Domingo, 27 de Setembro de 2009

Eleições legislativas

Vou votar no Bloco do Eu Sozinho.

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Lídia Gomes às 12:46
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

 

(…) Pero un específico, espléndido detalle ausente coloca Los límites del control directamente en confrantación y por encima de Malditos bastardos. El código de acción violente y de suspense de Tarantino se expresa por sí solo, sobre todo, en su minuciosa obsesión com las entradas y las salidas: como sus asesinos entran y salen del sótano de un bar o de una sala de cine. Pero el solitario samurái de Jarmusch solo necesita mirar com calma a un edificio militar norteamericano de alta seguridad para penetrar instantaneamente en él: como un fantasma, aparece entre sus paredes, y después, de la misma manera, escapa, desaparece, huye. (…)

 

O Adrian Martin é que a sabe toda: The Limits of Control vale, acima de tudo, por aquela assombrosa elipse que faz a personagem de Isaach de Bankolé, qual super-herói (ou fantasma, mas sempre algo sobrenatural), estar num primeiro plano a observar, ao longe, o tal edifício militar rodeado de militares e dispositivos de segurança e no seguinte aparecer sentado, imaculado e destilando cool, frente a Bill Murray. Lembra Hitchcock; lembra aqueloutra elipse, no início de Vertigo, quando James Stewart sobrevive sabe-se lá como a uma queda potencialmente fatal e o mestre inglês despega definitivamente o filme da realidade e parte para o delírio que se lhe segue. E quase faz esquecer os tiques mais ou menos artísticos a roçar o pedantismo com que Jarmusch havia minado o filme em cenas anteriores.

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Fábio Jesus às 22:05
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Maybe we can

 

Asfixia democrática, asfixia democrática, em todo o esplendor contraditório da expressão – não que alguém, salvo salutares excepções, nem mesmo na comunicação social, pareça por estes dias particularmente preocupado com a gramática – é terem feito corresponder o Porto-Sporting com o chamado "dia de reflexão". Como se alguém, perante partida desse calibre, se preocupasse em “reflectir” sobre pormenores de inferior importância como são a política ou o destino do país. Dos males o menor: se Porto ou Sporting jogassem, em vez de entre si, com o Benfica, correríamos o risco de haver, no domingo, seis milhões [sic] de portugueses a votarem num estado de euforia renovada e desejo de continuidade ou, ao invés, de profunda desilusão e apetência pela mudança.

 

(reparem como a imagem acima se adequa perfeitamente à situação: tanto opressor como oprimido ou, se quisermos, asfixiador e asfixiado, parecem em estado igualmente funesto; e tanto opressor como oprimido, apesar de separados e de se odiarem mutuamente, acabam, ao fim ao cabo, por formar um só corpo.)


Fábio Jesus às 20:10
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Diálogos e a janela

Pergunto-me: tem Inglourious Basterds seguido uma montagem mais, digamos-mos, ortodoxa, seria o resultado menos ousado mas mais harmonioso? Talvez. A divisão por capítulos, parece-me, ‘mata’ algumas personagens (o Archie Hicox de Michael Fassbender poderia ter sido tão mais) e os dois mais longos diálogos do filme funcionam de forma bem distinta: a cena inicial, quando Hans Landa visita a pradaria francesa para fazer jus ao seu apodo, é uma autêntica bomba-relógio, chega a ser extenuante para quem espera aquele olhar, aquele movimento que tudo vai despoletar; já o meeting na taverna arrasta-se sem crescendo e o desfecho é quase previsivelmente abrupto. Mas nem todos somos Christoph Waltzs. O que não significa que não tenha gostado de Inglourious Basterds, bem antes pelo contrário. Tarantino é singular e entre acção desbragada, a carambola histórica e pozinhos de humor certeiro lá aparecem imagens de rara sensibilidade. Aquele grande plano em que Shosanna olha pela janela do seu cinema, na noite da vingança, e a sua imagem aparece reflectida outra vez, e depois outra vez e outra vez é das coisas mais bonitas que vi numa sala de cinema em muito, muito tempo. E isso faz qualquer filme.

