Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

À flor da pele

 

No papel, Skins, drama teen do canal britânico E4, é do mais groudbreaking que a televisão já produziu. Esqueçam The OC, Gossip Girl e afins. Esqueçam os meninos ricos, os colégios privados, a vida de plástico. Skins promete a realidade. Aqui vemos os filhos de uma certa Geração X de Bret Easton Ellis, perdida entre o abuso das drogas, do álcool, o sexo desregrado (e por vezes ambíguo) e as relações desgastadas com os pais. O cenário deixa de ser New York ou Los Angeles e passa a ser a pequena cidade de Bristol.

 

A série consegue ser ácida e chocante no retrato que faz dos adolescentes britânicos mas isso nem sempre significa, apesar da originalidade da abordagem, um resultado memorável. Skins é de uma estereotipação atroz: há o bad boy, o nerd, o gay, o árabe. O virgem e o que vai a todas. Para além do humor nem sempre funcionar, e numa série que se diz retrato fiel dos jovens ingleses, alguns dos plots são tão verosímeis como o Pai Natal ou a hipótese do Sporting ganhar o campeonato este ano. Parecendo que não, as festas trogloditas onde se destroem casas não são o pão-nosso de cada dia. Salvam-se alguns personagens. Tony (Nicholas Hoult, o miúdo que mudou Hugh Grant em About a Boy, agora bem mais crescido) culto, inteligente mas manipulador e arrogante. Leitor ávido de Nietzsche e Sartre é a simbiose perfeita entre o niilismo de Sean Bateman e a sociopatia do mais velho Patrick. Por outro lado, a frágil Cassie, de tendências obsessivo-compulsivas e com um grave transtorno alimentar, consegue mesmo assim ser a mais empática das personagens. E o tratamento que se dá aos seus problemas, nomeadamente os subterfúgios que cria para os esconder, conseguem elevar a escrita de Skins. Pena que não seja, de todo, uma constante. Já Effy personifica uma certa ânsia pela autodestruição tão presente na série.

 

Não sendo totalmente de desprezar, Skins podia ser muito mais do que realmente é. Tem o condão de nos agarrar mas vale essencialmente como um pesadote guity pleasure e para chegarmos á conclusão que se calhar somos jovens bastante normais. Mas uma coisa é certa: não anda por aí nenhuma série com banda sonora tão boa. Desde os filhos da terra Tricky e Portishead aos mais inesperados hinos indie dos The Decemberists ou Grizzly Bear, tudo parece ter sido escolhido a dedo. Vá lá ao menos isso.


Lídia Gomes às 19:11
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Em Famalicão



Vale a pena dar um saltinho à Casa das Artes, este sábado, para ouvir a bela música do bastante low-key John Vanderslice, cortesia de um (quase) sempre atento Nuno Galopim. Na bagagem, um dos bons álbuns de 2007, Emerald City, mais uma prova do talento do norte-americano: música escorreita, cuidada e elegante, muito sua mas nunca ao ponto de se tornar ininteligível. Vale o preço do bilhete, nem que seja pelo momento em que se entoar o polémico grito de revolta que é Bill Gates Must Die.


Fábio Jesus às 23:54
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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Momentos "Saduf! Muito Bom!" #9

 

Só a partir de quinta-feira poderei descobrir se o rol de Oscares que No Country For Old Men recebeu foram bem entregues. Acredito piamente que sim mas no meu íntimo torcia por There Will Be Blood, essa obra singular sobre a ganância desmedida, o capitalismo selvagem. Sobre um homem sem escrúpulos e sem fé. Todavia, se houve momento pelo qual esperei desassossegadamente durante a noite foi mesmo a subida ao palco dos protagonistas de Once. Continuo a preferir o Falling Slowly de Glen Hansard e Marketa Irglova improvisando numa andrajosa loja de música de Dublin, mas as orquestrações deram-lhe a grandiosidade que o momento pedia. E o instante em que foram anunciados como vencedores fez-me levantar da cadeira e bater as respectivas palmas. Alías, nem a audiência e o próprio Jon Stewart fizeram muita questão de esconder o seu favorito. Porque mereceu.


