Sábado, 31 de Maio de 2008

Fizeram-no outra vez, The National

Não apoiando de maneira nenhuma a paupérrima nota que a Pitchfork lhe atribuiu, não posso deixar de concordar que The Virginia, o recém-lançado EP dos The National, com menos quatro ou cinco músicas ficava bastante mais coeso. Mas, verdade seja dita, tirando o que poderia ter sido Slow Show mas não chegou a ser - o senhor lá em cima seja louvado! - e algumas das demos, fica a ideia que estes rapazes não falham. A cover de Mansion on the Hill de Bruce Springsteen com Matt Berninger em jeito frágil e confessional liga na perfeição com a força compassada de Blank Slate e Without Permission é de uma simplicidade desarmante. Mas os pontos altos do EP são mesmo o início e o fim. You've Done it Again, Virginia, clássica, belíssima, é um incompreensível lado-b, que ficava bem em qualquer dos longa-duração da banda. Já a derradeira faixa é só um lembrete de como About Today é das canções sobre a separação mais arrebatadoras dos últimos anos. E ao vivo então é de ficar completamente absorto.

tags: ,

Lídia Gomes às 23:26
link | comentar | favoritos
Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Compota azeda

Início promissor: sala pequena, sem cadeiras, propícia à celebração que se previa, habitada por poucas centenas de devotos. Palco de dimensões reduzidas, colado à audiência. Ninguém diria que ali actuaria uma banda internacional; a coisa assemelhava-se a um ambiente de garagem, onde um grupo de amigos se lembrara de dar um concerto para a malta. Entra Bradford James Cox, ali one-man-show enquanto projecto Atlas Sound. Entra em acção, também, a acústica do cine-teatro Batalha – sofrível, desnivelada, recheada de eco. Suponho que o género de música de Cox – que não aprecio particularmente – possa ter alguma coisa a ver com a fraca qualidade de som, mas fico reticente. Sai Atlas Sound, entra o colectivo, confirmam-se as piores previsões. Som paupérrimo, soterrando a voz aquática – à falta de melhor termo – de Avey Tare e a de Panda Bear numa massa sonora mais ou menos homogénea, preenchida por um grupo de canções que funcionam por vezes brilhantemente em estúdio e que ali soam indistintas. Peacebone, Fireworks e tantas outras passam quase despercebidas – salvo os berros ocasionais de Tare –; Panda Bear visita Person Pitch com a bela Comfy in Nautica, e a coisa fica a quilómetros do potencial. Acabam o concerto, ao fim de cerca de hora e meia, sem encore, sem Feels e sem For Reverend Green, canção-mor de Strawberry Jam. No Lux só pode ter sido melhor.


Fábio Jesus às 13:47
link | comentar | comentários (6) | favoritos
Terça-feira, 27 de Maio de 2008

Por falar em HBO...

...parece que a SIC quer comprar isto. Era bem arrojado.


Lídia Gomes às 17:29
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Domingo, 25 de Maio de 2008

Perigosas

Dizem que é moda. Pode-se até questionar a originalidade. Mas a verdade é que o filão da adaptação de séries britânicas parece estar para ficar. Agora é a vez da HBO, pelas mãos de Barry Sonnenfeld (o mesmo que produz o rebuçado Pushing Daisies), que se prepara para produzir o remake de Suburban Shootout, cáustica comédia negra que por cá vai passando timidamente na SIC Radical com o nome de Donas de Casa Perigosas. Para dar vida a uma das personagens centrais desta mais ou menos descarada sátira de Desperate Hosewives vai estar Judy Greer, para sempre recordada nesta casa como a Kitty Sanchez de Arrested Development, a secretária dos Bluth que cultivava um gosto invulgar por mostrar os seus peitos recauchutados ('Say goodbye to these!'). Resta agora saber qual é a próxima vítima desta horda de adaptações. Pessoalmente gostava de ver como é que se sairiam os americanos com material mais pesado como Skins...


Lídia Gomes às 22:44
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Waits

 

Q: What’s the most curious record in your collection?

