Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Agosto

À parte de toda a verbosidade sobre a ficção que quer ser documentário e o documentário que quer ser ficção, à parte de um das mais inspiradas e incessantes bandas sonoras de que há memória, à parte de ter visto Apocalypse Now e Indiana Jones onde provavelmente não devia ter visto Apocalypse Now e Indiana Jones, à parte do que me pareceu ser um tremendo fodam-se na direcção de produtores, produtoras, distribuidores, distribuidoras e resquícios por esse país fora, à parte de toda a auto-indulgência que por lá anda, à parte, enfim, de qualquer consideração subjectiva sobre a qualidade ou ausência dela da obra, apetece-me dizer apenas isto: Aquele querido mês de Agosto, de Miguel Gomes, é o filme com os maiores tomates do Mundo. E filmes com os maiores tomates do Mundo não se vêem todos os dias.

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Fábio Jesus às 15:24
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Sábado, 27 de Setembro de 2008

Na televisão

Parelha de luxo, hoje à noite, na RTP2: The Treasure of the Sierra Madre e Kakushi-toride no san-akunin; Huston e Kurosawa. A partir das 22.45 (assim o diz o site).


Fábio Jesus às 16:21
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Farewell, Butch

Paul Newman (1925-2008)

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Fábio Jesus às 15:58
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Sem querer parecer demasiado interventivo, mas sendo-o de qualquer forma…

… parece-me que com este título o jornalismo que a edição online da Blitz tem vindo a edificar de há uns tempos a esta parte atingiu o fundo.

 

(e acho a banda de Fred Durst tão abominável como qualquer outra pessoa)  

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Fábio Jesus às 19:14
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Sobre televisão

Há umas semanas perguntava, pouco esperançado de conseguir uma resposta que me satisfizesse, se haveria alguém em Portugal a escrever a sério sobre televisão ou, mais concretatamente, sobre ficção televisiva. Referia-me à escrita para imprensa ou qualquer outro meio de comunicação; o nosso grande jornal de referência atribui a função – discursar sobre um veículo artístico olhado com uma certa sobranceria, diga-se, como se o marasmo da televisão que temos se repercutisse exactamente na que outros têm – a um senhor que, digo eu, pouco de relevante ou particularmente interessante tem a dizer sobre a mesma. Continuo sem encontrar alguém que me encha as medidas, em termos de volume, qualidade de argumentação e conhecimento de causa, mas faço aqui uma mea culpa na direcção de alguém de quem na altura me esqueci mas que com um texto publicado ontem no respectivo blogue tratou de me relembrar que existe alguma esperança: Sérgio Dias-Branco. O post em questão e outros que, com maior ou menor frequência, vão aparecendo por lá, revelam um tipo de olhar e discurso sobre a televisão e, particularmente, sobre a televisão norte-americana contemporânea, que raramente encontro em outros lados e que por isso mesmo merece ser duplamente aplaudida.

 

E aquela citação de Resnais deixou-me boquiaberto. Jamais me passaria pela cabeça imaginar um realizador da nouvelle vague – que ainda este ano tratou de nos brindar com uma bela obra – a ver e apreciar 24. Preciso de repensar os meus preconceitos.


Fábio Jesus às 22:30
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

Maria Elena Barcelona

Impossível não sentir um leve trago a desilusão depois de ver Vicky Cristina Barcelona. Com esse suculento pedaço de cenário que é Barcelona como pano de fundo e um ensemble de respeito pedia-se muito mais à camara e à pena de Woody Allen. A estória, essa, é surpreendentemente banal, previsível, com piscadelas de olho - falhadas, note-se - a Almodovar, e a Barcelona, aquela cidade de cores, aqui enjoa de tão neutra . Mais que isso, a dita nova diva de Allen tem uma interpretação tão acomodada quanto o seu mestre, tão insossa que só mesmo o carisma da sua wing woman Rebecca Hall evita o bocejo. E no fim de contas, inesperado é mesmo perceber que Vicky Cristina Barcelona vale por Penélope Cruz e a sua Maria Elena, louca, arrebatada, o filme em si (ou o que deveria ter sido).

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Lídia Gomes às 23:53
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Domingo, 21 de Setembro de 2008

Domingo

Seria, por si só, um privilégio assistir a uma sessão de cinema na companhia de alguém cuja profissão passa por imaginar e conceber aquilo que ali é projectado. Fazê-lo na companhia do decano dos realizadores, não uma mas duas vezes, e tratando-se de City Lights, de Chaplin (com direito a apresentação pelo homenageado, por mais curta que esta tenha sido), e esse violentíssimo Il Vangelo secondo Matteo, de Pasolini, é, mais que isso, uma oportunidade extraordinária que penso não vir a ter oportunidade de repetir. Obrigado Serralves e obrigado Manoel de Oliveira.

