Sábado, 8 de Setembro de 2007

Amigos



Acabei, finalmente, de visualizar a décima e última época de Friends, a incontornável sitcom de David Crane e Marta Kauffman, e um enorme vazio apoderou-se de mim. A ideia de que possivelmente nunca mais poderei ver um episódio novo de Friends é simplesmente demasiado difícil de conceber.


O humor de Friends nunca teve a inteligência diabólica de Arrested Development ou a ironia mordaz de The Office, e nunca, por um momento, necessitou delas para ter sucesso. O seu maior trunfo foi sempre outro: um sexteto de personagens tão intensamente apaixonantes, tão simples e únicas, tão icónicas, que por si só carregariam qualquer série às costas. Ao longo dos anos, essas personagens cresceram, iniciaram e acabaram relações, saltaram entre empregos e viveram aventuras memoráveis, mas nunca se separaram e nunca deixaram de, no fundo, serem as mesmas pessoas imperfeitas mas ainda assim imediatamente adoráveis do início. Pelo meio, geraram um leque impressionante de running gags – os divórcios de Ross, o sarcasmo na ponta da língua de Chandler ou o How you doin’? de Joey – e imprimiram a sua marca na cultura popular como poucas.


Quando comecei a ver Friends, já há algum tempo que a série havia terminado a sua emissão original. Como tal, posso apenas imaginar como terá sido conviver com a mesma semanalmente, durante dez anos, desde o seu início, em 1994, até o final em 2004, e como terá sido difícil para os que o fizeram abandonar as personagens cujas vidas acompanharam durante uma década. Vi toda a série num período de pouco mais de um ano, durante o qual Friends se transformou de curiosidade em vício compulsivo – de tal forma que nutro um grande carinho mesmo pelas menos fortes últimas épocas, que culminaram numa algo decepcionante series finale. Porque nunca foi nem nunca será feito nada como Friends. Porque Jennifer Aniston, Courteney Cox, Lisa Kudrow, Matt LeBlanc, Matthew Perry e David Schwimmer nunca deixarão de ser Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross. E porque todos eles serão também, para sempre, meus amigos.


Fábio Jesus às 03:21
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12 comentários:
De Pedro a 8 de Setembro de 2007 às 09:18
Sem dúvida uma das melhores series de sempre...


De Ginha a 8 de Setembro de 2007 às 16:54
Adoro, adoro, adoro :)
Já vi alguns episódios que passaram na 2, mas ainda só vi as 2 primeiras épocas completas, por isso ainda tenho muito Friends pra ver ;)

Parabéns pelos destaques :)

****


De Goncalo a 8 de Setembro de 2007 às 17:02
Sinceramente, discordo. Sempre me pareceu uma autêntica soap opera das sitcoms. Nunca trouxe nada de novo à comédia. Muito longe de qualquer britcom minimamente decente, e mesmo em comparação com outras sitcoms americanas, a anos-luz de Seinfeld, esse sim, revolucionário (aliás, à boleia de quem conseguiram finalmente atrair alguma atenção, vindo depois a ocupar o slot dele no horário nobre da NBC quando o Seinfeld decidiu que era altura de parar - o que acabou por justificar o prolongamento da série nas citadas 'menos fortes últimas épocas' para aproveitar esse slot, mesmo quando já nada mais tinha para dar).

O princípio básico de 'Friends'? Meter pessoal bonito no horário nobre da TV. E repetir, até à exaustão, fórmulas usadas e abusadas por outros. Aliás, as personagens são tão estereotipadas que para mim sempre foi muito difícil ganhar qualquer tipo de empatia por qualquer uma delas.


De Fábio Jesus a 8 de Setembro de 2007 às 18:39
São opiniões. É óbvio que Friends não teve o impacto cultural de Seinfeld, mas é inegável que também produziu a sua quota parte de influências, mesmo que, como dizes, tenha reciclado muito do que se fez antes. Também, como referi, nunca foi o humor extraordinário que me fez gostar da série - embora admita que me ri a ver Friends como em poucas outras sitcoms -, mas sim a empatia imediata que criei com as personagens, estereotipadas, sim, mas ainda assim cativantes o suficiente para me prenderem desde o início.