A: In the seventies a record company in LA issued a record called “The best of Marcel Marceau.” It had forty minutes of silence followed by applause and it sold really well. I like to put it on for company. It really bothers me, though, when people talk through it.

 

tags:

Fábio Jesus às 22:18
link | comentar | comentários (1) | favoritos
Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Tudo o que temos cá dentro

House's Head e Wilson's Heart, dístico com que House fecha a sua quarta temporada, não impressionam pela angústia, consternação e revolta que pairam ao longo dos episódios. Nem sequer pelas imagens fortes e tão bem esboçadas do brutal acidente que dá origem a toda a trama. Desta season finale fica a recusa de um House unidimensional, sem capacidade para crescer enquanto personagem. Nunca o médico mais rezinga da televisão pisou tanto os campos da humanidade - sim, House também arrisca a sua vida pelos outros e também chora -  e, à conta disso, nunca esteve tão vunerável e tão impotente. Este House desarmado, já sem o dom da impunidade nem o controlo da única verdadeira relação do programa só traz coisas boas à série de David Shore, algo flutuante nesta quarta temporada mas com pano para mangas suficiente para elevar a fasquia no ano cinco.


Lídia Gomes às 22:32
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Terça-feira, 20 de Maio de 2008

E, ao terceiro dia...

 

João Lopes não deu cinco estrelas a um filme de Steven Spielberg. Corridoa uma estrelinha pelo sempre interessante ainda que frequentemente exasperante crítico do Diário de Notícias, Indiana Jones and the Kindom and the Crystal Skull atinge assim a proeza de ser o primeiro filme de Spielberg no presente século a que Lopes não dá a nota máxima. Nada que afecte a expectativa que por aqui se vive; afinal de contas, confirme-se ou desminta-se a sua opinião, a antestreia de amanhã – bilhetes comprados, para muito espanto, no bolso – será sempre um momento especial.    

tags:

Fábio Jesus às 20:35
link | comentar | comentários (5) | favoritos
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Sim, ele possui visão

Para todos os que achavam que este senhor nunca tinha posto os pés num cinema ou mesmo se dignado a saber que estranho bicho é esse - eu própria tinha as minhas dúvidas - esta lista pode surpreender. E muito.

tags:

Lídia Gomes às 00:39
link | comentar | favoritos
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Isolamento

 

O que mais me espanta em In a Lonely Place é o negrume da fotografia – este não podia ter sido rodado a cores, como Johnny Guitar não o podia ter sido a preto e branco –, correspondido taco a taco pelo desencanto que percorre o argumento. Não há espaço para risos, Nicholas Ray não o permite. Sabemos desde o início, quando somos apresentados a Dixon Steele, argumentista em pleno bloqueio artístico, que a sua história não vai ter um final feliz. E Ray brinca com a nossa percepção: faz-nos acreditar que vemos um filme sobre um crime quando na verdade vemos um filme sobre um homem. Bogart, raramente melhor.

tags:

Fábio Jesus às 22:15
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

O nosso senhor é grande e...

 

...para o ano vamos poder ver mais momentos deste calibre. Obrigada CBS.


Lídia Gomes às 23:54
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Ontem, às dez

 

Faltou esta, aquela e a outra. Por aqui foi, mais uma vez, Karen. Inevitável, quando falamos de uma banda que, com dois álbuns invulgarmente consistentes – aqueles a que regressou, ontem – conquistou meio mundo. Imediatamente perdoável, no entanto, se considerarmos aquelas que efectivamente marcaram presença: a pungente explosão de Abel ou Mr. November – e que momento, aquele… – contrastou, para grande efeito, com a contenção milimétrica de Gospel (surpresa das surpresas) ou About Today. Mas o que tornou o concerto de ontem tão superior ao do ano passado em terras alentejanas (além da francamente superior qualidade do som), feitas as contas, foi o comportamento do outro principal interveniente do espectáculo. O público da Aula Magna estudou a lição e fez do concerto um momento religioso, de última comunhão, permanecendo na minha cabeça indissociável da excelência da hora e meia a que assisti. Encontramo-nos daqui a uns meses, outra vez, desta mais a Norte.

