Domingo, 30 de Março de 2008

Agricultores dançantes!



Confirma-se, em parte: o disco de estreia dos Los Campesinos! arranca bem, muito bem até (Death to Los Campesinos! é uma bela canção de abertura), carregado daquela pop hiper-instrumental e oh-tão-viciante que iluminava o EP, e depois perde-se, algures pelo meio, acabando em devaneios enfastiantes e inconsequentes. Esgota-se o fôlego do factor novidade, repete-se até à exaustão fórmula boy/girl na voz, pretere-se a consistência em favor de um enganado (e enganador…) encantamento. Salva-se, na segunda metade, a colocação inteligente de You! Me! Dancing! (à qual acrescentaram barulho… era mesmo necessário?), uma das melhores faixas de Sticking Fingers Into Sockets, que proporciona um bem-vindo pontapé na monotonia que por essa altura nos vai invadindo. Há que dizê-lo, no entanto: quando funciona (ouça-se My Year in Lists), estão aqui algumas das canções mais contagiantes que Brian Wilson nunca escreveu.

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Fábio Jesus às 02:52
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

The blackness of darkness forever


Não é complicado perceber porque é que 3500 pessoas encheram o Coliseu do Porto para ver uma banda que não dava sinais de vida há dez anos. Os Portishead refizeram a minha história. Ensinaram-me a ouvir música (aquela com M grande), arrancaram-me definitivamente da infância, passaram-me a ferro com o rolo compressor das sensações. Lembro-me de gostar de os ouvir de olhos fechados. E na última quarta-feira dei por mim a fechar os olhos e a recuar uns bons anos na minha vida. Acho que não fui a única.

 

Mas olhar para a primeira passagem dos Portishead pelo nosso país depois do interminável hiato de dez anos como um regresso ao passado é, no mínimo, redutor. Até porque Third vai desiludir muitos dos que já tentaram cravar pregos no caixão da banda de Bristol. É certo que perde muito em emotividade mas ganha em músculo, em força. A quase faroestiana Silence, a cavalgante Mystic (The Rip) e a maquinal We Carry On, que em estúdio são enormes, ao vivo são avassaladoras. Mas, naturalmente, foram os grandes clássicos que levantaram a plateia. Porque ouvir 3500 alminhas a cantar em coro 'Give me a reason to love you' é tão arrepiante hoje como há dez anos.

 

Beth Gibbons, essa, foi igual a sí própria. Aparentemente frágil, alheada, distante, com dificuldade em comunicar para além da música, transforma-se quando agarra o microfone com as duas mãos e solta a voz embargada. Capaz de provocar as maiores ovações quando grita 'A lady of war' em Numb, quando imprime toda aquela densidade de 'film noir' em Only You e quando simplesmente se senta, como se estivesse em casa, para entoar uma versão slow de Wandering Stars. Os anos não passaram para ela. Já em Adrian Utley eles sentem-se. Fisicamente. Com a guitarra continua um virtuoso.

 

Por muito que a falta de ritmo tenha afectado a actuação aqui e ali, foi bom ver-los assim, tão expostos ao erro e a lidar com ele com tanto fairplay. As descoordenações entre Gibbons e Utley ou os problemas de som foram sempre motivo de sorrisos. Sorrisos esses retribuídos pelo público, mais preocupado em ver o lado bom dos filhos pródigos esforçados que voltaram a casa do que a sua desgraça. E a vocalista agradeceu com uma descida à primeira fila e respectiva distribuição de abraços. Os Portishead, afinal de contas, podem estar um pouco enferrujados mas não tarda nada voltarão a ser uma máquina oleada. Até porque o essencial continua lá: aquela capacidade inata de nos arrasar ou nos deixar em êxtase.  No fundo, de nos fazer sentir.

 

* Foto subtraída sem dó nem piedade ao site da Blitz


Lídia Gomes às 22:45
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

Brent



"If you want the rainbow, you've gotta put up with the rain" - do you know which "philosopher" said that? Dolly Parton. And people say she's just a big pair of tits.




Fábio Jesus às 23:47
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Segunda-feira, 24 de Março de 2008

Quem escreve assim não é gago #7

You don't have to deal with the dealers
let your boyfriend deal with the dealers.
it only gets inconvenient
when you want to get high alone.

You don't have to know how to get home
let your boyfriend tell the driver the best way to go.
it only gets kind of wierd
when you wanna go home alone.

You don't have to know the inspiring people
let your boyfriend know the inspiring people.
you can hang in the kitchen
talk about the stars and the upcoming sequel.

If you get tired of your boyfriends things
there's always other boys.
there's always other boyfriends.
if you get tired of your boyfriends scene
there's always other scenes.
there's always other boyfriends.

You don't have to deal with the dealers
let your boyfriend deal with the dealers.
it only gets inconvenient
when you want to get high alone.

You don't have to go to the right kind of schools
let your boyfriend come from the right kind of schools.
you can wear his old sweatshirt.
you can cover yourself like a bruise.

