Domingo, 26 de Setembro de 2010

Sobre Freaks and Geeks

Sei que Freaks and Geeks é, essencialmente, um projecto inacabado. E por isso difícil de criticar. Como tanta coisa boa que a audiência americana cancela, a ideia estava lá, mas ninguém a deixou concretizar na sua plenitude. Vejamos, há adolescentes, há o liceu, há pais e amigos e droga e álcool. Mas não há gente bonita, ou demasiado bonita. Não há gente demasiado arranjada, se bem que estamos a falar de uma série ambientada no início dos 80's onde nem a rainha do baile estava bem arranjada, essencialmente por estar sempre demasiado arranjada, com permanentes, ombreiras e essas coisas tão oitenteiras. Em Freaks and Geeks não há rainha do baile. Há baile mas ele interessa pouco. Pode-se dizer que a série, produção de Judd Apatow convém não esquecer, é um retrato mais ou menos verosímil. Ou pelo menos o mais verosímil de todos. E se calhar é esse o seu pecado. Ao contrário do mundo inteiro não fiquei particularmente empolgada com Freaks and Geeks. E acho que o problema são as personagens. Criar ou não empatia com as personagens é meio caminho andado para o sucesso ou não sucesso da ficção, parece-me. Na minha modesta opinião, todas as personagens principais de Freaks and Geeks são chatas. Principalmente os Weir, os jovens, porque os pais é outra história (as lições de moral do Pai Weir são do melhor da série). A sério, aquela Lindsay é chata. Se calhar porque é só uma pessoa normal e por isso é chata. O irmão Sam idem. Depois há as que são só irritantes, tipo o Daniel Desario de James Franco. Acho que a única personagem verdadeiramente empática é o Bill Haverchuck de Martin Starr, feio, sujo, desengonçado, mas genuinamente bom moço (mas que depois tem uma mãe toda grossa, não se percebe). Mas eu sei que se calhar a vida real é mesmo assim, nem todas as pessoas são interessantes, ou têm grandes gostos musicais, ou vestem-se muito bem. Para isso vê-se The OC. Lá há muita gente bonita. Mas Freaks and Geeks também é demasiado plano, ou demasiado literal. 18 episódios dá para muito pouco mas estava à espera de me entreter mais. Freaks and Geeks não chegou a ser bem entretenimento, se calhar estava a caminhar para lá mas não deixaram e assim ficou só algo que poderia vir a ser muito bom.


Lídia Gomes às 12:09
link | favoritos
De tapas a 7 de Janeiro de 2011 às 12:18
Parabéns pelo seu blog, muito interessante. Estou estudando Português, eu não consigo entender tudo, mas quase! ;)


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.


▪ os pornógrafos

▪ pesquisar

 

▪ Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

▪ posts recentes

Maio

Apichatpong, dois

As quatro voltas

Apichatpong, um

Simpatias

Filmes difíceis

O adeus televisivo de uma...

Black Swan

Re-Animator

A rainha da galáxia

▪ tags

1982(1)

1985(1)

1989(1)

2004(3)

2006(11)

2007(67)

2008(75)

2009(46)

2010(8)

2011(1)

a música é a mãe de todos os vícios(16)

a música é mãe de todos os vícios(1)

apartes(3)

arte(2)

artwork(2)

cinema(190)

concertos(25)

críticas cinema(8)

críticas literatura(1)

críticas música(1)

efemérides(1)

entrevista(1)

festivais(2)

fotografia(1)

literatura(11)

momentos "saduf! muito bom!"(9)

música(231)

musica(1)

notícias cinema(1)

notícias música(7)

notícias televisão(3)

obituário(2)

off-topic(8)

pintura(2)

promessas(2)

quem escreve assim não é gago(7)

revistas(1)

televisão(101)

tops(7)

velhas pornografias(3)

videojogos(3)

todas as tags

▪ links

▪ subscrever feeds