Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Os loucos dos anos 60



Mad Men, a série de Matthew Weiner sobre publicitários na Nova Iorque do início dos anos 60, é o arquétipo perfeito daquilo a que um inglês chamaria slow burning. Os episódios – os primeiros, de familiarização, em particular – decorrem a velocidade de cruzeiro, e não é difícil desistir, ao fim de dois ou três, chamando-lhe “chata” ou “desinteressante”. Aconteceu-me, aquando da primeira visualização. Recentemente, meio incentivado pelo mini-sweep nos cada vez mais dúbios Globos de Ouro (venceu nas categorias de Melhor Série Dramática e Melhor Actor Principal numa Série Dramática), decidi dar-lhe uma segunda e última oportunidade. Considerem-me redimido.


Sem rodeios, Mad Men é uma grande série. E não o é pelas razões habituais. O seu maior trunfo não é a história (apesar do argumento ser dos mais bem escritos que vi ultimamente), os diálogos (idem), as interpretações (apesar do elenco ser de primeira água), a realização (seguríssima, apesar dos constrangimentos espaciais que lhe são impostos) ou a banda sonora (discreta mas adequada, belíssima a espaços, coroada por uma mão cheia de grandes canções de outros tempos – a temporada termina ao som de Don’t Think Twice, It’s Alright, de Dylan).


Não, o que eleva Mad Men ao panteão das grandes séries é o ambiente. A atenção ao detalhe é espantosa. Os décors, o vestuário, os penteados, a forma de pensar e agir, a tecnologia, a ubiquidade do tabaco, enfim, os trejeitos da época, são capturados com uma precisão tremenda, de tal forma que, muito mais que sentir que estamos a ver uma obra ficcional situada nos anos 60, sentimos que estamos nos anos 60. Os sixties (o começo destes, pelo menos) são-nos apresentados como uma época a espreitar o futuro mas presa ao passado, ainda impregnada do racismo (pelo meio, alguém desdenha The Apartment porque às tantas lá aparece uma operadora de elevador branca) e da subjugação social e cultural da mulher (o adultério é frequente, sempre pelo lado masculino) de outrora.    

   

Jon Hamm – caído de pára-quedas num daqueles papéis que definem uma carreira – personifica Don Draper, o epítome do anti-herói irremediavelmente admirável, com a austeridade e perfeição de um relógio suíço. Draper é um homem complexo, inteligente mas atormentado, fascinante mas imperfeito. À sua semelhança, Mad Men é complexa, inteligente, fascinante e até, como tudo, imperfeita. Mas, tal como acontece com o protagonista, é impossível não a querer acompanhar.  


Fábio Jesus às 19:56
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Faltam 24 horas...


Lídia Gomes às 14:06
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

O rei do Kong



A narrativa de The King of Kong foca-se no confronto entre dois homens com um objectivo comum: chegar ao título de recordista mundial de Donkey Kong, o primeiro de uma série de videojogos protagonizados por um certo canalizador italiano chamado Mario. Um deles detém o recorde desde os anos 80, é arrogante e tem o complexo de Deus do mundo dos jogos de computador; o outro, o desafiante, é um tipo afável, com uma família normal e uma paixão enorme por Donkey Kong, aliada a uma crença de que, se se esforçar o suficiente, pode ser o melhor. No muito bizarro universo deste documentário, o segundo é claramente o herói e o primeiro claramente o vilão, e é nesta dualidade que assenta todo o nosso interesse enquanto espectadores.


O que mais impressiona em The King of Kong é o quanto o comportamento destes homens e dos que os rodeiam espelham muito mais os que se esperariam de adolescentes do que dos adultos que são. Billy (o recordista desafiado), particularmente, age de forma estranhamente peculiar, declinando falar com Steve (o desafiante) quando este lhe pede, agindo nas suas costas e lançando estiradas do calibre de “work is for those who can’t play videogames”. Ao mesmo tempo, Seth Gordon (o realizador) joga com a nossa sensibilidade, pedindo que escolhamos uma posição – invariavelmente a de Steve – e fazendo o que estamos a ver parecer muito mais ficção do que a realidade.


Recheado de personagens caricatas, muito divertido e bem mais provocante do que aparenta, The King of Kong é um dos mais fascinantes documentários de 2007, e uma celebração do geekismo se alguma vez houve uma.


Fábio Jesus às 19:48
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Sábado, 26 de Janeiro de 2008

Um ano para Alan Ball?