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Fábio Jesus às 23:06
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Sábado, 20 de Setembro de 2008

Ah, a hipocrisia

O também “patrão” da SIC e do grupo Impresa, que preside ao EPC desde 2001, considera que os Estados europeus devem “limitar o tamanho” dos operadores públicos de televisão, que no futuro terão de se concentrar na transmissão de “programas de alta qualidade” – sem contarem para isso com apoios do Estado ou com taxas pagas pela população, defendeu. “Podem claramente conseguir receitas significativas se produzirem programas fora de série!”, salientou Balsemão, que falava durante uma conferência internacional sobre o futuro do serviço público de televisão.

Exemplos de “programas de alta qualidade?” “Mais programas de história natural, documentários pesquisados de forma adequada, notícias que abordem assuntos caprichosos de forma justa e séria, melhores comédias inovadoras… e menos telenovelas, ou exploração de exibicionistas vulneráveis  [em reality shows]”, afirmou o responsável máximo da SIC.

 

Francisco Pinto Balsemão a falar ao European Publishers Council, citado pelo Público de 19 de Setembro.


Fábio Jesus às 22:22
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

Pacientemente à espera do Natal

 

(Stephen Colbert e Feist em A Colbert Christmas: The Greatest Gift of All, a estrear no dia 23 de Novembro)


Lídia Gomes às 14:33
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Simon + Fontana

David Simon (The Wire) e Tom Fontana (Oz), velhos conhecidos e colegas de profissão desde os tempos de Homicide: Life on the Street, vão transformar Manhunt, livro de James L. Swanson sobre os 12 dias de busca por John Wilkes Booth após o assassínio de Abraham Lincoln, numa mini-série para a HBO. Ainda há dias me perguntava o que seria feito de Fontana, que se vem mantido mais ou menos fora do radar desde que o último episódio de Oz – que pautou o início de uma certa época de ouro da HBO – foi para o ar em 2003. A resposta chega da melhor maneira: combinação tal de talentos uma década depois pode, espera-se, resultar em algo bastante especial.


Fábio Jesus às 23:47
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2008

Simpático...

... o que já não é pouco. Fazer um disco capaz de nos fazer bem é, cada vez mais, uma tarefa hercúlea. Os Ra Ra Riot não são exactamente originais e vão, aqui e ali, de forma mais ou menos descarada, buscar influências e ritmos - é de mim ou o refrão de Dying Is Fine soa demasiadamente a First Of The Gang To Die, do senhor Morrissey? - mas nos 36 minutos de The Rhumb Line, deixam-nos com um sorriso nos lábios. Agora espera-se mais consistência, algo que vai faltando a estes sucedâneos dos Arcade Fire que vão aparecendo. 

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Lídia Gomes às 13:20
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Sábado, 13 de Setembro de 2008

Much ado about nothing

Então mas, afinal, será que Ronaldo prefere Obama ou McCain?

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Fábio Jesus às 16:17
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

the kids don't stand a chance

(e Ruby and Carlos é uma das grandes canções de amor - ou de qualquer outra coisa - deste ano:

And Ruby's in his thoughts sometimes
what thoughts can get out past the wine
he feels her fingers on his brow
and right then he misses how
she looked in that gray morning light
she never shaved like they all do now
he sees it all behind his eyes
and his hands go searching but they come up dry)

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Fábio Jesus às 22:31
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Pequenos prazeres de uma exilada em Madrid #1


Lídia Gomes às 19:34
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

Heresia #2

Reza a história que Carl Theodor Dreyer queria fazer da sua versão do julgamento e condenação de Joana d'Arc uma experiência sonora e tal apenas não aconteceu porque não conseguiu reunir os fundos necessários. La Passion de Jeanne d’Arc ficou, assim, completamente mudo (Dreyer pretendia que fosse experienciado assim; o silêncio, não duvido, agudiza a carga de porrada que o filme nos dá), até que Richard Einhorn lhe juntou Voices of Light, oratório que vem desde então sendo considerado o acompanhamento ideal à obra do dinamarquês. Eu, que não tenho a edição em DVD da Criterion do filme – que traz a composição de Einhorn – e não o quis ver em quase-silêncio (em minha defesa, o total silêncio que se pede é difícil de conseguir em casa e os cinemas cá da zona não passam filmes dinamarqueses de há uma carrada de anos), resolvi há tempos colar-lhe Stars of the Lid and Their Refinement of the Decline (Kranky, 2007), mais recente disco dos droneiros Brian McBride e Adam Wiltzie (acabo de matar meia dúzia de cinéfilos puristas e provocar urticária em inúmeros outros), e rezei pelo melhor. A experiência – porque o filme seria extraordinário de qualquer forma – revelou-se esclarecedora: a música dos norte-americanos adiciona-lhe uma dimensão extra, iguala-lhe o tom e hiperboliza o desconforto da imagem.   