Lídia Gomes às 11:53
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

Promessas (2)



Pale Young Gentlement (Pale Young Gentlement) e Once (Glen Hansard e Markéta Irglova)


Fábio Jesus às 14:17
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

A gerência desta casa solicita aos senhores em baixo:

1 - Por favor, especifiquem a data do início da venda dos bilhetes.

2 - Toquem a Gospel.

3 - Amigo Matt, não te aproximes de cerveja antes do concerto.

4 - Toquem a Karen (porque o prometido é devido).

5 - Meu caro Matt, nem sequer penses em provar o tão português Vinho do Porto ou o típico bagacinho.

6 - Toquem a Racing Like a Pro, por tudo o que vos é mais sagrado.

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Lídia Gomes às 22:07
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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Perdidos em Israel



Bikur Ha-Tizmoretprovavelmente A Visita da Banda, se algum dia vier a estrear por cá – bem que podia ser uma mais literal resposta israelita a Lost in Translation. Filmado com um micro-orçamento e oriundo de um país que produz pouco mais de uma dezena de filmes por ano, conta uma história simples: convidada a tocar na inauguração de um centro de arte árabe em Israel, uma banda policial egípcia desloca-se ao país, perdendo-se a caminho da cidade-destino e vendo-se obrigada a pernoitar numa localidade não muito longe, com o auxílio de dois amáveis habitantes locais.

 

O que se segue é um cru mas infinitamente tocante estudo de personagem, dirigido com uma sobriedade aplaudível por Eran Kolirin e ancorado numa interpretação notável de um Sasson Gabai a fazer lembrar Michel Piccoli em Je Rentre à la Maison. Kolirin não falha uma nota, fugindo à sentimentalização fácil e contrapondo-lhe um desarmante realismo, personificado na perfeição na personagem de Gabai, o atormentado maestro com uma imensa paixão pela música. A ver com atenção, dia 29, na vigésima oitava edição do Fantasporto

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Fábio Jesus às 18:55
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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Fico extremamente agastada quando...

...olho para a lista de séries renovadas pelo canal norte-americano CBS e não encontro How I Met You Mother. Não que qualquer sentença sobre o futuro da série tenha sido deliberada mas claramente os sinais são preocupantes. How I Met Your Mother, que há muito deixou de ser um pastiche de Friends, nunca foi um sucesso de audiências mas vai gozando de um certo culto por parte da crítica americana, muito por culpa do sempre sagaz guião e dessa personagem já icónica de epíteto Barney Stinson, hilariantemente interpretado por Neil Patrick Harris. É que são delírios como a Hot/Crazy Scale, o omnipresente Legen - wait for it - dary! ou as demais variações de Suit Up! que fazem desta sitcom alvo de veneração por parte dos escribas desta casa. Por outro lado, regozijo por The Big Bang Theory, essa ode ao geekismo, ter sido renovada para uma 2º temporada. Até porque, não sendo ainda do mesmo campeonato, o assoberbado Sheldon apresenta-se como um digno discípulo de Barney, pelo menos no que toca a essa bela arte do "roubo de cenas".


Lídia Gomes às 21:48
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Orgulho herético



Sabem os conhecedores da obra de John Darnielle que o extremamente prolífico vocalista dos criminalmente ignorados The Mountain Goats é um dos melhores e mais literários letristas norte-americanos da actualidade, da estirpe de todos os Meloys, Oldhams e Sheffs que por aí andam. Em Heretic Pride, sucessor do belíssimo The Sunset Tree, de 2005, o cantautor continua igual a si próprio: os arranjos musicais soam tão enraizados no lo-fi (ou bi-fi, característica-mor da banda até 2002) como sempre, relegados para segundo plano enquanto Darnielle discorre sobre os mais variados assuntos – oscilando entre Sax Rohmer, H. P. Lovecraft ou os metaleiros suecos Marduk –, vocalizados com o tom nasalado mas acolhedor do costume. Hereticamente ou não, dezasseis anos e meio milhar de canções depois, parece-me que o senhor Mountain Goats tem mais que razões para estar orgulhoso.   