Com um feedback muito positivo vindo de Sundance, Towelhead, estreia de Alan Ball na realização de longas-metragens, promete muito. Diz quem viu que as ambiências pesadas de American Beauty e a confusão de sentimentos de Six Feet Under estão lá. Que as interpretações viscerais que tanto caracterizam os projectos com o dedo de Ball também. Que há uma estreante Summer Bishil, no papel de uma jovem libanesa de 13 anos a acordar para a sexualidade, que se afiança como a revelação do ano e um Peter Macdissi muito diferente do artista bisexual Olivier Castro-Staal de Six Feet Under. Mete sexo e diferenças culturais. Americanos suburbanos e muçulmanos rígidos. Estreia nos EUA em Agosto próximo e eu mal posso esperar. E se a isto juntarmos True Blood, série para a HBO que vai continuando sem data de estreia às expensas da greve dos argumentistas de Hollywood, 2008 promete ser em grande para Alan Ball. Vamos esperar que sim.


Lídia Gomes às 14:56
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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Dizem que sim



Chamam-se Yeasayer, são um quarteto sediado em Brooklyn e edificam um tipo de música que denominam Middle-Eastern-psych-pop-snap-gospel, nome pomposo que, numa primeira audição, facilmente associamos àquela confusão lírica e instrumental que estamos habituados a adorar em actos como os Danielson ou os Animal Collective. Lançaram o primeiro álbum em 2007, pela We Are Free. All Hour Cymbals não é brilhante, mas é certamente auspicioso e tem o mérito de ter lá pelo meio um single fabuloso, que começa em modo de contenção e explode com uns sentidos Yeah Yeahs que não deixarão nenhum melómano indiferente. Nada melhor num dia em que nos foi dado a conhecer que a tournée de Primavera do pessoal da compota de morango passa, em Maio, por Lisboa e Braga.

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Fábio Jesus às 18:54
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

Distorções (mas pequeninas)

Os The Magnetic Fields não inventaram a pólvora. Por estes dias o shoegaze já tem idade para casar e ter filhos mas a verdade é que último da banda de Stephin Merritt é por vezes mais jesusandmarychainista que os Jesus and Mary Chain. O revivalismo dos anos 80 parece, neste caso, não ter exactamente agradado à crítica, que tem recebido Distortions de forma bem morna. Mas, da parte que me toca (e agora é que vem a parte polémica), o oitavo álbum de originais dos The Magnetic Fields é tão bom como Psychocandy e melhor que Loveless dos My Bloody Valentine.

 

Não sendo portanto um produto dotado de grande originalidade ou brilhantismo, Distortion vai marcando a diferença aqui e ali. Apesar de ser um álbum onde a distorção assume papel principal, a componente pop é sempre um adjuvante de grande valia. A voz de Merritt continua embargada, de crooner ébrio acabado de sair do bar, e que dá toda a emoção necessária ao estilo algo "frio" que canta. Contudo, a grande virtude de Distortion é ser de uma objectividade e eficácia estupendas. A tal distorção não precisa de nos arremessada em massadores temas de 6 minutos, fica bem mais agradavel quando nos ofertada em doses bem moderadas. E três minutos de California Girls (tão Beach Boys), Too Drunk To Dream ou Zombie Boy chegam perfeitamente para satisfazer.

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Lídia Gomes às 22:34
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Heath



E assim se perde um dos mais promissores actores da sua geração. Descansa em paz, kiddo.


Fábio Jesus às 01:33
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

Cocksuckers!



David Milch – o senhor responsável por um dos pontos mais altos da ficção televisiva recente (Deadwood) e por um dos maiores ovnis em formato série de que há memória (John From Cincinatti) – recebeu luz verde dos homens-fortes da HBO para iniciar a produção (se a greve algum dia acabar, claro) do piloto do seu novo projecto, um drama passado no Departamento de Polícia de Nova Iorque nos anos 70. Vai-se chamar Last of the Ninth e, além de marcar o regresso de Milch à ficção policial (terra firme para alguém que começou a carreira a escrever Hill Street Blues e co-criou NYPD Blue), terá a tarefa hercúlea (apetece-me dizer impossível, mas vou-me conter) de suceder a The Wire na posição de série sobre polícias do estandarte dos canais por cabo norte-americanos. Uma coisa é certa: vêm aí palavrões em quantidade industrial.


Fábio Jesus às 00:00
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Domingo, 20 de Janeiro de 2008

Vós que me educastes

O estilo pode ser datado. A ausência pode levar ao esquecimento. Mas nunca vou deixar de lembrar que foram os Portishead que me fizeram olhar a música como arte. E por isso mesmo dia 26 de Março, no Coliseu do Porto, lá estarei, provavelmente não com o mesmo entusiasmo de há oito, nove anos mas com a certeza de estar a concertizar um sonho de miúda.

