Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Avatar não está, como referem algumas luminárias na página de cinema do SAPO, entre “o melhor que se fez até hoje”, nem tão pouco vem “salvar o cinema americano” (enquanto houver Eastwoods, Tarantinos, Jarmuschs, Grays, Bigelows [ainda não vi o filme, mas tenho fé] e outros que tal o cinema americano não precisa de salvação). Duvido até que seja este – o digital a três dimensões, espécie de muleta que, parece-me, apenas serve este tipo de produção saturada de cor e detalhe espectacular – o “futuro do cinema”, como Cameron parece acreditar. Mais depressa é o futuro dos videojogos. Avatar, o filme, seria um óptimo videojogo de acção e plataformas (no lingo do sector) com grafismo de ponta e som surround. Enquanto cinema, Avatar é um embrulho brilhante mas nem sempre interessante a disfarçar um baú de clichés, do triângulo amoroso à temática da colonização imperialista que, da Independência à guerra do Iraque, é tão cara aos americanos e que já é usada e reciclada no cinema desde, pelo menos, Griffith. Cameron o artesão (o dos eighties) bate aos pontos este Cameron deslumbrado a querer fazer-se passar por George Lucas (e, mesmo assim, é o facto de Cameron ser um cineasta superior que faz de Avatar um filme ligeiramente superior a coisas insípidas como, por exemplo, o Beowulf de Zemeckis).

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Fábio Jesus às 00:00
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Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Por falar nas Fontaínhas

Nos meus sonhos o Perdidos e Achados da SIC vai à procura destes dois, do puto bébé que sobrevive à mãe suicída e deste puto Pai e a aquela sua cara branca, quase transparente, que tenta que o puto bébé sobreviva ao resto quando nem ele se aguenta nas pernas. Que é feito de vocês? Ossos é a primeira parte da Trilogia das Fontaínhas e todos os dias dá um novo sentido à palavra "hiper-realismo".

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Lídia Gomes às 23:23
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

E agora a capa

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Fábio Jesus às 23:42
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Feliz Natal

(Rabid, David Cronenberg, 1977)

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Fábio Jesus às 21:45
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

1+1=3

Study for the Nurse from the Battleship Potemkin [Francis Bacon]


Lídia Gomes às 15:02
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Sábado, 28 de Novembro de 2009

Atenção

Amanhã, às 16h00, O Estado do Mundo no auditório da Fundação de Serralves, seguido da apresentação do livro Cem Mil Cigarros - Os Filmes de Pedro Costa, com direito a mesa-redonda com Ricardo Matos-Cabo, Óscar Faria, João Fernandes e Pedro Costa. Melhor que andar à chuva.

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Fábio Jesus às 23:29
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Se o cinema, como disse Henry Miller, é «a consciência visual da morte» nunca a vimos de tão perto como em Tabu de Murnau. Depois deste filme, nenhum outro pode ser «o mais belo dos filmes». Contraplano. E repito: nenhum outro.

J.B.C.

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Fábio Jesus às 20:29
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Gostar de mulheres

Há um episódio algures na quarta temporada de Six Feet Under onde os Fisher fazem uma grande fogueira à porta de casa e arremessam para as labaredas uma porrada de quinquilharias (pois claro, quinquilharias). Expiação do princípio ao fim, portanto. A meio do ritual a atravessada da Claire vai ao quarto, colunas ao alto e tomem lá a Lucky dos Radiohead porque angústia nunca é demais. Soube a partir daí que a Lauren Ambrose nunca iria deixar de ser merecedora do meu girl love. Ao nível de me ter sido humanamente impossível dizer que The Return of Jezebel James era, como é de facto, um grande e fétido monte de lixo (pronto, consegui finalmente). Mas há razões para amar esta rapariga, afinal nos últimos anos tem andado a passear o seu talento pela Broadway e em personagens shakespearianas e, pasmem-se, acabou de se estrear como cantora jazz. E a propósito disso tomem lá, para quem tem saudades.


(o nome do postal é um roubo descarado da versão cromossoma XY desta casa)


Lídia Gomes às 21:53
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Sábado, 21 de Novembro de 2009

Serviço público allez

Em sessão dupla, dois grandes filmes de um dos mais talentosos realizadores portugueses, Joaquim Leitão.

Na dois.

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Fábio Jesus às 15:52
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Uma saia, uma arma

Isabelle Adjani está recauchutadíssima e tem uma saia acima do joelho mas La Journée de la Jupe só convence quando são os alunos insubordinados - todos pretos ou mouros, como se não existissem franceses de gema mal comportados - a pegar na arma. Até lá, todo um relambório de trivialidades e umas lições de moral de plástico (Isabelle, já foste mais credível). Mas no fim fica um incomodo sim, pesado, e nisso o filme de Jean-Paul Lilienfeld é bem eficaz. Ao menos isso.


