Terça-feira, 7 de Agosto de 2007

Música para multidões



Pertenceu aos suecos I’m From Barcelona (foram vinte e poucos os que marcaram presença no palco principal do festival, já que nem todos os vinte e nove membros da super-banda escandinava puderam vir a Portugal) um dos melhores espectáculos de um Sudoeste que acabou por se revelar tão perdulário como o desequilibradíssimo cartaz fazia prever. Aliando o seu pop simples e despretensioso a um delicioso arraial visual que incluiu balões, bolinhas de sabão, confettis e coreografias improvisadas, o grupo liderado por Emanuel Lundgren encantou os presentes com um concerto no qual a forma se superiorizou à substância – no cinema, seria um feliz cruzamento entre Tarantino e Walt Disney.


Esta foi, diga-se, uma das minhas duas solitárias incursões pelo palco principal – o resto do alinhamento, com a possível excepção de The Streets e James (que fui obrigado a sacrificar) não compensava, de maneira nenhuma, o esforço. A outra foi para ver Albert Hammond Jr., mais pela curiosidade de observar o Stroke ao vivo do que propriamente pela admiração do seu trabalho, que desconhecia quase na totalidade. Os escassos trinta minutos de actuação constituíram uma agradável surpresa, sendo notória a influência da banda nova-iorquina no trabalho a solo do seu guitarrista.


No palco secundário, o cenário foi outro. Entre surpresas (os britânicos Guillemots deram um óptimo espectáculo, contrariando a tendência mais calma e portanto não tão propícia a actuações em festivais que a maioria das faixas de Through the Windowpane induz), confirmações (Kevin Barnes e os seus Of Montreal foram responsáveis pelo único concerto do festival que, em termos de impacto visual, se aproximou do dos I’m From Barcelona, recheado de teatralidades) e desilusões (o calmíssimo som dos Camera Obscura é muito mais aconselhável em recintos fechados…), o saldo foi francamente positivo: Tiago Bettencourt, Wraygunn, Sondre Lerche e …And You Will Know us by the Trail of Dead foram responsáveis por alguns dos melhores momentos do festival e Patrick Wolf mostrou o rabo e criticou o pensamento norte-americano – que mais se poderia pedir?


Para mim, no entanto, todo o festival funcionou como um massivo build-up para o concerto do único grupo de foras-de-série do cartaz: os The National. Matt Berninger e companhia tocaram muitas músicas de Alligator e Boxer, os dois últimos discos, e, não obstante o estado periclitante do vocalista e a fraca qualidade de som (a pedir um concerto em nome próprio…), que tornou difícil perceber o poderoso barítono de Berninger, destilaram poder em formato sonoro, particularmente em faixas como Mistaken for Strangers, Lit Up, Daughters of the Soho Riots ou Mr. November. No fim, a cereja no topo do bolo – tive oportunidade de perguntar a Matt Berninger o porquê de raramente tocarem a brilhante Karen em concerto. Disse-me que a tocam por vezes, mas raramente, e ficou prometida para uma próxima vez.


Fábio Jesus às 22:09
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1 comentário:
De Ginha a 9 de Agosto de 2007 às 02:16
Foi a coisa mais fofa de todos os tempos :)
Também gostava que o concerto do Albert Hammond Jr. fosse maior um bocadinho, bem merecia ;)
E para mostrar que concordo contigo em relação aos concertos, aqui vai o meu top 5 :) :
1- I'm from Barcelona; 2- Patrick Wolf; 3- Of Montreal; 4- The National e 5- Guillemots. ;)

Beijinho **


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