
Ao início julguei que ia sair do primeiro filme de Clint Eastwood um “conto moral” ao estilo dos de Rohmer. Uma estrutura que se assemelha ao “livro de estilo” da série temática do francês – “enquanto o narrador procura uma mulher, encontra outra, que ocupa a sua afecção até que ele encontra a primeira novamente” -, envolvendo o trio de personagens principais, e as cenas junto ao mar de Carmel reminiscentes das de La Collectionneuse, que precede Play Misty for Me por quatro anos, faziam crer que Clint pudesse ter bebido no cinema francês da altura a influência maior do seu primeiro filme. Rapidamente, no entanto, desaparece o moralismo e Rohmer dá lugar a Don Siegel (o verdadeiro "professor" de cinema de Eastwood, aqui simbólica e significativamente presente no seu primeiro papel creditado como actor a fazer de um daqueles barmen que todos gostaríamos de tratar por tu) e a Hitchcock e estes, finalmente, a Clint. O estilo estava ainda em construção, é certo, e faltava-lhe a depuração e o discernimento (a cena com a canção de Roberta Flack é uma pateguice que quase arruína o filme) que viriam com a experiência, mas há já nesta história de obsessão e violência toda uma preocupação estética e temática (a música e, particularmente, o jazz, adquirem desde logo o lugar de destaque que reclamam na obra do realizador) que denuncia e prenuncia o muito e bom que viria a seguir.
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