Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Videojogos



Como qualquer jovem nascido nos anos 80 ou nos 90, cresci a jogar videojogos e fascinado por eles. Foi uma paixão que surgiu muito antes do cinema ou da música, numa altura em que tinha em alta consideração bandas como os Cartoons ou, cá dentro, os eternos Excesso, e achava que não havia nada melhor do que os filmes do Steven Seagal. E sim, tive um crescimento tão saudável quanto feliz, divertido a jogar fervorosamente preciosidades como Final Fantasy VII ou – recuando uns anos valentes – o Sonic the Hedgehog original da Mega Drive.


Toda esta introdução lamechas para dizer que o Discovery Channel cozinhou uma mini-série de cinco episódios que se propôs a explorar cronologicamente a história dos videojogos, percorrendo todo o período desde que William Higinbotham criou a primeira experiência interactiva de entretenimento de um computador com Tennis for Two (1958) até aos mundos virtuais interactivos de hoje em dia, como Second Life. Chama-se Rise of the Video Game e está longe, muito longe de representar uma visão definitiva sobre o (para muitos) surpreendentemente rico mundo dos videojogos, não deixando por isso de ser interessante, pedagógico e, à semelhança da matéria-base, extremamente divertido de observar. 


Onde Rise of the Video Game realmente falha é no género de abordagem que escolhe. Centrada num ponto de vista sociológico, a série perde-se frequentemente em analogias e paralelismos, com as várias Guerras ou com as mentalidades e disponibilidades psicológicas das várias gerações de jogadores, e quando o faz o interesse dá lugar ao tédio. Quando funciona, no entanto, Rise of the Video Game fá-lo muito bem. Qualquer gamer que se preze achará aliciante a possibilidade de escutar o que tem para dizer gente como Sid Meyer, Will Wright, Peter Molyneux ou Shigeru Miyamoto, lendas da indústria e visionários por direito próprio. Só tenho pena que alguns dos meus heróis pessoais do mundo videojogável, caso de Warren Spector ou Hironobu Sakaguchi, não marquem presença.


Rise of the Video Game é um retrato interessante se incompleto de uma indústria cujos lucros se preparam para ultrapassar os do cinema e da música combinados e tem o condão de nos deixar com o “bichinho” no fim de cada episódio. O que, por si, já vale uma recomendação.


Fábio Jesus às 22:36
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7 comentários:
De Paulo Lemos a 9 de Janeiro de 2008 às 02:20
Parece-me bem. Estarei atento para uma cuidada visualização dessas mini-séries! Abraço insular e continuação de um óptimo trabalho para os ONP!


De Ângela a 9 de Janeiro de 2008 às 20:04
E já agora, volta Paulo! :D

Beijo*


De Lídia Gomes a 9 de Janeiro de 2008 às 23:09
Mas isto é um festum, nem se aparece aos exames...


De Miguel Pereira a 9 de Janeiro de 2008 às 20:47
Eu joguei esse do Sonic na clássica MASTER SYSTEM... Bons tempos em que com dois comandos e o ROAD RASH se fazia uma festa!


De sigacafe a 10 de Janeiro de 2008 às 23:32
Apesar de ser novo jogava final fantasy VII e foi dos poucos jogos que ainda não consegui acabar por causa do summon mais poderoso do jogo... ainda tenho o original bem guardadinho porque curto bué FFVII
Estive a ver o vosso blog e acho que tá nice em termos de texto e de contextualização dos temas
Bom trabalho e uma boa continuação

Gazela


De sigacafe a 10 de Janeiro de 2008 às 23:37
Hironobu Sakaguchi foi das pessoas que revolucionou os gráficos dos videojogos pela qualidade que ele punha não só nos vídeos mas na qualidade dos jogos do FF, apesar de ele ter saído acho que ele, ainda poderia ter mais uma oportunidade para criar tipo um FF XIV, pois o XIII já tá a ser feito para a PS3


De Vercetti a 11 de Janeiro de 2008 às 20:57
..."uma indústria cujos lucros se preparam para ultrapassar os do cinema e da música combinados..."

Hell yeah^^

Nice post

Abraço


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