P.S. – Não, o senhor da foto não é John Darnielle. Contam-me que é um conhecido.

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Fábio Jesus às 23:59
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

Cinco músicas para um S.Valentim mais bonito

1. Jens Lekman - I'm Leaving You Because I Don't Love You: Directo e sincero. Quem diz a verdade a mais não é obrigado.

 

i am leaving you

because i don't love you

i'm sorry i have to be this

brutally honest, Nicole

 

2. Bright Eyes - A Perfect Sonnet: Há quem diga que ele está amargurado e deixou de acreditar no amor. Eu diria que é inveja.

 

but i believe that lovers should be tied together

and thrown into the ocean in the worst of weather

and left there to drown

left there to drown in their innocence

 

3. Radiohead - Nude: Podes tirar daí o cavalinho da chuva que eu tenho mais que fazer.

 

so don't get any big ideas

they're not gonna happen

you'll go to hell for what your dirty mind is thinking

 

4. Yeah Yeah Yeahs - Y-Control: Ela foi ingénua, acreditou neles e deu-se mal.

 

oh, so wrong, my loving goes

under the fog, fog, fog

and i believed them all

well, i'm just a poor little baby

because, well, i believed them all

i wish i could buy back

the woman you stole


5. Bauhaus - Crowds: Porque um insulto fica sempre bem.

 

 you worthless bitch

you fickle shit

you will spit on me

you will make me spit

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Lídia Gomes às 22:09
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

You're gonna need a bigger boat


Fábio Jesus às 22:19
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

A greve morreu, Viva a greve!

Parece que a infame greve dos argumentistas vai dando os últimos sinais de vida. Dentro de dois meses a ficção americana volta às rotinas de sempre. Ainda bem. Contudo não posso deixar de manifestar o meu pesar melancólico. O facto é que, mesmo amputados dos seus argumentistas, os Late Nights Shows americanos, nomeadamente o Late Night with Conan O'Brien e o The Daily Show continuaram tão bons como sempre. Às vezes até melhores. Com poucos limões fez-se excelentíssima limonada. A greve serviu, pelo menos, para provar que do outro lado do Atlântico os talk show hosts são, felizmente, muito mais do que uns marmanjos atrás de uma secretária. Eles também são doentiamente geniais. Vejam isto como uma aula de como ser terrivelmente bom mesmo não tendo uma equipa de argumentistas por trás.

 

 

 

 

 

 

 

 


Lídia Gomes às 13:48
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Voyeurismo



No papel, a última da HBO é mais ou menos tão excitante quanto as últimas exibições do Benfica: um drama – adaptado de um sucesso televisivo israelita – sobre um psicólogo e respectivos pacientes, emitido cinco noites por semana (e não é uma novela…), cujo campo de acção não passa da sala em que o diálogo terapeuta-paciente tem lugar; cada dia corresponde a um determinado paciente, repetido semana após semana, enquanto a sexta-feira é destinada à sessão de Paul (Gabriel Byrne, omnipresente) com um outro psicólogo.


Ainda assim, não é difícil ficar agarrado a In Treatment. Nunca o eterno desejo humano de tornar real o conceito de fly on the wall em relação àquilo que não lhe compete observar foi tão intensa e frequentemente realizado. Emitida com uma constância incomum para uma série televisiva – a primeira temporada será composta por 45 episódios! –, In Treatment, mais que um exercício hercúleo em argumentismo e interpretação (e é-o, sobremaneira), é um compromisso. E um em que vale a pena embarcar. Ninguém pode acusar a HBO de não explorar novos territórios.


