Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

A canção pop

É já em Setembro, para o Verão não acabar. O single Here To Fall ainda não convence nem faz jus ao nome do álbum. Mas pela capa Popular Songs é o It's a Blitz da rentrée.

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Lídia Gomes às 23:45
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Isto promete

Detalhes e o auspicioso alinhamento aqui.

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Fábio Jesus às 19:10
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Domingo, 26 de Julho de 2009

A propósito do post anterior, parece-me apropriado colocar aqui o excelente ensaio que David Bordwell escreveu por alturas do lançamento da edição Criterion do filme de Ozu. A tradução é minha.

 

 

Quando Viagem a Tóquio foi lançado em finais de 1953, as audiências Ocidentais começavam a ser expostas ao cinema japonês. Akira Kurosawa havia despontado com Rashomon três anos antes, e Kenji Mizoguchi juntava-se à linha da frente da cena dos festivais internacionais. Em 1955, Jigokumon, de Teinosuke Kinugasa, ganharia dois Oscars da Academia. A altura teria sido propícia para a chegada de um tipo muito diferente de filme japonês ao palco global. No entanto, Ozu continuou desconhecido no estrangeiro, principalmente porque aqueles que tomavam decisões consideravam-no “demasiado Japonês” para ser exportado.

 

Ainda que outros filmes de Ozu fossem mostrados esporadicamente na Europa e no Reino Unido, foi Viagem a Tóquio que quebrou a barreira. Houve projecções aqui e ali a meio dos anos 50, um prémio do British Film Institute em 1958, e programas de projecções organizados por Donald Richie e outros programadores empreendedores. Até que, em 1972, o filme estreou em Nova Iorque, coincidindo com a publicação de Transcendental Style in Film, de Paul Schrader, e conquistou os corações de críticos influentes. Quando Ozu, de Richie, foi publicado, dois anos depois, os críticos aperceberam-se de que este sereno cineasta era um dos maiores artistas do cinema. Nas votações de críticos internacionais de 1992 e 2002 da revista Sight and Sound, Viagem a Tóquio foi eleito um dos dez melhores filmes de sempre.

 

A forma errática como este filme entrou na cultura cinematográfica pode fazer-nos suspeitar que o seu sucesso é acidental. Com certeza Banshun (1949) e Bakushū (1951), para citar apenas dois exemplos, não são menos excelentes? O próprio Ozu indicou uma reserva: “Este é um dos meus filmes mais melodramáticos”. Ainda assim, Viagem a Tóquio é uma notavelmente repleta introdução ao seu mundo distinto. Contém em miniatura muitas das qualidades que encantam os seus admiradores e levam audiências, independentemente da distância, às lágrimas.

 

Há, antes de mais, a história mundana. Ozu e o seu argumentista, Kogo Noda, centraram frequentemente os seus argumentos no casamento de uma filha, situação à volta da qual as vidas de um rol personagens podiam ser reveladas. Mas Viagem a Tóquio não possui nem esta minimal linha de argumento; leva ao limite a fé de Ozu de que a vida quotidiana, mostrada de forma eficaz, contém acção mais que suficiente para nos motivar profundamente. Um casal idoso sai da minúscula vila de Onomichi para visitar os filhos e netos. Inevitavelmente, importunam os hóspedes; inevitavelmente, sentem-se culpados; inevitavelmente, os filhos negligenciam-nos. Ao longo da viagem, os velhos apercebem-se das virtudes e vaidades dos seus filhos. Na viagem de regresso, a mãe adoece e, pouco depois, morre.

 

Este arco de acção esconde uma forte e engenhosa estrutura. Após deixarem a filha mais nova, Kyoko, para trás, vemos os Hirayamas a visitarem os filhos por ordem descendente de nascimento. Primeiro, ficam com Koichi e a sua família, depois com Shige e a dela, depois com Noriko (que casou com o seu terceiro filho), e finalmente com o jovem Keizo, em Osaka. Fora de cena, visitaram primeiro Keizo, quando a caminho de Tóquio, mas Ozu e o seu argumentista, Yoshikata Yoda, retratam apenas a sua passagem durante a viagem de regresso – em parte para nos permitir criar expectativas sobre o quão acolhedor será o seu filho mais novo, mas também para respeitar a estrutura da árvore genealógica. (Ozu havia experimentado este mecanismo no seu primeiro filme sobre uma extensa família, Todake no kyodai [1941].)

 

Esta estrutura pareceria demasiado arrumada se não estivesse cuidadosamente soterrada sob uma riqueza de detalhes e discurso, da energia frenética dos netos (um assobia o tema de Stagecoach, de John Ford) à melancolia dos idosos, afligidos pelos falhanços dos filhos. Várias vezes, traços de personalidade emergem através de comparações concisas. A empresária, Shige, é intransigente o suficiente para levar na mala um quimono de funeral para a viagem para casa, mas nunca ocorre a Noriko que Tomi morrerá, logo ela não está preparada. Quem pode dizer qual mulher é mais virtuosa? Jane Austen, Anton Chekhov – estes são os artistas que vêm à cabeça quando confrontamos uma história contada através de tão delicadas revelações de temperamento e estados mentais. E, no entanto, não há nada de brando no tacto de Ozu; este adquire uma rigorosa precisão. “Que prazer,” reflecte Tomi, “dormir na cama do meu filho falecido.”