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Lídia Gomes às 02:42
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Gold newz

Ou: a reunião dos Pavement.

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Fábio Jesus às 19:07
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O grande problema do novo programa dos Gato Fedorento é que, sabendo que a Impresa não é a Viacom, a SIC não é a Comedy Central e o RAP, apesar das suas muitas qualidades e de ainda estar a habituar-se ao papel de falso jornalista rodeado por “correspondentes” incompetentes, também não é o Jon Stewart, eles continuam, mais que “inspirados” pelo Daily Show, a tentar sê-lo. Assim não dá.


Fábio Jesus às 15:54
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Domingo, 13 de Setembro de 2009

Primeiros dias de renhónhónhó

Tentei, mas – e ao contrário do mundo em geral, crítica em particular – não consigo achar o novo dos Noah and The Whale mais que péssimo. Estamos a falar de três quartos de hora de queixinhas em modo ‘garfo em ardósia’, de um tipo que resolve participar ao mundo a sua dor de corno numa travessa de grandiloquência oca e lírica bacoca. E pensar que João Lisboa, que enquanto crítico muito prezo, afirmou que este The First Days of Spring reduz os Arcade Fire à sua insignificante dimensão, chega a doer.

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Lídia Gomes às 21:29
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Sábado, 12 de Setembro de 2009

O Mundo que há-de vir

Pitchfork: How's it going?

John Darnielle: I'm doing pretty good. Actually, I don't know if you're aware of this-- the album leaked today.

Pitchfork: I was not aware of that.

JD: Yeah. A few years ago that would have been, [gruff voice] "Oh no." But I live in the real world. It kind of takes a little pressure off when the album leaks.

Pitchfork: So are they going to start selling it online early or anything?

JD: No, no. Any thoughts I have about that stuff are just clod-talk. My stance on that stuff is that I have all sorts of weird ideas, and if I say something and somebody wants to run with it, that's cool. But I pretty much just focus on making the records-- unless I'm self-releasing them, then I do my own thing. But at some point, you have to stop worrying about chains of distribution or it takes out of your time to write.

Pitchfork: Have you been getting a lot of texts about the album today?

JD: Yeah. [laughs] There's a person in my chat list-- I don't know who they are, they only appear by screen name, but the chorus to the second song of the album suddenly popped up as their status. [laughs] "Oh, well, I'll be damned. It must be out there."

Pitchfork: That's one way to find out.

JD: It was pretty funny. What's funniest for me is to see the evolution. I seriously used to be crestfallen when a leak would happen. And I could still probably get into this frame of mind, but I used to really, really want people to experience the thing as a whole. That's what I used to enjoy so much: Bringing a record home, having it arrive in the mailbox. Having the whole experience of hearing it as you're holding it and looking at it and reading the liner notes, if they're anything. My liner notes are more sparse these days, but they're still something I work on. Instead of just raw data coming at you through the distraction of whatever else you're looking at on the screen, and so on and so forth.

All that, at this point, is a romanticized past. It's real cool to have love for those experiences, but it's kind of ridiculous to demand that everyone must experience what music was like for me as a child. That would be dumb, to think that.

 

Na restante entrevista Darnielle fala de religião, da sua religião e, particularmente, da religião em The Life of the World to Come. Vale a pena ler.

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Fábio Jesus às 19:58
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Boa notícia

Esta.


Lídia Gomes às 12:05
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

I can't even spell "Mississippi"

Sou um grande descrente naqueles objectos que consistem numa arte a tentar passar-se por outra. É por essa razão que, por exemplo, o The Tales of Hoffman é de entre os filmes d’Os Arqueiros o que menos aprecio e que creio que os chamados filmes-concerto, além da contradição que lhes está no nome, e mesmo pelas mãos de gente tão recomendável como Scorsese, só podem agradar a quem nunca tenha realmente estado num concerto e não saiba que a melhor emulação é (quase) sempre inferior ao original. Dito isto, ando viciado numa canção que, pelo menos tangencialmente, se inscreve nessa categoria: chama-se The Booklovers, é a terceira faixa do disco Promenade (1994), dos Divine Comedy, e consiste essencialmente num declamar de nomes de escritores, maioritariamente de língua inglesa, cada um seguido de uma pequena frase mais ou menos ligada à sua obra. Há qualquer coisa de poético naquele James Joyce que se segue, sub-repticiamente, ao primeiro refrão, no tão apropriadamente gritado “What do you want from me?” que corresponde ao nome de Franz Kafka ou na forma como o timbre da voz de Neil Hannon vai oscilando quando lista as irmãs Brontë.    