Já agora, o Mário Nogueira é que havia de ver isto. Uma professora destas nas manifs e metade dos problemas da classe estavam resolvidos.

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Lídia Gomes às 21:32
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Inferno

Drag Me To Hell tem sido vendido como um certo regresso às origens por parte de Sam Raimi, um realizador de 50 anos que volta a fazer um filme de terror de baixo orçamento depois de três filmes de milhões que renderam milhões sobre um certo super-herói aracnídeo e quase três décadas após o primeiro Evil Dead, o filme que o “fez” enquanto realizador e que tornou Bruce Campbell – agora entretido com projectos masturbatórios de gosto duvidoso – num sério fenómeno de culto. Mas de back to basics Drag Me To Hell tem pouco. Evil Dead (e as sequelas, mais tarde) era um filme brutalmente inventivo que pulsava cinema por todo o lado – ou não fosse feito por um jovem realizador em início de carreira – e no qual era notória a paixão de Raimi pelo métier. Já Drag Me to Hell é um filme sem fôlego, um recauchutar de ideias gastas sem nada de novo para dizer; no fundo, um golpe de marketing. É, acima de tudo, e à semelhança do último Indiana Jones, um filme demasiado produzido, como se com Spider-Man e respectivas sequelas Raimi tivesse atingido o ponto de não retorno e esquecido o que a sujidade e a (deliberada) falta de polimento fizeram pelos seus filmes dos anos 80. Uma desilusão, portanto.

 

Alison Lohman, a donzela em perigo, não ajuda. Não é Bruce Campbell quem quer.

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Fábio Jesus às 21:42
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Sábado, 24 de Outubro de 2009

Gosto do Clint, da África do Sul, de rugby, do Mandela e quero muito gostar de tudo isso junto.

E a respectiva aula de história.

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Lídia Gomes às 23:34
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

À atenção da Midas (2)

One of contemporary cinema’s most daring and uncompromising artists, Pedro Costa is being honored with a complete retrospective at the Tate Modern in London, a rare distinction for a filmmaker still in his prime. The series, which starts today and runs through October 4, includes not only all of the fifty-year-old Portuguese director’s work—nine films in total, from 1989’s O sangue to his current Ne change rien—but also programs of movies that have inspired him: by Godard, Eustache, Warhol, and Straub and Huillet. Costa has been getting a lot of other attention recently too. One Hundred Thousand Cigarettes: The Films of Pedro Costa, a book of writings on his work, was just published in Portugal. And the Cinémathèque française is busy preparing its own retrospective, slated for January. In honor of the Tate show, Sight & Sound has run an interview with Costa by Kieron Corless and an in-depth career analysis by Quintín in its October issue, and in the Guardian, Peter Bradshaw touts Costa as the “Samuel Beckett of world cinema.” This week also sees the release of O sangue on DVD in the UK from Second Run. Criterion will release a box set of Costa’s Fontainhas Trilogy—Ossos, In Vanda’s Room, and Colossal Youth—also including the shorts Tarrafal and The Rabbit Hunters, in early 2010.

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Fábio Jesus às 22:54
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À atenção da Midas

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Fábio Jesus às 22:50
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Não sei de onde vem toda a agitação em volta de District 9. Não há por lá nada que não seja reciclado e até a abordagem estilo falso documentário, que redunda num imenso vazio quando não suportada por uma mínima noção de dramaturgia, de tempo, quando não é colocada por cima de uma qualquer ideia, já foi feita e refeita de formas mais eficientes (Blair Witch, Blair Witch). Como está, a coisa vai seguindo em direcção a nada e culmina num terceiro acto em que Neil Blomkamp, como se possuído por Roland Emmerich ou Michael Bay, deita por terra de vez a concepção primária de filmar corpos, vísceras, sangue e suor, e limita-se a filmar zeros e uns. Então e o cinema?

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Fábio Jesus às 21:56
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

O Sangue

Comprei o DVD d’O Sangue com o Público de hoje, resignado com o ridículo de um “regresso às salas” que se traduziu numa única semana de sessões no UCI do El Corte Inglés, em Lisboa. A edição em DVD, “com imagem e som restaurados”, é bem-vinda e é um começo; mas onde estão o Paulo Rocha, o Fonseca e Costa, o Manuel Mozos, o António Campos e o António Reis, o Oliveira que falta, o César Monteiro em edições individuais, Os Mutantes e o resto?

