminuto EP, dois são bem conhecidos: Roscoe e It Covers The Hillside, pérolas de The Trials of Van Occupanther (2006), aparecem aqui em versão acústica. Já Marion e Mornings Will Be Kind são lados-B, sendo que o último, tema que ficou de fora do primeiro álbum da banda, Banman and Silvercork Bellair (2004), pode ser ouvido no myspace dos Midlake. Boa razão para recordar o já referido The Trials of Van Occupanther, um dos meus  álbuns  fetiche de 2006, onde coabitam harmoniosamente a folk, o jazz e o rock, num produto não exactamente original mas atulhado de belíssimas canções. Porque na música nem sempre  é preciso ser groundbreaking. Ás vezes a música só precisa de ser bonita. E este Young Bride é um mais que superlativo exemplo.

 

 

tags: ,

Lídia Gomes às 23:32
link | comentar | favoritos
Domingo, 2 de Dezembro de 2007

Isto é Inglaterra



Na sua génese, em fins dos anos 60, o movimento Skinhead não advogava as tendências de cariz fortemente político e racista que hoje lhe são imediatamente associadas. Ao invés, mais não era do que um movimento da subcultura britânica, reconhecível pelas cabeças rapadas dos seus membros e pelas raízes, a vários níveis, na ideologia mod e no qual conviviam pacificamente grupos étnicos diversos. Com o passar dos anos, no entanto, o movimento evoluiu noutra direcção, subvertendo-se a intenção original. This is England, o último do britânico Shane Meadows, transporta-nos justamente para a época que marcou a segmentação entre os que viam o Skinhead como opção passiva e aqueles que o tornaram uma facção de acção.


Centrado num miúdo apanhado no meio da confusão da época, confuso e frustrado por ter perdido o pai na Guerra das Malvinas, This is England carrega em si um considerável soco emocional e é um triunfo a vários níveis. Meadows rodeia-se por um grupo notável de intérpretes desconhecidos – o mais facilmente reconhecível será Stephen Graham – e capta com uma facilidade aplaudível os tiques da época e do movimento em si. Acima de tudo, Meadows não estereotipa aquilo que seria tão facilmente estereotipável – nem os vilões são completamente desprovidos de sentimentos nem os bons da fita santos imaculados. No coração do filme brilha o puto Shaun, ingénuo, desprotegido, manipulável, amigo de todos mas demasiado novo para realmente distinguir o certo do errado.


A cena final, de última negação, ao som de uma cover desse pedaço perfeito de música que é Please, Please, Please, Let Me Get What I Want dos The Smiths (a fechar com chave de ouro uma belíssima banda sonora), não é propriamente original mas representa o corolário emocional do filme, um certo coming-of-age, se quisermos, de uma criança que já viveu bem mais do que, à sua idade, é aconselhado e aconselhável. A não perder.  

tags: ,

Fábio Jesus às 23:50
link | comentar | comentários (2) | favoritos

▪ os pornógrafos

▪ pesquisar

 

▪ Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

▪ posts recentes

Maio

Apichatpong, dois

As quatro voltas

Apichatpong, um

Simpatias

Filmes difíceis

O adeus televisivo de uma...

Black Swan

Re-Animator

A rainha da galáxia

▪ tags

1982(1)

1985(1)

1989(1)

2004(3)

2006(11)

2007(67)

2008(75)

2009(46)

2010(8)

2011(1)

a música é a mãe de todos os vícios(16)

a música é mãe de todos os vícios(1)

apartes(3)

arte(2)

artwork(2)

cinema(190)

concertos(25)

críticas cinema(8)

críticas literatura(1)

críticas música(1)

efemérides(1)

entrevista(1)

festivais(2)

fotografia(1)

literatura(11)

momentos "saduf! muito bom!"(9)

música(231)

musica(1)

notícias cinema(1)

notícias música(7)

notícias televisão(3)

obituário(2)

off-topic(8)

pintura(2)

promessas(2)

quem escreve assim não é gago(7)

revistas(1)

televisão(101)

tops(7)

velhas pornografias(3)

videojogos(3)

todas as tags

▪ links

free tracking

▪ subscrever feeds