De qualquer maneira, admito que a fórmula de Friends não é algo que resulte frequentemente - aliás, o próprio David Crane tentou emulá-la o ano passado, com The Class, e falhou redondamente.

E comparar britcom com sitcoms americanas é quase paradoxal.

Cumprimentos


De luminary a 9 de Setembro de 2007 às 16:20
Acho que "Friends" é uma série simpática, revelou ao mundo um grupo de bons actores cómicos (Aniston, Schwimmer e o que me pareceu mais talentoso de todos, mas entretanto tem andado perdido, Matthew Perry), mas falta-lhe sempre o qualquer coisa que distingue as séries cómicas que me marcam. Sem referir "Seifeld", que joga num campeonato à parte, e tom e qualidade, pode-se falar de "Spin city", série de comédia que no modelo habitual da sitcom, deixou algumas boas e originais ideias de como se podia fazer comédia em televisão. Aliás, a mesma equipa que fez "Spin city" foi aquele que criou a excelente "Scrubs".


De ana a 10 de Setembro de 2007 às 12:38
para mim, é daquelas séries em que primeiro estranha-se o humor, depois entranha-se ;) está de novo na RTP2, à hora dos telejornais. nem hesito na escolha :))


De tvfiles a 11 de Setembro de 2007 às 11:26
Esta é uma daquelas séries que, à primeira vista, não vale nada. Não é uma comédia brilhante, e acaba muitas vezes por chatear de tantas voltas e revoltas românticas.
Quando a via na TV não lhe ligava nenhuma, mas a oportunidade de ver a série seguida em dvd mudou a minha opinião. Continuo a achar que, enquanto comédia, é normal, mas as histórias das personagens cativam e, ao final de algumas temporadas, parecem ser mesmo nossas amigas.
E tem o sr. Matthew Perry! ;)


De Fábio Jesus a 11 de Setembro de 2007 às 13:28
Lá está. Matthew Perry é um dos meus maiores heróis televisivos. É uma pena que Studio 60 tenha sido cancelado tão prematuramente.


De tvfiles a 12 de Setembro de 2007 às 09:17
Grande Studio 60. :s É pena que séries tão boas sejam canceladas, enquanto outras fracas continuam. Mas é o problema das grandes cadeias. Felizmente as estações mais pequenas (Shotime, FX) têm feito séries excelentes para compensar, e aí temos a certeza de que têm oportunidade para evoluir. :)


De Knoxville a 11 de Setembro de 2007 às 21:32
Leste, palavra por palavra, a minha alma. O humor é básico? Sim. Foram 200 e muitos episódios onde a cada um que passava sentia que criava uma relação mais forte com um dos meus "Amigos"? Sem dúvida. Tanto foi que, no último, chorei a bom chorar. Foram 10 temporadas, quase de dois anos da minha vida em que via um ou outro episódio antes de ir dormir e que, de repente, apenas ficou o vazio. Eternos.

Excelente artigo Fábio, já fiz referência no meu blogue. Cumprimentos!


De Fábio Jesus a 11 de Setembro de 2007 às 22:34
Resta esperar que a ideia de fazer um episódio de reunião vá para a frente, eventualmente ;)

Obrigado pela referência!

Abraço


De Loot a 13 de Setembro de 2007 às 20:55
A primeira vez que vi Friends em Portugal a RTP passou os episódios dobrados em Português e obviamente não liguei À série.
Vi pouca coisa da série entretanto, deixaste-me mais curioso agora que li o teu texto.

Em relação às 10 seasons dos friends, considerem-se sortudos, arrested development é uma das minhas séries favoritas e foi cancelada à 3º.
Mas compreendo a tristeza que é chegar o final de uma séria que se tem acompanhado por tanto tempo. Recentemente aconteceu-me isso com Six Feet Under uma série maravilhosa cujas 5 seasons eu vi compulsivamente como tu com friends, mas também não mudava nada é uma das séries mais completas que vi.

Abraço


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