If you get tired of your boyfriend's things.
there's always other boys
there's always other boyfriends.
if you get tired of your football friends.
there's always other boys
there's always other boyfriends.
if you get tired of the the car he drives.
there's always other boys
you can make him like you.
if you get tired of the music he likes.
there's always other boys
you can make him like you.

 

You Can Make Him Like You - The Hold Steady

 


Lídia Gomes às 22:16
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Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Sem pensar duas vezes


Fábio Jesus às 16:16
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Quinta-feira, 20 de Março de 2008

Devoção à beira-mar

Devotion, o segundo álbum dos Beach House, é um campo de flores com espinhos aqui e ali. Sabe a eighties nos sintetizadores demorados e mecânicos mas, no fim de contas, nunca deixa de ser uma obra artesanal, pueril, profundamente melancólica. É dream pop agridoce - legado dos tão saudosos Mazzy Star -  no eterismo onírico de You Came To Me ou Turtle Island e petiz-a-brincar-ao-pião em Wedding Bell e Holy Dances. E é tudo isso em Gila, o mais bonito pedaço de música que já ouvi este ano. Só por isso vale a pena entrar nesta casa à beira-mar.

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Lídia Gomes às 23:45
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Sonhos destruídos



Perscrutando Trouble in Dreams, último disco do sempre idiossincrático projecto Destroyer, fico com a sensação que Dan Bejar começa a repetir a fórmula. Está lá a paixão pelas letras complexas e frequentemente ininteligíveis, estão lá os na na nas e la la las característicos e há, aqui e ali, momentos de fulgor – na insolência pop de Dark Leaves form a Thread ou no alcance épico de Shooting Rockets (From the Desk of Night’s Ape), por exemplo – mas Bejar não faz aqui nada que não tenha feito melhor na pequena obra-prima que é Rubies. Não obstante, não fosse o álbum de 2006 ter inflacionado irremediavelmente as expectativas, e estaríamos perante um dos álbuns mais recomendáveis deste início de ano.

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Fábio Jesus às 21:34
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Segunda-feira, 17 de Março de 2008

O regresso dos que não vão ficar

Pela amostra, The Return of Jezebel James tinha tudo para se afirmar como uma competente sitcom. Digo "tinha" porque com audiências que não chegam aos 3.5 milhões dificilmente a série de Amy Sherman-Palladino vai resistir ao irascível machado da FOX. É pena. Os dois primeiros episódios não são exactamente hilariantes mas a criadora de Gilmore Girls consegue, aqui e ali, tirar da cartola belos momentos de humor nos sempre tão idiossincráticos diálogos-canhão - que já caracterizavam a malta de Stars Hollow - impregnados de ironia e alusões à cultura pop. Além disso, a sitcom marca também o regresso às lides televisivas de Lauren Ambrose, a problemática mas empática Claire Fisher de Six Feet Under, a mostrar que é tão talhada para a comédia como para o drama, aqui a coadjuvar uma Parker Posey no papel de uma executiva com claros problemas de hiperactividade. Aliás, esse será mesmo um dos problemas da série mas um pouquinho mais de subtileza e menos azafama podem perfeitamente espetar o carimbo de "culto" em The Return of Jezebel James. Agora é esperar que haja paciência lá para os lados da FOX.


Lídia Gomes às 22:33
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Sábado, 15 de Março de 2008

Calem-se, estou a sonhar



Chega-me aos ouvidos a notícia de que os canadianos Sunset Rubdown, de que aqui falei há tempos, têm concerto marcado para Portugal, a 8 de Junho, na galeria Zé dos Bois, em Lisboa, dois dias depois de uma actuação dos Dirty Projectors, no mesmo local. Tendo em conta que incluía o projecto de Spencer Krug naquela lista em constante crescimento de bandas que nunca contaria ver por cá, considerem-me positivamente surpreendido. Agora, é só Krug e companhia percorrerem as grandes faixas de Shut Up I Am Dreaming e Random Spirit LoverSnake’s Got a Leg é tão lo-fi que o considero sempre uma espécie de aquecimento para os discos que se seguiram – e o ambiente da ZdB ajudar, e o início de Junho afigura-se memorável. 


Fábio Jesus às 17:33
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Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Homem na lua



Mais do que um documentário, In the Shadow of the Moon é um atestado ao poder visionário do Homem. Explorando as motivações que conduziram à notável missão Apollo 11 e às que lhe sucederam, recolhendo testemunhos de vários intervenientes-chave – Neil Armstrong será a ausência mais notória – e fazendo-nos reviver o 20 de Julho de 1969 como se da actualidade se tratasse, David Sington orquestra um filme subtil na exposição mas recheado de momentos poderosos, da transmissão da CBS encabeçada por Walter Cronkite às contradições da Apollo 13 ou, inevitavelmente, ao discurso in promptu de Armstrong momentos antes de se tornar o primeiro ser humano a pisar um corpo celestial.