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Fábio Jesus às 23:32
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Podem gozar comigo mas eu juro que gostava de estar em Portugal só para...

...ver o que é que a SIC vai fazer com essa instituição das tardes da minha infância que era A Roda da Sorte. Felizmente o apresentador é o mesmo. Sei que está na moda dar porrada no Herman (e nem toda é injustificada) mas a verdade -  e aquele programa que pôs uma data de gente a brincar ao Singstar prova-o - é que o rapaz continua infinitamente melhor a apresentar os chamados programas de variedades do que talhado para talk show host. Senão, vejam um dos melhores momentos de televisão que esta vossa escriba já teve a oportunidade de ver. 

 

N.B - Tenho cá para mim que esta foto é bem capaz de ser das melhores fotos da história dos Pornógrafos. Só suplantada pela dos Morangos...

 


Lídia Gomes às 17:56
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

Heresia #1

Aquando da nova do furacão Gustav e do seu potencial destruidor, e após dissipado o efeito outra vez?, o lado não-tão-humanístico de mim perguntou-se que consequências teria uma eventual catástrofe em Treme, projecto de David Simon e Eric Overmyer para a HBO sobre músicos (como The Wire é sobre polícias, se me faço entender) na Nova Orleães pós-Katrina, a ser rodado na cidade, como incentivo à economia local.  O furacão, felizmente, já passou; a questão subsiste.


Fábio Jesus às 23:36
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Ponto Alternativo

Chama-se Ponto Alternativo e é um novo espaço dedicado à música alternativa nesta infindável blogosfera. Este novo espaço, coordenado entre outros por alguns amigos cá do tasco, promete falar da música enquanto catalizador social e cultural. Segundo os próprios, o Ponto Alternativo vai "abordar a música tentando preencher algumas lacunas com as quais os sites e a imprensa especializada não se preocupam (enquadramento social da música, bandas com menos expressão mediática, evitar especialização em géneros musicais e tentar abordar cada um deles da forma mais profunda possível, etc.)". Bom início de viagem, então!

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Lídia Gomes às 22:48
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Mourinha, literalmente

Não vou à bola com o Jorge Mourinha por duas razões. Primeiro, porque o seu nome, por proximidade, traz-me sempre à cabeça o Jorge Mourato e consequentemente o monte de esterco que é toda a ficção televisiva portuguesa (sabe quem me conhece que não gosto de absolutos, pelo que dou aqui um pequeníssimo benefício da dúvida a Conta-me como foi, programa da RTP1 de que ouço coisas boas mas nunca vi); segundo, pelas suas dúbias capacidades enquanto crítico e pensador do cinema e da televisão (sobre a qual lá vai escrevendo umas brincadeiras diariamente; a propósito: haverá alguém a escrever a sério sobre televisão em Portugal?) e até enquanto escritor, mormente num jornal da importância e responsabilidade do Público. No Ípsilon da passada semana, numa caixa anexada ao artigo de Nuno Amaral sobre José Mojica Marins em que fala do cinema de terror francês da actualidade e da sua representação no MOTELx, Mourinha lança a seguinte maravilha: “O único filme francês desta geração que mereceu estreia em sala foi “Eles” (2005), de David Moreau e Xavier Palud (literalmente “lançado às feras”, sem divulgação) (…)”. Ora, diz-me o dicionário online da Priberam que o substantivo “fera”, literalmente, significa “animal bravio e carniceiro”. Se houve algures neste país uma sessão, ainda que não divulgada, em que se lançaram cópias de Ils às hienas (suponho) e isso não fez notícias, estamos pior do que imaginava.

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Fábio Jesus às 20:13
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Los Nuevos Pornógrafos

Pois é, a partir de hoje e durante os próximos meses, uma parte desta nossa-vossa casa será redigida via-Madrid (com frequência ainda a avaliar). Mas não vos preocupais, não falarei aqui da família Iglesias ou dos trambolhões de vencedores da Operação Triunfo. Para isso têm sempre a Hola. Se tudo correr bem, Os Novos Pornógrafos em nada mudarão. Ficarão, vá, apenas um pouco mais cosmopolitas.  

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Lídia Gomes às 17:34
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