 

Lamentável é, no entanto e mais uma vez, a estratégia de marketing da Everything Is New. No seu site, na tarde antes do anúncio, prometia-se «uma das bandas mais aguardadas pelo público português nos últimos anos». É verdade que os Portishead gozam de um assinalável fenómeno de culto no nosso país mas, 11 anos depois do lançamento do último álbum de originais e 10 anos após a passagem pelo Festival do Sudoeste (naquele cartaz perfeito do ano de 1998), o hype há muito que esmoreceu. Isto depois do suspense à volta dos nomes para o Alive! e que, feitas as contas, se saldou no anúncio dos inarráveis Within Temptation e no "chatinho" Donavon Frankenreiter. Palpita-me que anda por aí muita gente a querer acertar o passo a Álvaro Covões...

 

Eu, que não me desiludi nada com o tal "concerto mistério" (contando comigo acho que fomos à volta de uns 5), espero agora por ouvir os novos temas do há muito adiado terceiro álbuns de originais dos manda-chuvas do trip-hop. Mas, muito mais que isso, vou aguardando com uma certa nostalgia e impaciência o momento em que Beth Gibbons começar a entoar os hinos de Dummy e Portishead. Que recordar é viver.

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Lídia Gomes às 15:28
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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

Expiação



Tudo nele é competentíssimo, à semelhança do que havia acontecido com a excelente adaptação que é o Pride & Prejudice de 2005: a realização, a direcção de actores, a banda sonora e a fotografia são do melhor que se tem visto ultimamente.


Ainda assim, Atonement deixou-me frio. Joe Wright filma bem, é certo (vou continuar a aguardar para ver o que consegue fazer fora do nicho do filme de época), mas, ao segundo filme, parece ter-se acomodado. O build-up para a revelação final, com todas as suas descontinuidades temporais, é excessivamente (e não justificadamente) longo e parco em momentos altos e nunca envolve como seria de esperar, e assim ela perde grande parte do impacto, as cenas de guerra – que parecem ter sido ali enfiadas a martelo – são tão bonitas quanto inconsequentes e, no final de contas, fica-se muito mais com a sensação do que podia ter sido do que com a do que efectivamente foi. Esperava-se mais.

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Fábio Jesus às 23:43
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Sobre a descentralização



Tenho gostado de ver a (muito relativa, ainda) descentralização que se tem vindo a operar no panorama musical do nosso país, seja com o alargamento – embora ainda esteja algo duvidoso sobre a verdadeira funcionalidade da decisão – do Super Bock Super Rock ao Porto ou com o crescente número de concertos marcados para terras como Braga, Famalicão ou Leiria. Agora só falta as nossas estimadas distribuidoras cinematográficas se lembrarem de seguir o exemplo: é difícil compreender que 4 Luni, 3 Saptamani si 2 Zile, o filme vencedor da Palma de Ouro no último Festival de Cannes, que hoje estreou em Portugal, tenha exibição limitada a Lisboa e Porto, em 5 (!) e 3 salas, respectivamente. E o resto do país que espere pelo DVD.


Fábio Jesus às 23:33
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

Luiz, o libertino

Confesso: até ao dia da sua morte, a 5 de Janeiro, nunca antes tinha ouvido sequer falar de Luiz Pacheco. Vou tendo agora reminiscências dos seus tempos de colaborador do Público mas sem nunca o ter associado ao autor maldito. Ao que parece, a falha é imperdoável. É que depois de ler esta entrevista, a sua última entrevista, cortesia do Sol e de Ricardo Nabais e Vladimiro Nunes, conhecer a obra de Luiz Pacheco parece-me um imperativo. Dono de uma vida pessoal e amorosa que não lembra ao diabo, é inacreditável como apesar da saúde periclitante, o autor de Exercícios de Estilo ainda analisa com encantadora claridade e perspicácia os meandros da cultura e política portuguesa, não se abstendo de lançar corrosivas "alfinetadas" em algumas das nossas figuras de proa. Isto sempre num estilo muito próprio, descarado, obsceno, sem amarras, sem pudor, mas sempre verdadeiro. Até porque o próprio diz  "Não estou aqui a fazer poses". Pois não mesmo.


Lídia Gomes às 22:51
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Malick e Stiller



Descobri por aí que Terrence Malick confidenciou ao protégée David Gordon Green (que por estas alturas anda entretido a filmar com a trupe de Judd Apatow) que o seu filme favorito dos últimos dez anos é nada mais, nada menos do que Zoolander. Sim, aquele com o Ben Stiller. Supostamente, Malick “sabe todas as falas e vê-o todas as semanas”. Foi por isto, e só por isto, que, alguns posts atrás, tive coragem para confessar o meu gosto de infância pelos filmes do Steven Seagal. Obrigado, sr. Malick.