 

PS – Foto roubada, mais uma vez, à Blitz.


Fábio Jesus às 19:40
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Sábado, 10 de Maio de 2008

Artwork (2)

Avidamente consumidos nos meus tempos de mirim, a verdade é que infelizmente já lá vão os tempos do apogeu criativo dos Tindersticks. Curtains (1997) e, mormente, Simple Pleasure (1999) são exemplos maiores de como a fusão do rock com o jazz e a soul podem resultar em autênticas peças de joalharia, aliados àquela melancolia tão própria da banda de Nottingham e ao distinto barítono de Stuart Staples. Mas com o virar do século, Can Our Love... (2001) e Waiting for the Moon (2003), não sendo maus álbuns, parecem limitar-se a seguir a formula, não acrescentando muito mais à carreira dos Tindersticks. Cinco anos volvidos - pelo meio Staples dedicou-se a projectos pessoais - e pela amostra do single homónimo, The Hungry Saw parece não quebrar essa tendência. Mas nem tudo é razão para desanimo. Pelo menos para a história fica esta magnífica cover, aparentemente tão simples mas ela sim, tão Tindersticks como há 10 anos.

tags: ,

Lídia Gomes às 20:37
link | comentar | comentários (2) | favoritos
Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Criterion em Blu-Ray

 

A Criterion anunciou que começará a partir de Outubro a disponibilizar vários filmes da sua colecção em formato Blu-Ray; da amostra inicial farão parte The Third Man, Bottle Rocket, Chungking Express, The Men Who Fell to Earth, The Last Emperor, El Norte, Les 400 Coups, Gimme Shelter, The Complete Monterey Pop, Le Mépris, Walkabout, For All Mankind e Le Salaire de la Peur. Por cá, não me importava de ver o que as maravilhas da alta-definição fazem ao aspecto opressivamente monocromático do Samurai de Melville

tags:

Fábio Jesus às 23:47
link | comentar | favoritos
Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Desilusões

tags: ,

Fábio Jesus às 16:17
link | comentar | comentários (5) | favoritos
Sábado, 3 de Maio de 2008

Temos pena

Eu nem desgosto da Scarlett Johansson. É uma belissíma actriz e não sendo exactamente um esqueleto ambulante esbanja hordas de sensualidade por onde passa. Além disso é uma jovem de opiniões bem formadas e inteligentes e com um interessante gosto musical. E é exactamente desta paixão pela música que brota Anywhere I Lay My Head, álbum de covers de Tom Waits onde Johanson conta com o know-how de gente do calibre de Nick Zinner (guitarrista dos Yeah Yeah Yeahs), Dave Sitek (dos TV on the Radio) e... David Bowie. O primeiro single, Falling Down, é uma grande música. Tem uma certa grandeza e um quê de feérico da dream pop. E tem backvocals de Bowie. O problema é que a bela Scarlett canta mal. Bastante mal. E de repente uma grande música torna-se quase inaudível. É pena, porque lá sensibilidade a moça tem. Tirem as vossas próprias conclusões abaixo.

 

tags: ,

Lídia Gomes às 19:25
link | comentar | comentários (6) | favoritos
Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Se tivesse sido assim...



… não teria metade da piada. Mas talvez, e só talvez, fosse fabuloso na mesma. Ray não o faria por menos.

tags:

Fábio Jesus às 22:22
link | comentar | comentários (2) | favoritos

▪ os pornógrafos

▪ pesquisar

 

▪ posts recentes

Maio

Apichatpong, dois

As quatro voltas

Apichatpong, um

Simpatias

Filmes difíceis

O adeus televisivo de uma...

Black Swan

Re-Animator

A rainha da galáxia

▪ arquivos

Junho 2011

Maio 2011

Fevereiro 2011

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

▪ links

free tracking

▪ subscrever feeds