Fábio Jesus às 21:01
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Domingo, 6 de Setembro de 2009

Humildade

Se já se questionou nestes termos, sabe que elemento essencial falta na sua vida?


Glória. Há um grau de grandeza que nunca consegui atingir. Sabe, é daquelas coisas que já me incomodam vai para algum tempo. Já fiz muitos, muitos, muitos filmes, mas atingir a mais autêntica das grandiosidades é algo que me tem iludido. Incomoda-me imenso. Claro que uma pessoa tenta sempre ser genial, mas... Diria que é esse o ingrediente que me falta. Isso e ter ouvido para a música.


(...)


Mas quando diz que se sente incomodado por ainda não ter atingido o estatuto de grande autor, como é que isso se manifesta?


Incomoda-me no sentido em que, ao final da noite, preferia ir para a cama sabendo que tinha conseguido fazer algo excepcional. Adoraria que os meus filhos pudessem, um dia, ir a um museu ou a uma cinemateca e ver os meus filmes serem comparados à obra do Kurosawa ou do Bergman. Mas não sinto que mereça essa paridade. Não acredito que a minha obra possa fazer parte de um festival de cinema que inclua apenas os maiores. Isso incomoda-me, mas também não deixo que me incomode o tempo todo. Já percebi que a prova de excelência nunca vai acontecer. Já fiz as pazes com tal realidade. Estou consciente de que tive várias oportunidades para produzir uma coisa grandiosa,e, se nunca foi possível, é porque não sou capaz. A culpa é toda minha.


Woody Allen à Única desta semana.

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Lídia Gomes às 23:57
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Quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Reentrada

Acaba a época pateta (que valeu num destes fins-de-semana uma óptima crónica a Pedro Mexia) e entramos num Setembro que, se não seria um mês vulgar por pautar o regresso a uma certa “normalidade” muito induzida pela comunicação social, muito menos o é porque há eleições no dia 27 (e no dia 11 do mês seguinte também, mas dessas fala-se pouco) e convém fazer correr a tinta que ainda se mantém reservada. Ao terceiro dia, a primeira grande história. Acho engraçada a forma como a oposição do ainda Governo desculpa os constantes atropelamentos do código deontológico do jornalismo da agora demissionária direcção de informação da TVI com o “estilo” ou, melhor ainda, a “liberdade de expressão e de informação”, como se o tal código, cuja infracção não acarreta consequências legais, valesse menos que o dos médicos ou o dos advogados e pudesse portanto ser espezinhado a bem da “democracia”. A oposição, qual cão raivoso à espera de ser alimentado, tratou já de imputar ao Governo, directa ou indirectamente, toda a responsabilidade pelo sucedido sem, obviamente, provar seja o que for (e não quero com isto tomar o lado do PS, só dar-lhe o benefício da dúvida; de resto, o repúdio do primeiro-ministro pelo quarto canal sempre me pareceu, mais que uma “má convivência com a liberdade de expressão”, uma das suas grandes provas de racionalidade), e José Pedro Aguiar-Branco, como lhe convém, veio até dizer que “Portugal e a democracia estão de luto”. A mim, e até que se prove a existência de qualquer foul play, parece-me que, por outro lado, há razões para festejar. Muito.


Fábio Jesus às 18:26
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Considerações de Verão

Two Lovers acaba e a vida é mesmo assim. Às vezes querer não é poder. O novo dos The Dodos parece tudo de bom. The xx a marcar o ritmo da rentrée. E Mad Men continua a ser a melhor coisa que a televisão nos tem para oferecer. Morreu a silly season, viva a silly season.


Lídia Gomes às 14:04
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