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Fábio Jesus às 18:56
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Sábado, 12 de Janeiro de 2008

Os melhores propaladores

Parece-me impossível que alguém ainda não tenha deitado o olho ao novo spot da Optimus. A imagem mudou, a agência de publicidade também mas, felizmente, há coisas que não mudam. O tema que, por estes dias, já anda na cabeça de toda a gente dá pelo nome de Tonight I Have To Leave It e foi o primeiro avanço de Our Ill Wills, último álbum dos suecos Shout Out Louds que aqui referi em Julho passado. Em outras campanhas da Optimus já tinhamos ouvido gente muito recomendável como os The Veils, Daniel Johnston ou mais recentemente, Peter Bjorn and John e o seu assobio emplastro de Young Folks, do qual os frequentadores dos festivais de verão do ano passado devem estar mais do que enfastiados (não deixando ela de ser uma grande música).

 

Agora eu pergunto: antes destas campanhas alguém tinha ouvido sequer por uma vez o nome dos supracitados nas nossas rádios? A conclusão a que chego é que nas nossas agências de publicidade há gente com muito bom gosto e que faz uma muito melhor divulgação da boa música que qualquer uma das nossas rádios nacionais (logo, estou a excluir a Radar). Por isso mesmo, daqui o meu muito obrigada à Optimus, à Euro RSCG e à BBDO. De que é que eu preciso? De mais spots destes, claro. Qualquer dia damos por nós e estamos a ouvir The Decemberists na televisão...


Lídia Gomes às 16:01
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Beleza americana



Adiei e adiei a descoberta do terceiro disco dos norte-americanos The Hold Steady, o muito adequadamente intitulado Boys and Girls in America, cujo lançamento já data de Outubro de 2006. Lembrei-me (lembraram-me) de lhe dar uma oportunidade, nos primeiros dias do ano, e a coisa colou-se de tal forma a mim que tenho andado com dificuldades em ouvir qualquer outra coisa. Não há maneira de não gostar de um álbum que começa com um cínico There are nights when i think that Sal Paradise was right/Boys and girls in america have such a sad time together e termina (mais ou menos) com um piscar de olho a John Darnielle e aos seus Mountain Goats e (a sério) com uma cover dos Violent Femmes. Pelo meio, há espaço para o never mind the bollocks de You Can Make Him Like You e o relax a três vozes de Chillout Tent e há uma faixa chamada Chips Ahoy!. E Massive Nights é uma daquelas músicas que me deixam descontente por a palavra “antémico” não fazer parte do nosso dicionário.


É fácil catalogar Craig Finn como pertencente àquele restrito grupo de vocalistas (Dylan vem-me imediatamente à cabeça) que usam a música como veículo para uma capacidade poética superior. Finn conta histórias, desdobra-se em referências, cria personagens e torna-as recorrentes e é um retratista (da juventude norte-americana, aqui) de uma acutilância singular. E obriga-nos a acreditar no que diz como se a nossa vida dependesse disso. A voz dá o toque final: diz a Blender que eles “soam como a melhor banda de bar do mundo”, e não podiam estar mais certos. Mas esta é uma banda de bar de um campeonato muito diferente: o dos primeiros.


Por cá, longe das vocações stokerianas da co-autora aqui do estaminé, tenho que dizer que Boys and Girls in America foi o primeiro grande álbum que ouvi em 2008. E que estes cinco tipos de Brooklyn com ar despreocupado andam a fazer alguma da mais grandiosamente cerebral música da actualidade.

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Fábio Jesus às 18:39
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Se calhar só é preciso é ser-se muito bom

Não creio que os Radiohead quisessem dar a estocada final numa quase moribunda indústria. Simplesmente há bandas que se podem dar ao luxo de arriscar e trabalhar por sua própria e risco. A prova mais verosímil de que a música, quando excepcionalmente feita, quando envolta em culto, é vendável de qualquer maneira e formato, são as já admiráveis vendas de In Rainbows. Depois de invadirem os computadores ao desbarato, a edição física do sétimo álbum de originais dos Radiohead já açambarcou o primeiro lugar do top inglês e americano. Ainda há muito boa gente que paga para ter um objecto da marca Radiohead em casa. Dá que pensar a muito executivo engravatado. A indústria ainda não caiu mas já não estamos na presença de uma singela chapada de luva branca. Isto toma já proporções de enxerto de porrada.  