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Fábio Jesus às 21:37
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

Stringer "Botswana" Bell

A HBO, em co-parceria com a BBC, vai-se preocupando por estes dias com a produção da adaptação para o pequeno ecrã de The No. 1 Ladies' Detective Agency, romance de Alexander McCall Smith sobre uma agência de investigação privada liderada por uma mulher, num Botswana dos nossos dias. Os nomes envolvidos no projecto são, no mínimo, de peso: o piloto foi realizado por Anthony Minghella a partir do argumento do director de The English Patient e do também britânico Richard Curtis. A eles juntar-se-á o duo de protagonistas Jill Scott e Idris Elba, o Stringer Bell de The Wire, absolutamente venerado nesta casa. O regresso do nosso traficante de droga predilecto aliado à notícia de que Mitch Hurwitz, o criador de Arrested Development, tem na calha uma nova sitcom só me faz crer que o pós-greve vai trazer coisas muito boas para TV norte-americana.


Lídia Gomes às 23:55
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

Um ano de pornografia


Fábio Jesus às 20:58
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Promessas (3)

 

Rest Now, Weary Head You Will Get Well Soon (Get Well Soon) e There Will Be Blood OST (Jonny Greenwood)

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Lídia Gomes às 18:38
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

O passado e o futuro



Estamos em Paris. Findada a Terceira Guerra Mundial, sobra a destruição, e os poucos sobreviventes são forçados a viver, sem condições, no subterrâneo da cidade. A última réstia de esperança reside em experiências de viagem no tempo: ao presente resta pedir auxílio ao passado e ao futuro. Um homem é seleccionado como cobaia, porque se encontra preso a uma imagem de infância, o rosto de uma mulher durante um crime no Aeroporto de Orly. Ao cabo de algumas tentativas, o homem chega ao passado, onde contacta com a mulher da memória. Voltará várias vezes, antes da inevitável viagem ao futuro, cuja sã existência depende de um são presente.

 

Durante 26 minutos assistimos, impassíveis e impenetráveis, às imagens que se sucedem, escutamos o tom triste da narração, a banda sonora que trespassa. No fim, a experiência deixou-nos tão grogues quanto o protagonista. Não viajámos no tempo, mas viajámos de qualquer maneira. Para a mente de Chris Marker, um local trágico mas poético, onde a inevitabilidade do destino se opõe à vontade do Homem e onde as aparências nunca param de iludir. Num mundo povoado pelo mais belo preto e branco.

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Fábio Jesus às 19:11
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Luzes brilhantes

Os Headlights são do Illinois mas podiam perfeitamente ser de Glasgow. O twee pop do rapaz e rapariga alternando no microfone, da guitarra clássica, orgão e vozes e melodias suaves está lá e Some Racing, Some Stopping é um dos bons álbuns deste ano. O single Cherry Tulips é de rendição imediata.

 

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Lídia Gomes às 21:22
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Punk cabaret brechtiano



Tenho para mim que sou uma das cinco ou seis pessoas em Portugal que conhece e admira um certo duo de Boston de seu nome The Dresden Dolls. Como sempre nestas coisas, estou, provavelmente, errado, até porque canções com tanto (e ignorado, por cá) potencial radiofónico como Coin-Operated Boy (de The Dresden Dolls) ou Sing (de Yes, Virginia) não devem ter escapado ao ouvido de muito boa gente. Esta última, particularmente, sumariza na perfeição a sonoridade da banda: música honesta, sem pudores (no início canta-se There is this thing that’s like fucking except you don’t fuck), percorrida de lés a lés por uma panóplia de teatralidades instrumentais (que remetem para o tal ambiente de cabaret) e suportada pela voz acrobática de Amanda Palmer. À falta de um novo disco de originais, venha, em Setembro, a estreia de Palmer numa carreira a solo, com o prometedor Who Killed Amanda Palmer?

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Fábio Jesus às 20:01
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Domingo, 2 de Março de 2008

O inferno é ali ao lado

Taxi to the Dark Side - vencedor do Oscar de melhor documentário - não é exactamente revolucionário. Mas é irrepreensível na denúncia, no questionar de um país que apregoa uma democracia que se percebe falsa e pútrida. A morte do taxista Dilawar é apenas um meio para chegar ao fim: as revelações dos abusos praticados pelos marines norte-americanos no Iraque, Afeganistão e Guantanamo, tudo em conluio com as altas instâncias do poder militar e político que permitem torturas medievais, constantes atropelos à Convenção de Genebra e esquecem demasiadas vezes o conceito de presunção de inocência. O documentário de Alex Gibney é incómodo sim. O que vale é que a partir de Novembro as coisas só podem melhorar.

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Lídia Gomes às 22:44
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Sábado, 1 de Março de 2008

Xadrez



Geri’s Game (1997), porventura a melhor das curtas incluídas em Pixar Short Films Collection, Vol. 1, fascinante colecção de pequenos filmes do estúdio de animação norte-americano, dos treinos da mascote Luxo Jr. ainda nos anos 80 a Lifted, que no ano passado acompanhou a estreia de Ratatouille. À venda desde quarta-feira.  

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Fábio Jesus às 21:50
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