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Fábio Jesus às 20:26
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

 

(…) Pero un específico, espléndido detalle ausente coloca Los límites del control directamente en confrantación y por encima de Malditos bastardos. El código de acción violente y de suspense de Tarantino se expresa por sí solo, sobre todo, en su minuciosa obsesión com las entradas y las salidas: como sus asesinos entran y salen del sótano de un bar o de una sala de cine. Pero el solitario samurái de Jarmusch solo necesita mirar com calma a un edificio militar norteamericano de alta seguridad para penetrar instantaneamente en él: como un fantasma, aparece entre sus paredes, y después, de la misma manera, escapa, desaparece, huye. (…)

 

O Adrian Martin é que a sabe toda: The Limits of Control vale, acima de tudo, por aquela assombrosa elipse que faz a personagem de Isaach de Bankolé, qual super-herói (ou fantasma, mas sempre algo sobrenatural), estar num primeiro plano a observar, ao longe, o tal edifício militar rodeado de militares e dispositivos de segurança e no seguinte aparecer sentado, imaculado e destilando cool, frente a Bill Murray. Lembra Hitchcock; lembra aqueloutra elipse, no início de Vertigo, quando James Stewart sobrevive sabe-se lá como a uma queda potencialmente fatal e o mestre inglês despega definitivamente o filme da realidade e parte para o delírio que se lhe segue. E quase faz esquecer os tiques mais ou menos artísticos a roçar o pedantismo com que Jarmusch havia minado o filme em cenas anteriores.

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Fábio Jesus às 22:05
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Diálogos e a janela

Pergunto-me: tem Inglourious Basterds seguido uma montagem mais, digamos-mos, ortodoxa, seria o resultado menos ousado mas mais harmonioso? Talvez. A divisão por capítulos, parece-me, ‘mata’ algumas personagens (o Archie Hicox de Michael Fassbender poderia ter sido tão mais) e os dois mais longos diálogos do filme funcionam de forma bem distinta: a cena inicial, quando Hans Landa visita a pradaria francesa para fazer jus ao seu apodo, é uma autêntica bomba-relógio, chega a ser extenuante para quem espera aquele olhar, aquele movimento que tudo vai despoletar; já o meeting na taverna arrasta-se sem crescendo e o desfecho é quase previsivelmente abrupto. Mas nem todos somos Christoph Waltzs. O que não significa que não tenha gostado de Inglourious Basterds, bem antes pelo contrário. Tarantino é singular e entre acção desbragada, a carambola histórica e pozinhos de humor certeiro lá aparecem imagens de rara sensibilidade. Aquele grande plano em que Shosanna olha pela janela do seu cinema, na noite da vingança, e a sua imagem aparece reflectida outra vez, e depois outra vez e outra vez é das coisas mais bonitas que vi numa sala de cinema em muito, muito tempo. E isso faz qualquer filme.

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Lídia Gomes às 02:42
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Domingo, 6 de Setembro de 2009

Humildade

Se já se questionou nestes termos, sabe que elemento essencial falta na sua vida?


Glória. Há um grau de grandeza que nunca consegui atingir. Sabe, é daquelas coisas que já me incomodam vai para algum tempo. Já fiz muitos, muitos, muitos filmes, mas atingir a mais autêntica das grandiosidades é algo que me tem iludido. Incomoda-me imenso. Claro que uma pessoa tenta sempre ser genial, mas... Diria que é esse o ingrediente que me falta. Isso e ter ouvido para a música.


(...)


Mas quando diz que se sente incomodado por ainda não ter atingido o estatuto de grande autor, como é que isso se manifesta?


Incomoda-me no sentido em que, ao final da noite, preferia ir para a cama sabendo que tinha conseguido fazer algo excepcional. Adoraria que os meus filhos pudessem, um dia, ir a um museu ou a uma cinemateca e ver os meus filmes serem comparados à obra do Kurosawa ou do Bergman. Mas não sinto que mereça essa paridade. Não acredito que a minha obra possa fazer parte de um festival de cinema que inclua apenas os maiores. Isso incomoda-me, mas também não deixo que me incomode o tempo todo. Já percebi que a prova de excelência nunca vai acontecer. Já fiz as pazes com tal realidade. Estou consciente de que tive várias oportunidades para produzir uma coisa grandiosa,e, se nunca foi possível, é porque não sou capaz. A culpa é toda minha.


Woody Allen à Única desta semana.

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Lídia Gomes às 23:57
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Considerações de Verão

Two Lovers acaba e a vida é mesmo assim. Às vezes querer não é poder. O novo dos The Dodos parece tudo de bom. The xx a marcar o ritmo da rentrée. E Mad Men continua a ser a melhor coisa que a televisão nos tem para oferecer. Morreu a silly season, viva a silly season.


Lídia Gomes às 14:04
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