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Lídia Gomes às 23:45
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Videojogos



Como qualquer jovem nascido nos anos 80 ou nos 90, cresci a jogar videojogos e fascinado por eles. Foi uma paixão que surgiu muito antes do cinema ou da música, numa altura em que tinha em alta consideração bandas como os Cartoons ou, cá dentro, os eternos Excesso, e achava que não havia nada melhor do que os filmes do Steven Seagal. E sim, tive um crescimento tão saudável quanto feliz, divertido a jogar fervorosamente preciosidades como Final Fantasy VII ou – recuando uns anos valentes – o Sonic the Hedgehog original da Mega Drive.


Toda esta introdução lamechas para dizer que o Discovery Channel cozinhou uma mini-série de cinco episódios que se propôs a explorar cronologicamente a história dos videojogos, percorrendo todo o período desde que William Higinbotham criou a primeira experiência interactiva de entretenimento de um computador com Tennis for Two (1958) até aos mundos virtuais interactivos de hoje em dia, como Second Life. Chama-se Rise of the Video Game e está longe, muito longe de representar uma visão definitiva sobre o (para muitos) surpreendentemente rico mundo dos videojogos, não deixando por isso de ser interessante, pedagógico e, à semelhança da matéria-base, extremamente divertido de observar. 


Onde Rise of the Video Game realmente falha é no género de abordagem que escolhe. Centrada num ponto de vista sociológico, a série perde-se frequentemente em analogias e paralelismos, com as várias Guerras ou com as mentalidades e disponibilidades psicológicas das várias gerações de jogadores, e quando o faz o interesse dá lugar ao tédio. Quando funciona, no entanto, Rise of the Video Game fá-lo muito bem. Qualquer gamer que se preze achará aliciante a possibilidade de escutar o que tem para dizer gente como Sid Meyer, Will Wright, Peter Molyneux ou Shigeru Miyamoto, lendas da indústria e visionários por direito próprio. Só tenho pena que alguns dos meus heróis pessoais do mundo videojogável, caso de Warren Spector ou Hironobu Sakaguchi, não marquem presença.


Rise of the Video Game é um retrato interessante se incompleto de uma indústria cujos lucros se preparam para ultrapassar os do cinema e da música combinados e tem o condão de nos deixar com o “bichinho” no fim de cada episódio. O que, por si, já vale uma recomendação.


Fábio Jesus às 22:36
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

The next big thing?

 

 

Se não é devia ser...

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Lídia Gomes às 19:09
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Sábado, 5 de Janeiro de 2008

Nas costas do cavalo



Brian Steidle, um ex-capitão dos marines norte-americanos, procurava um emprego. Um dia, encontrou na internet um classificado: dizia “patrol leader Sudan”. Pareceu-lhe bem, e agarrou imediatamente a oportunidade. Chegado ao Sudão, e após verificar a situação em que o país se encontrava, pediu que o enviassem para o Darfur. O impacto foi superior a qualquer coisa que pudesse ter imaginado: apanhado no meio de uma ‘operação de limpeza’ por parte do governo árabe em direcção aos habitantes negros do território, Steidle sentiu-se impotente. Não tinha armas, apenas uma câmara fotográfica, que usou para conseguir imagens tão privilegiadas quanto horríveis. Eventualmente, desistiu, voltando aos Estados Unidos com uma nova missão, a de alertar o país para as atrocidades que diariamente ocorrem naquela parte do globo e lutar para conseguir uma solução. Essa missão continua ainda hoje.


The Devil Came on Horseback é pungente, urgente e revoltante, um retrato aterrorizador do mundo em que vivemos. Visualização obrigatória.

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Fábio Jesus às 22:58
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Os ouvidos vão estalar

Quanto aos Bodies of Water, que aqui referi a propósito da minha lista de melhores álbuns do finado 2007, só posso dizer que são uma pequena maravilha. O álbum Ears Will Pop & Eyes Will Blink, esforço debutante destes califonianos festivos, só prova que hoje em dia, na chamada indie, de tudo um pouco se pode fazer. Estão aqui os Arcade Fire épicos e multi-instrumentais de Neon Bible, a negritude de um coro gospel e o ambiente do faroeste americano ou Tropicalia brasileira que nos trouxe os Mutantes. E até salpicos desse símbolo máximo do saloísmo que é Richard Clayderman aqui parecem acentar que nem uma luva.

 

Não abdiquem de visitar o myspace da banda e descobrir alguns dos temas de Ears Will Pop... e, como bónus, a melhor cover de Everybody Hurts alguma vez feita.

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Lídia Gomes às 14:41
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