Fábio Jesus às 18:27
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(continuação)

 

Viagem a Tóquio exemplifica também o estilo único de Ozu – baixa altura de câmara, cortes de 180 graus, virtualmente nenhum movimento de câmara, e planos ligados através de pedaços de espaço sobrepostos. Em cenas de diálogo Ozu recusa afastar-se da personagem que fala; é como se todas as pessoas tivessem o direito de serem ouvidas na totalidade. Outros filmes usam as suas técnicas distintas mais divertidamente, mas aqui ele parece primariamente focado em criar um mundo sereno contra o qual as personalidades das suas personagens se destacam. 

 

A mesma atitude delicada aparece numa recusa em inclinar as escalas. Seria fácil sentimentalizar Shukichi, por exemplo, mas quando ele regressa bêbado, cambaleando, do seu reencontro, Shige comenta que ele voltou aos velhos hábitos. Fica implícito que as suas bebedeiras outrora causaram problemas familiares. (Isto tem ressonância após a morte de Tomi: “Se eu soubesse que as coisas chegariam a este ponto, teria sido mais amável com ela.”) A bondosa Noriko confessa esquecer-se ocasionalmente do marido morto, medindo-se contra um padrão cruelmente alto. Da mesma forma, a maior parte dos irmãos não são profundamente egoístas, apenas ocupados e embrenhados na vida que criaram para si próprios. Mesmo Shige, que a audiência Ocidental é inclinada a condenar, surpreende-nos com o seu súbito, copioso, profundamente sincero ataque de lágrimas aquando da morte da mãe; e os seus traços mais severos são mitigados pelo facto de ela ser interpretada por Haruko Sugimura, uma das mais adoradas actrizes do Japão.       

 

Graças ao compassivo distanciamento de Ozu, as cenas finais contêm uma enorme riqueza emocional enquanto vemos as personagens contemplarem os seus futuros. Noriko, sorridente, diz a Kyoko que “a vida é desapontante”; Shukichi assegura a Noriko que esta deve voltar a casar; a vizinha avisa jovialmente Shukichi que agora ele estará sozinho. Mas as importantes revelações são temperadas pela ressonância poética de acções e objectos quotidianos. Shukuchi contempla um belo nascer do Sol – significando um novo dia vigorosamente cuidado de quimonos. Um vulgar relógio de pulso liga mãe, filha e genra numa linhagem de sabedoria feminina ganha com esforço. E o rugido de um comboio vai morrendo, deixando apenas a vibração de um barco na baía.   

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Fábio Jesus às 18:26
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Este país não é para velhos

O que impressiona mais em Tokyo Monogatari (1953) nem é aquela estética, tão própria, a câmara tão certa, quase estática (alguém lhe chamou calma, se calhar é isso), onde tudo parece estar no lugar. Nem a morte em si. O que realmente comove é aquele casal, aqueles velhotes esquecidos, empecilhos na grande metrópole onde eles não têm lugar. Esta estória de Tóquio é uma estória de angústia e mágoa, latentes e pungentes nas duas horas que a obra maestra de Ozu dura, onde só Noriko, a diligente nora, se parece importar. Setsuko Hara, ela, a musa de Ozu, porque o fazer de boazinha também pode ser arte.

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Lídia Gomes às 00:10
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Sábado, 25 de Julho de 2009

O homem sem nome

 

(…) Quando cheguei a Itália em 1963, havia em Roma uma verdadeira colónia americana. Encontrávamo-nos na Via Veneto e divertíamo-nos. Ninguém me conhecia. As pessoas que me podiam conhecer eram ingleses ou americanos, que tinham visto “Rawhide”, que na altura ainda não tinha passado na Europa. Era portanto muito simpático ser anónimo e poder treinar observando pessoas que estavam bastante soltas na altura.

Depois parti para Espanha, com Sergio. E no fim da rodagem tive que voltar aos Estados Unidos para retomar a série. Praticamente não voltei a pensar nesta aventura. Ao ponto de me contentar a dizer às pessoas que me falavam dela: “Sim, fiz esse filme”, sem mais. Tinha retomado a minha vida habitual.