Fábio Jesus às 21:27
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

Sawyer, o etiquetador

Hurley já foi Jabba, Stay-Puft, Gigantor. Sayid foi Al JazeeraJack será sempre Doc.  Para todos os aficionados do universo Lost, não é novidade nenhuma a aptidão diabólica de Sawyer para estampar hordas de alcunhas aos restantes sobreviventes do Oceanic 815. Pois a ABC não quer ver todo este virtuosismo do con man confinado à ilha de Lost. Se clicarem aqui, podem ter o vosso próprio nickname, cortesia do sempre carinhoso James "Sawyer" Ford.

 

Agora não se admirem se vos calhar algo de bastante faccioso. Aquando da minha primeira tentativa, fui presenteada com um afável Imelda. Amigo Sawyer, deve estar enganado. Para além de não ser esposa de um ditador sanguinário, também não possuo uma épica colecção de sapatos. Pena. Principalmente da parte do ditador sanguinário. Por favor informe-se melhor.  


Lídia Gomes às 19:37
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Promessas



Sticking Fingers into Sockets (Los Campesinos!) e Wizard of Ahhhs (Black Kids)


Fábio Jesus às 17:13
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Perdidos & Achados

David Wingo deve ser um bom garfo. Afinal de contas Ola Podrida, projecto do qual é frontman, é também uma iguaria típica de Espanha. Mas não obstante o aparente apetite pelo não convencional, tudo na música dos Ola Podrida é bem simples e límpido. Na senda dos demais cantautores norte-americanos, o homónimo de estreia da banda é parco em instrumentos, despojado de artifícios, seguindo um cânone quase imutável nas suas líricas transparentes mas inquietas.

 

Todavia, não se pense que o registo é monocórdico: o álbum é tão bom na folk solarenga de Day At The Beach ou Eastbound como na mais negra Pour Me Another. Pelo meio há Lost and Found, um verdadeiro single passível de airplay em qualquer rádio mais atenta. E de falta de atenção não podemos nós acusar o Teatro Académico Gil Vicente em Coimbra que no próximo dia 16 traz a Portugal, ainda que de forma amputada, uns Ola Podrida que assentaram arraiais na cada vez mais bem frequentada Brooklyn.

 

Mas muito para além do peculiar nome do projecto, o desconcerto de David Wingo e companhia parece omnipresente no clip de Lost and Found que merece desde já figurar no panteão da história dos clips bizarros. Porque me faz ter pesadelos com um tal de Ivan Dimitrov, guru das danças búlgaras, e o seu generoso "Síndrome de Falha de Santo André" no meio dos dentes. Vide abaixo.

 

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Lídia Gomes às 18:33
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Too-ri-a, fol-di-diddle-da, too-ri, oor-ri, oor-ri-a



A recente visualização de The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford relançou-me na audição de We Shall Overcome: The Seeger Sessions, a colecção de covers de Pete Seeger que Bruce Springsteen gravou, sem a E-Street Band, em 2006. Isto porque a segunda faixa é uma excelente interpretação de Jesse James, a canção que Billy Gashade escreveu e Bascom Lamar Lunsford gravou originalmente em 1924, que surge no filme perto do final, naquela bela cena que espelha a progressiva humilhação de que Bob Ford foi alvo após o assassínio, pelas costas, de Jesse James. No restante álbum, entre um punhado de belos temas, sobressai Mrs. McGrath, um potente apelo anti-guerra cujo refrão, como em todas as grandes canções folk, teima em não me sair da cabeça. Mesmo sem fazer muito sentido.


Fábio Jesus às 19:42
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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

Agasalhem-se

Para quem mora a sul e está mais interessado em saber o quão maior pode ser a simbiose entre os Sigur Rós e o seu habitat natural do que passear a sua fatiota de pirata. É no Santiago Alquimista e só têm de levar uma nota de 5 euros.

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Lídia Gomes às 19:34
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