Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Algo está podre no reino de Sua Majestade

Já tinha aqui exposto as minhas sérias dúvidas quanto à tão apregoada excelência de Skins. Pois segunda temporada, segunda oportunidade, segunda desilusão. Perdoem-me o prosaico mas ver Skins chega a dar pena. Pena porque Jamie Brittain e Bryan Elslay não conseguem nunca em tempo algum aproveitar toda a liberdade para susceptibilizar, chocar, melindrar - e pelo meio contar umas verdades... - que uma série como Skins tinha à partida. Infelizmente, os buracos narrativos da primeira temporada - muito culpa da estrutura 'um episódio - uma personagem', que não permite o desenvolvimento sustentado das mesmas e das suas histórias - na segunda temporada tomam proporções quase épicas: as situações continuam inverosímeis, inócuas e exageradas, os desfechos previsíveis e os actores nem sempre correspondem às exigências do guião. Mas isso já nem é novidade.

 

O que realmente faz da segunda temporada de Skins um quase descalabro é a completa perda de noção do conceito de entretenimento, característica que foi segurando o primeiro tomo da história que foi mantendo, assim, um relativo interesse. Antes dinâmica, colorida, cheia de ritmo, na segunda temporada a série torna-se pastosa, negra, entediante. Nem a banda sonora -  que continua irrepreensível, diga-se - e onde pontifica gente do calibre de uns Arcade Fire, Animal Collective, Electrelane, Camera Obscura e Feist, só para citar alguns de muitos, salva o que Skins podia ter sido mas, vá-se lá saber porque, nunca chegou a ser.

 

Entre pontas soltas, histórias mal resolvidas e clichés disparados a ritmo de shotgun (a câmara que roda em torno do personagem que olha esmagado para a Times Square...onde é que eu já vi isto?), fico sem perceber de onde vem tamanha reverência à série por parte da crítica. E agora que muito se fala de um remake norte-americano, espera-se mais do que este tão sobrevalorizado resultado. Sim, porque ao lado de Chris Milles ou Sid Jenkins, os Ryan Atwoods desta vida estão ensopados de realismo.


Lídia Gomes às 22:17
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8 comentários:
De Ângela a 24 de Julho de 2008 às 17:55
Gostei mais da segunda época, sim, mas não fiquei assim tão desiludida. É 1ª é claramente melhor, mas ainda assim continuou a cativar-me e a manter-me interessada.
E aquele momento na praia em que se ouve Sigur Rós é amor :)**


De Ângela a 24 de Julho de 2008 às 17:56
Gostei mais da primeira*


De Lídia Gomes a 24 de Julho de 2008 às 18:49
Nem esses momentos ditos mais "poéticos" me fizeram sentir grande coisa. Mais do que na primeira temporada, tudo me pareceu forçado, de plástico, a armar ao pretencioso.

Não me parece que volte a dar uma oportunidade à coisa, se bem que a próxima temporada vai ser centrada na Effy, que é provavelmente a única personagem, no fim de contas, que ainda consigo suportar.

bj


De manel a 18 de Agosto de 2008 às 05:26
provavelmente dos comentários mais idiotas que já li até hoje a uma série.

completamente sem fundamento. Este post como opinião é zero. Tão zero que nem força tenho para argumentar.

Só queria mesmo dizer que a menina Lídia está errada e que aos olhos de muita gente é uma idiota. Mas é normal que haja sempre as duas faces da medalha. Há que saber acolher as críticas negativas.


De Lídia Gomes a 18 de Agosto de 2008 às 13:33
Senhor Manel, obrigada e igualmente. Volte sempre!


De manel a 18 de Agosto de 2008 às 19:01
pode parecer que lhe chamei idiota, mas nao foi bem isso. Tenho poucos amigos que gostem de skins, nao é por isso que os odeio.

Espero que nao tenha sido mal interpretado. *


De Lídia Gomes a 18 de Agosto de 2008 às 20:11
Só queria mesmo dizer que o menino Manel está errado e que aos olhos de muita gente é um idiota. Pode parecer que lhe chamei idiota, mas nao foi bem isso...

Mais uma vez volte sempre!


De manel a 18 de Agosto de 2008 às 20:33
Aquilo que tu consideras defeito na série, eu considero qualidade. Simples.

O único comentário á série certo é o da música. "Irrepreensível" mesmo.


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