Um dia, mais ou menos seis meses depois da rodagem, a revista Variety anunciou em primeira página a morte dos westerns europeus. Eu disse a mim mesmo “Boa! E eu que acabei de fazer um!” Algumas semanas mais tarde a Variety dedicou outro artigo a um western intitulado PER UN PUGNO DI DOLLARI, genial, opinião geral. O título não me dizia muito. O artigo não mencionava a minha existência e durante a rodagem o filme ainda se chamava “Il Magnifico Straniero”, “o estrangeiro magnífico”. Enfim, a Variety publicou um grande artigo sobre este acontecimento: POR UM PUNHADO DE DÓLARES, no papel principal… Clint Eastwood! Foi então que me dei conta que se tratava do filme em que tinha entrado. Dois dias depois, os produtores ligaram-me para saber se queria fazer outro. Não tinha tido nenhuma notícia deles desde a rodagem. Nem uma palavra. Tinham-me esquecido completamente até ao momento em que o filme se revelou um sucesso. No fundo, estavam convencidos que eu não dava nada. Estavam convencidos que o tipo da cigarrilha era demasiado reservado. Não tinham percebido nada do que eu tinha tentado fazer. Mas Sergio tinha percebido perfeitamente. Também não se entendia lá muito bem com os produtores.

 

Clint Eatwood em entrevista a Serge Toubiana e Nicolas Saada (2000). Tradução de Margarida Sousa em Clint Eastwood, Um Homem com Passado (Cinemateca, 2008).

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Fábio Jesus às 20:10
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Terça-feira, 21 de Julho de 2009

A contenção é a grande qualidade de Let the Right One In. Temos a cabeça de tal forma formatada pelos valores do terror hollywoodesco recente que ficamos constantemente à espera do susto fácil, de um movimento brusco de câmara, da montagem desenfreada e sem qualquer ligação com o sentido das coisas. Em vão. A câmara de Tomas Alfredson mantém-se quase sempre distanciada (repare-se na sua colocação aquando do primeiro “ataque” vampírico), racional, quase fria. Nos antípodas daquela, portanto. Sem artifícios de maior – um travelling aqui, um contra-picado ali, mas tudo muito esparso e sem cair no pedantismo boçal. Vale a pena aplaudir; isso e a forma como o sueco pega num género eminentemente negro e o pinta de um branco feérico, tanto mais impressionando quando ocasionalmente matizado em tons de vermelho.

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Fábio Jesus às 17:29
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Sábado, 11 de Julho de 2009

Os de referência

Dez meses depois volta-se a Portugal. Finalmente pode-se ver o mar com mais frequencia, bebe-se bom café e a comida de casa sabe como nunca. Há coisas que não mudam. Para o bem e para o mal. Porque abre-se a revista Única do Expresso da última semana e às tantas, enquanto se pergunta a Pedro Adão e Silva a sua música ou interprete preferido, aparece um 'Mountain Goats', de John Darnielle como se de repente Mountain Goats fosse o nome de alguma música de John Darnielle e não o nome da sua banda. Pior, a crítica ao superlativo Veckatimest dos Grizzly Bear no Ípsilon Online é erro atrás de erro. Mario Lopes refere Veckatimest como o segundo álbum dos Grizzly Bear (antes de Yellow House de 2006 houve Horn of Plenty de 2004), Southern Point transforma-se em 'Southern Front' e a Ready, Able o Ípsilon rouba a segunda parte para um resumido e conciso 'Ready'. A crítica (a minha) não é gratuíta, é que parece que o Ípsilon tão-pouco lê os comentários dos seus leitores...

(e por falar em Grizzly Bear, e mesmo considerando a relatividade dos meus absolutos, Ready, Able é a música do ano)

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Lídia Gomes às 22:34
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Tópicos irrelevantes


Beck: It's true. I think the last song standing will probably be "Happy Birthday."
 Tom Waits: I'm sure it will be. It's terrible, but I guess songs are just interesting things to do  with the air.
 Beck: There's sort of a planned obsolescence or something. That's just part of it.

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Fábio Jesus às 20:12
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Sábado, 4 de Julho de 2009

The greatest fait-divers ever told

A história – uma tragédia em três partes – que se conta no documentário Dear Zachary: A Letter to a Son About His Father é tão espantosa, tão fora desta realidade (mesmo sendo, obviamente, factual) e um tão incrível atestado de incompetência à Justiça norte-americana – especialmente à canadiana, mas still – numa altura em que sobre ela chovem louvores por parte de certas figuras da nossa praça, que tende a fazer esquecer os maneirismos irritantes com que o realizador Kurt Kuenne a conta. Acabamos por desculpar-lhe os excessos; reconhecemos que este é um daqueles casos em que o conteúdo se impõe à forma e que o aspecto artesanal – na acepção pejorativo da palavra, entenda-se – da coisa radica da sua gestação intermitente e pejada de incertezas. Torcemos o braço ao aspecto home-made de tudo aquilo porque tudo aquilo foi quase, de facto, feito a partir de casa. Atiramos tudo isso para o lado e concentramos a atenção na bizarria buñueliana do lado puramente informativo do filme. E esse lado, o mais jornalístico e, por assim dizer, documental, vale a pena. Mesmo que saiba a pouco.

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Fábio Jesus às 20:34
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Pensamento aleatório ao som de 4'33

O nome da mais recente telenovela da TVI - Sentimentos - representa um claro esforço, por parte da estação cujo director felizmente não foi deposto, no sentido de atingir, para que não restem dúvidas, a suprema auto-explicação. Melhor, melhor só se se chamasse Monte de Merda.


Fábio Jesus às 20:26
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